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Como a aquisição da Neiman Marcus pela Saks levou a empresa à falência

Publicado 15/01/2026 • 09:45 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A aquisição da Neiman Marcus pela Saks Fifth Avenue deveria criar um gigante do luxo, mas acabou levando a empresa a entrar com pedido de recuperação judicial sob o Chapter 11.
  • Após financiar o negócio com US$ 2,2 bilhões em títulos de alto risco, a Saks não teve recursos suficientes para pagar seus fornecedores.
  • Com a interrupção dos pagamentos, a varejista deixou de garantir o estoque adequado para impulsionar as vendas, o que acabou levando à insolvência.

Foto porSCOTT OLSON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Pedestres passam em frente a uma loja da Saks Fifth Avenue em Chicago, Illinois, em 30 de dezembro de 2025.

Por mais de uma década, o ex-presidente executivo da Saks Global sonhou em adicionar a Neiman Marcus ao seu portfólio de tradicionais lojas de departamento, acreditando que a união criaria um conglomerado de luxo forte o suficiente para enfrentar as mudanças que vêm pressionando o setor.

Em vez disso, a aquisição da Neiman Marcus por US$ 2,7 bilhões, realizada por Richard Baker em 2024, acabou levando a empresa à falência pouco mais de um ano após a conclusão do negócio. Desde o início, a companhia teve dificuldades para pagar suas contas — o que gerou insatisfação entre fornecedores e deixou pouca margem para erros.

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Em uma declaração apresentada na quarta-feira ao tribunal de falências de Houston, poucas horas após a Saks entrar com pedido de proteção judicial sob o Chapter 11, o diretor de reestruturação, Mark Weinsten, afirmou que a transação gerou “desafios imediatos de liquidez” e criou uma estrutura de capital “insustentável”.

Mickey Chadha, vice-presidente de finanças corporativas da Moody’s Ratings, classificou o negócio como uma “receita para o desastre”.

“Você tinha duas empresas que já não iam bem, e então as combinou e ainda adicionou um volume elevado de dívida”, disse Chadha. “Era uma estrutura de capital insustentável desde o começo.”

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O acordo, financiado com US$ 2,2 bilhões em títulos de alto risco (junk bonds), trouxe um destaque inicial de liquidez. Mas, depois da conclusão da transação e do pagamento das dívidas relacionadas ao negócio, não restou dinheiro suficiente para pagar os fornecedores da Saks.

Com os pagamentos atrasados, os fornecedores ficaram menos dispostos a enviar mercadorias. Em pouco tempo, a varejista passou a ter um sortimento inadequado para impulsionar as vendas, o que levou a uma deterioração da situação.

“Isso criou lacunas de estoque que afastaram os clientes e fizeram a receita e a geração de caixa despencarem. Esse clássico círculo vicioso colocou o negócio em uma posição insustentável”, escreveu o analista de varejo Neil Saunders, diretor-gerente da GlobalData, em nota enviada por e-mail.

“Embora a gestão anterior sempre apresentasse a fusão como uma oportunidade de criar um gigante do luxo, por trás da fachada sofisticada o negócio era um emaranhado de engenharia financeira complexa que tornava impossível executar a visão anunciada.”

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Com Neiman Marcus, Bergdorf Goodman e Saks Fifth Avenue sob o guarda-chuva da nova Saks Global, a empresa esperava gerar US$ 600 milhões em sinergias recorrentes ao longo dos cinco anos após o fechamento do negócio, segundo Weinsten. Pouco depois da conclusão da transação, porém, a Saks percebeu que a integração da Neiman Marcus seria mais difícil — e mais cara — do que o previsto.

Às vésperas da crucial temporada de compras de fim de ano do ano passado, a Saks foi “afetada por problemas pontuais de integração dos sistemas de merchandising”, o que interrompeu os fluxos de estoque na Neiman Marcus e na Bergdorf Goodman justamente quando as vendas e os níveis de inventário já estavam em um “ponto sazonalmente baixo”, escreveu Weinsten.

O endividamento da Saks era lastreado em ativos, ou seja, os empréstimos tinham como garantia o estoque. Com menos mercadorias disponíveis, a empresa não conseguia tomar emprestado o volume necessário. Com menos liquidez, deixou de pagar os fornecedores nos termos acordados.

Em pouco tempo, US$ 244 milhões em “pagamentos de recomposição” que a Saks havia conseguido reunir para quitar débitos com fornecedores foram “anulados”, e a companhia voltou a ter dificuldades para manter nas prateleiras o sortimento esperado por seus clientes de alta renda, segundo Weinsten.

Ao fim do segundo trimestre fiscal, em 2 de agosto, o estoque estava 9% abaixo do nível do ano anterior, e a empresa havia recebido mais de US$ 550 milhões a menos em mercadorias do que previa inicialmente. Isso reduziu ainda mais sua liquidez, de acordo com as regras do financiamento baseado em ativos.

O cenário trouxe problemas para a principal temporada de vendas do ano, já que a Saks não conseguiu fazer algo essencial para qualquer varejista competitivo: “correr atrás” do estoque, garantindo produtos desejados e alinhados às tendências durante o período mais movimentado do calendário.

“Não dá para sustentar esse nível de dívida apenas com sinergias”, disse Chadha. “É preciso crescer a receita, aumentar as vendas e melhorar a rentabilidade para suportar um volume tão grande de endividamento.”

Quatro meses após obter um novo financiamento, a Saks deixou de pagar juros a detentores de títulos no fim de dezembro. Duas semanas depois, estava em falência.

Saks: “Não é um negócio físico em declínio”

Na declaração ao tribunal, Weinsten deixou claro que foram os problemas de liquidez da Saks e as dificuldades subsequentes com fornecedores que levaram à falência – e não questões mais amplas relacionadas ao mercado de luxo ou ao declínio das lojas de departamento.

“[A Saks] não é um negócio físico em declínio”, escreveu Weinsten. “Há fortes indícios de que os clientes mais lucrativos da empresa continuam gastando em seus canais de varejo… nesse sentido, as restrições enfrentadas pela companhia não são causadas por queda da demanda; onde há produto disponível, o desempenho permanece robusto.”

Segundo ele, a empresa não precisa fazer investimentos significativos em marketing ou em despesas de capital para melhorar as tendências de vendas. Além disso, as sinergias esperadas com a fusão com a Neiman Marcus estão começando a se materializar mais rapidamente.

Ao fim do exercício fiscal de 2025, a Saks previa sinergias recorrentes de cerca de US$ 150 milhões, mas agora espera que esse número chegue a US$ 300 milhões. A companhia observa taxas elevadas de retenção entre seus principais clientes e vendas positivas quando o estoque está disponível.

“Isso indica que os desafios da empresa estão ligados à disponibilidade de estoque e à confiança dos fornecedores”, afirmou Weinsten. “Não à demanda subjacente por bens de luxo.”

Como parte do plano de reestruturação – sujeito à aprovação judicial – a Saks garantiu US$ 1,75 bilhão em novos financiamentos e se comprometeu a realizar pagamentos futuros a fornecedores, honrar todos os programas para clientes e manter salários e benefícios dos funcionários. Uma parcela de US$ 500 milhões ficará disponível após a saída do processo de falência, o que a empresa espera que ocorra ainda este ano.

A capacidade de reconquistar os fornecedores e retomar o crescimento ficará a cargo do novo CEO, Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus.

Embora os executivos afirmem que as condições são favoráveis para uma recuperação desde que o balanço seja recomposto, as lojas de departamento já não são o que eram. Marcas de luxo têm seus próprios sites e lojas e não dependem mais tanto de atacadistas como Saks e Neiman Marcus quanto no passado.

“Eles vão ter de fazer algo drástico, certo? Não dá para sobreviver apenas com esse financiamento… porque só entrar com o pedido de recuperação não vai mudar o que a Saks realmente faz. Isso não vai levar mais gente às lojas para comprar”, disse Chadha. “Será preciso mudar toda a operação, e isso leva tempo. É uma batalha difícil. Eles não estão no melhor segmento. É uma loja de departamento, afinal.”

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