CNBC
Anthropic

CNBCReceita anualizada da Anthropic supera US$ 65 bilhões às vésperas do IPO

Empresas & Negócios

Dívida de R$ 17,3 bi da Casas Bahia equivale a 26 vezes seu valor na Bolsa

Publicado 18/08/2026 • 08:35 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Dívida de R$ 17,3 bilhões da Casas Bahia equivalia a cerca de 26 vezes o valor de mercado da varejista na manhã do pedido de recuperação judicial.
  • Companhia busca cerca de R$ 1 bilhão em financiamento para reforçar o caixa e recompor estoques, que caíram mais de 20% no segundo trimestre.
  • Passivo pode superar R$ 27,8 bilhões ao considerar créditos extraconcursais, enquanto a relação entre dívida e valor de mercado segue mudando com as ações.
Fachada de uma loja da Casas Bahia

Foto: Divulgação

Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas e busca cerca de R$ 1 bilhão para reforçar o caixa e recompor estoques.

A dívida de R$ 17,3 bilhões declarada pelo Grupo Casas Bahia em seu pedido de recuperação judicial correspondia a cerca de 26 vezes o valor de mercado da varejista na manhã em que a companhia recorreu à Justiça. Na ocasião, a empresa valia cerca de R$ 660 milhões na Bolsa.

A comparação dimensiona o tamanho da nova reestruturação financeira, iniciada apenas dois anos após a homologação de uma recuperação extrajudicial que reestruturou R$ 4,8 bilhões.

Enquanto renegocia o passivo, a Casas Bahia também busca cerca de R$ 1 bilhão para reforçar o caixa e recompor estoques, que caíram mais de 20% no segundo trimestre.

Dos R$ 17,3 bilhões submetidos à recuperação judicial, R$ 16,4 bilhões, ou 94,8%, estão nas mãos de credores sem garantia.

A situação financeira piorou no segundo trimestre de 2026. A varejista registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos não recorrentes. Mesmo excluindo esses impactos, a perda ajustada atingiu R$ 978 milhões. O patrimônio líquido encerrou o período negativo em R$ 8,1 bilhões.

A companhia também fechou 298 lojas durante o processo de reestruturação da operação.

Leia também: Casas Bahia pede recuperação judicial com agravamento da crise financeira e dívida de R$ 17,3 bilhões

R$ 1 bilhão para recompor estoques

Uma das principais frentes para sustentar a operação durante a recuperação judicial é a captação de cerca de R$ 1 bilhão por meio de um financiamento do tipo DIP, sigla para debtor-in-possession.

A modalidade permite que empresas em recuperação judicial obtenham dinheiro novo para financiar a operação durante a reestruturação. A negociação envolve bancos e fundos de investimento, segundo apuração publicada pela Folha de S.Paulo.

O R$ 1 bilhão equivale a aproximadamente 5,8% dos R$ 17,3 bilhões submetidos à recuperação judicial, mas o objetivo não é utilizar esses recursos para quitar o passivo. O dinheiro serviria para reforçar o caixa e recompor mercadorias enquanto a companhia negocia suas obrigações com os credores.

A urgência aparece nos estoques. O volume de mercadorias caiu mais de 20% no segundo trimestre, enquanto o prazo médio de disponibilidade recuou de 95 para 75 dias, o que reduziu a capacidade de abastecer lojas e canais digitais.

A operação de DIP deve funcionar como uma ponte para manter a empresa abastecida enquanto outras medidas de reestruturação avançam.

Captação internacional não se concretizou

O aperto de liquidez também aumentou depois que uma operação de financiamento prevista pela companhia não avançou.

Nas demonstrações financeiras, a Casas Bahia informa que estava trabalhando na estruturação de uma captação relevante junto a investidores internacionais. A operação estava em estágio avançado, com os processos de due diligence e de negociação da documentação jurídica concluídos.

Com a piora das condições dos mercados financeiro e de capitais, porém, o investidor âncora desistiu da operação. Outras alternativas de liquidez, incluindo empréstimos-ponte, também não se viabilizaram no prazo e nas condições originalmente consideradas.

A companhia afirma que a combinação entre a frustração da captação, a menor disponibilidade de crédito financeiro e comercial e o custo elevado dos financiamentos reduziu sua capacidade de realizar novas compras no volume planejado.

A pressão ocorre em um negócio dependente de capital de giro para financiar estoques e, ao mesmo tempo, oferecer crédito aos consumidores. Com a Selic em 14% ao ano, o custo do dinheiro permanece elevado.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Recuperação compra tempo, avalia especialista

Para Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, a recuperação judicial permite que a companhia reorganize o passivo, mas não elimina os problemas estruturais do negócio.

Na avaliação do especialista, a crise reúne dificuldades de gestão, o impacto dos juros elevados no financiamento da operação e a necessidade de adaptação à concorrência crescente do comércio digital.

“A recuperação judicial pode dar fôlego, alongar dívidas e impedir uma paralisação imediata, mas não salva, por si só, um modelo que perdeu competitividade”, afirma Matos.

Segundo ele, o período de proteção será decisivo para que a empresa tente modernizar a gestão, fortalecer a operação digital, recuperar as margens e voltar a gerar caixa.

Caso essa transformação não ocorra, Matos avalia que alternativas como uma operação de M&A ou, em um cenário extremo, a falência podem entrar no horizonte.

A hipótese de venda ou de falência é uma avaliação do especialista, e não uma indicação divulgada pela Casas Bahia.

Passivo pode superar R$ 27,8 bilhões

Os R$ 17,3 bilhões usados na comparação com o valor de mercado correspondem às obrigações submetidas ao pedido de recuperação judicial e não abrangem todos os créditos relacionados ao grupo.

A relação de credores aponta ainda cerca de R$ 10,99 bilhões em créditos extraconcursais, que ficam fora do plano de recuperação judicial. Com esses valores, o passivo relacionado à companhia supera R$ 27,8 bilhões, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.

Os créditos extraconcursais incluem obrigações que, por suas características e garantias, não entram na renegociação realizada dentro do processo de recuperação.

No pedido à Justiça, a Casas Bahia também apontou risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais. A companhia argumentou que uma eventual retenção de garantias vinculadas a recebíveis de cartão de crédito e Pix poderia comprometer até 60% da entrada mensal de caixa.

Relação com a Bolsa seguirá mudando

A proporção de 26 vezes entre a dívida submetida à recuperação judicial e o valor da Casas Bahia na Bolsa é uma fotografia da manhã em que o pedido foi apresentado.

No primeiro pregão após a divulgação da recuperação judicial e do balanço do segundo trimestre, na segunda-feira (17), as ações BHIA3 despencaram e reduziram ainda mais o valor de mercado da companhia.

Com isso, a relação entre os R$ 17,3 bilhões em dívidas e o valor da empresa na Bolsa já ultrapassou as 26 vezes observadas no momento do pedido.

Esse múltiplo continuará variando conforme a cotação de BHIA3 e poderá ser atualizado ao longo do pregão desta terça-feira (18).

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios