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Busca por canetas emagrecedoras migra para IA e preocupa setor de saúde
Publicado 02/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 02/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A inteligência artificial já influencia decisões de pacientes e médicos sobre tratamentos para obesidade e diabetes, especialmente no mercado das chamadas canetas emagrecedoras. É o que afirmou Luiz Marcelo Siqueira, sócio e diretor da Digital Solvers by LLYC.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Siqueira disse que o avanço das ferramentas de IA mudou a forma como pacientes buscam informações sobre saúde. Segundo ele, o usuário deixou de fazer apenas pesquisas tradicionais e passou a conversar com modelos de linguagem para tirar dúvidas sobre medicamentos, tratamentos e efeitos.
“A gente passou de um mercado que fazia buscas para ter conversas. As inteligências artificiais trouxeram isso para a gente”, afirmou.
O executivo disse que o acesso mais amplo à informação pode ajudar pacientes a chegarem mais preparados ao consultório, mas alertou que decisões sobre medicamentos não devem ser tomadas sem orientação profissional.
“Nada substitui a experiência de um médico que fez uma faculdade para aquilo, já tem anos de experiência e vai tomar a conclusão sobre qual o melhor tratamento”, disse.
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Siqueira afirmou que o estudo da LLYC analisou 500 possíveis perguntas feitas por pacientes a inteligências artificiais sobre obesidade e diabetes. O levantamento avaliou as respostas geradas pelos modelos e as fontes usadas para formular essas recomendações.
Segundo ele, as respostas podem se basear em fontes científicas, redes sociais e conteúdos gerados por usuários. O problema é que nem todo conteúdo usado pelos algoritmos tem a mesma qualidade.
“A gente encontra fontes como redes sociais e fontes científicas, mas às vezes muito conteúdo gerado por próprios usuários das redes sociais. Alguns trazem informações muito boas e outros trazem informações mais equivocadas”, afirmou.
O executivo disse que até marcas que não estão disponíveis no mercado podem aparecer em respostas de IA, o que pode levar o paciente a conclusões erradas ou a expectativas incompatíveis com a realidade regulatória e médica.
“Produtos que ainda estão em fase de pesquisa aparecem nas redes sociais e nas próprias buscas feitas nas inteligências artificiais”, disse.
Para Siqueira, esse cenário abriu uma nova frente de disputa para o setor farmacêutico. As empresas passaram a tentar ocupar espaço nas respostas algorítmicas, não por meio de propaganda direta de marcas, mas com conteúdo educativo e informações científicas confiáveis.
“As empresas farmacêuticas estão começando a entender que é possível gerar bons conteúdos e ter contato com boas fontes de informação”, afirmou.
Ele disse que as farmacêuticas não podem fazer propaganda direta de medicamentos sujeitos a restrição regulatória, mas podem produzir materiais de educação para a população.
“É óbvio que elas não fazem propaganda das suas marcas. Elas não podem fazer isso de acordo com a Anvisa. Mas podem dar cada vez mais informações boas, ocupando um espaço bom nesse mercado”, disse.
Entre os exemplos citados estão vídeos de médicos explicando casos clínicos, materiais sobre moléculas e conteúdos educativos que possam ser reconhecidos pelos sistemas de IA como fontes relevantes.
“Às vezes, é uma sequência de palavras corretas que vai servir como fonte para essas inteligências artificiais”, afirmou.
Siqueira disse que pacientes têm demonstrado alta confiança nas respostas de IA, em parte pelo imediatismo dessas ferramentas. Para ele, o ideal é que essas informações sejam levadas ao médico como ponto de partida para uma conversa, não como conclusão definitiva.
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Seguir no Google“As pessoas levam bastante em consideração porque querem um imediatismo”, disse. “É interessante levar informação para debater com o médico, mas os profissionais de saúde são as melhores fontes.”
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O executivo afirmou que o estudo focou obesidade e diabetes por causa da popularização das canetas emagrecedoras e da expectativa de maior acesso nos próximos meses, inclusive com a chegada de moléculas genéricas ao mercado.
“A gente achou que seria um assunto muito interessante para trazer para a sociedade, para mostrar como isso vem desempenhando”, afirmou.
Segundo Siqueira, algumas estimativas apontam que 30% a 40% das buscas já ocorrem dentro de ferramentas de inteligência artificial. Para ele, a tendência é que esse comportamento cresça com o aumento do interesse por tratamentos de obesidade.
“A gente está mudando o hábito de pesquisar e a forma como pesquisa, com uma velocidade absurda de concluir coisas extremamente complexas”, disse.
Siqueira defendeu que os pacientes usem a IA para se informar melhor, mas levem as dúvidas ao consultório com disposição para ouvir a orientação médica.
“Use as buscas como conversas. Pergunte um pouco mais para a inteligência artificial e leve isso para o seu médico de coração aberto”, afirmou.
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