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Análise: Avanço diplomático entre Irã e EUA divide cenário com disparada do petróleo e ameaça ao Estreito de Hormuz
Publicado 18/02/2026 • 20:57 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/02/2026 • 20:57 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Aragish, afirmou que os Estados Unidos e o Irã alcançaram, nesta terça-feira (18), durante negociações na Suíça, avanços em direção a um pacto, após semanas de ameaças cruzadas e o envio de um porta-aviões por Washington como medida de pressão.
Num primeiro momento, os mercados reagiram com alta após o anúncio de Teerã sobre o fechamento parcial do Estreito de Hormuz durante exercícios militares. O estreito é um ponto de passagem estratégico para o petróleo, já que aproximadamente 20% da produção mundial transita por ali. Um bloqueio faria – e já tem feito – os preços do petróleo subirem rapidamente.
A cotação do Brent, negociado na Bolsa de Londres, avançou mais de 3%, aproximando-se dos USS 70, depois de ter sido vista não muito tempo atrás na casa dos USS 50. O movimento é interpretado como uma resposta direta ao risco de conflito armado na região por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido diariamente no planeta.
O cenário é marcado por mensagens conflitantes. Ao mesmo tempo que autoridades falam em avanço nas negociações, outros agentes indicam que um acordo ainda está distante, enquanto os Estados Unidos reforçam sua presença militar com um segundo porta-aviões, sinalizando endurecimento na estratégia de negociação.
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Outro fator de incerteza envolve o posicionamento de China e Rússia, que anunciaram exercícios conjuntos com o Irã. A movimentação é vista como um recado geopolítico relevante, pois sugere que uma eventual escalada poderia extrapolar um conflito localizado.
O Irã tem capacidade não apenas de fechar o Estreito de Hormuz, mas também de ameaçar países vizinhos aliados de Washington e grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Omã e Bahrein. A malha de oleodutos da região converge para o estreito, por onde também escoa petróleo de Catar, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
Cerca de 21 milhões de barris de petróleo por dia passam por essa rota, o que significa que qualquer interrupção provocaria um gargalo logístico global. Além do impacto na oferta, o estreito concentra fluxos destinados aos maiores consumidores asiáticos: aproximadamente um terço do volume segue para a China, enquanto Índia também figura entre os principais destinos. Os Estados Unidos recebem parcela menor, enquanto Japão permanece altamente dependente dessa via.
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Especialistas avaliam que, embora o Irã controle parte significativa da costa do estreito, em caso de conflito poderia bloquear até 100% da passagem, seja por ações militares diretas, seja por ataques a navios, dada a geografia estreita e de fácil monitoramento da área.
O risco, porém, vai além da segurança energética. Como a economia global funciona de forma interdependente, uma eventual interrupção forçaria países importadores a buscar petróleo em outras regiões, pressionando ainda mais os preços. Esse efeito inflacionário preocupa particularmente Washington, onde o custo da energia tem peso relevante sobre a inflação e o ambiente político.
Assim, qualquer escalada militar tende a produzir consequências econômicas imediatas não apenas para o Oriente Médio, mas para toda a economia mundial, criando um efeito em cadeia de grandes proporções.
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