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Energia

Após 8 anos, petroleiras reduzem investimentos em energia limpa e tiram mais de US$ 12 bi do setor

Publicado 22/03/2026 • 20:14 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Um levantamento da BloombergNEF, alerta sobre o ritmo da descarbonização global.
  • Pela primeira vez em oito anos, as maiores empresas de petróleo e gás do mundo registraram uma queda anual nos investimentos em tecnologias de baixo carbono, revertendo a tendência de crescimento que vinha desde 2017.
Petroeleira

Foto: Freepik

Um levantamento da BloombergNEF, divulgado em 18 de março pelos analistas Claudio Lubis e David Doherty, alerta sobre o ritmo da descarbonização global. Pela primeira vez em oito anos, as maiores empresas de petróleo e gás do mundo registraram uma queda anual nos investimentos em tecnologias de baixo carbono, revertendo a tendência de crescimento que vinha desde 2017.

Em 2025, o montante destinado à transição energética foi de US$ 25,7 bilhões (cerca de R$ 136,52 bilhões), uma redução significativa em relação aos mais de US$ 38 bilhões (R$ 201,86 bilhões) investidos em 2024. Na prática, o setor cortou mais de um terço de seu orçamento para energias limpas em apenas um ano. Esse recuo também se reflete na participação dessas tecnologias dentro das companhias: enquanto em 2024 os gastos com baixo carbono representavam quase 10% das despesas de capital, em 2025 esse índice caiu para 6,5%, atingindo o menor patamar dos últimos cinco anos.

O relatório indica que o recuo é estratégico e responde à pressão do mercado financeiro. As petroleiras estão redirecionando recursos para suas operações centrais de combustíveis fósseis, priorizando o retorno imediato exigido pelos investidores em detrimento de projetos de longo prazo em energias renováveis.

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O cenário é particularmente crítico na América do Norte, com os Estados Unidos responsáveis pela maior redução nos gastos globais, impulsionada por mudanças drásticas nas políticas climáticas durante o governo de Donald Trump. O desestímulo ao setor de energia renovável gerou alta volatilidade, marcada por atrasos em licenciamentos ambientais, paralisação de obras já iniciadas e incerteza jurídica que afetou projetos de energia eólica offshore, conhecidos pelo alto volume de capital necessário.

Apesar do panorama geral de retração, duas empresas se destacaram: a espanhola Repsol e a saudita Saudi Aramco. Ambas investiram cerca de US$ 4 bilhões em 2025, superando seus próprios aportes do ano anterior. Contudo, a perspectiva da BloombergNEF para os próximos anos é cautelosa, indicando que os investimentos das grandes petrolíferas em tecnologias limpas devem continuar moderados, consolidando um período de foco no petróleo tradicional e ceticismo em relação à transição energética.

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