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Petróleo Brent atinge US$ 119 e preços do gás na Europa disparam após ataques a instalações energéticas no Catar e no Irã
Publicado 19/03/2026 • 06:40 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/03/2026 • 06:40 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Os preços do petróleo e do gás subiram nesta quinta-feira, à medida que ataques a infraestruturas energéticas-chave no Oriente Médio intensificaram os temores de uma escassez global de oferta.
O Catar informou na quarta-feira que ataques com mísseis iranianos danificaram uma importante instalação de exportação de gás natural liquefeito (GNL). A ação ocorreu após Teerã alertar que poderia atacar instalações energéticas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, depois que Israel bombardeou uma unidade de processamento de gás natural no Irã.
O petróleo Brent é referência internacional para o petróleo bruto. Os contratos futuros com vencimento em maio subiram quase 7%, para US$ 114,66 por barril, reduzindo os ganhos após terem ultrapassado brevemente os US$ 119 no início da sessão. Já o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caíram 0,3%, para US$ 96,17.
Os preços do gás também registraram forte alta. O contrato mais próximo no hub Title Transfer Facility (TTF), na Holanda — referência europeia para negociação de gás natural — era negociado com alta de 21%, a 66,3 euros (US$ 75,9) por megawatt-hora, reduzindo ganhos anteriores.
Nos Estados Unidos, os preços do gás natural subiam cerca de 4%, para US$ 3,19 por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu). Já a gasolina RBOB negociada na Nymex para entrega em abril avançava 4,6%, para US$ 3,24, atingindo o maior nível em quase quatro anos.
Os ataques com mísseis iranianos causaram “danos extensos” à Ras Laffan Industrial City, maior instalação de exportação de GNL do mundo, segundo o Catar.
Equipes de emergência foram enviadas para combater incêndios em Ras Laffan, informou a QatarEnergy em publicação nas redes sociais, acrescentando que não houve vítimas. O Ministério do Interior do Catar disse posteriormente que o incêndio foi controlado.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar condenou o ataque como uma “escalada perigosa” e uma “violação flagrante da soberania”, alertando que o episódio ameaça a segurança nacional e a estabilidade regional. O país afirmou ainda que se reserva o direito de responder conforme o direito internacional.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos entraram em estado de alerta após Israel atingir uma instalação iraniana de processamento de gás natural.
O Catar já havia suspendido a produção de GNL em 2 de março após ataques de drones iranianos a Ras Laffan e à Cidade Industrial de Mesaieed. O país é o segundo maior exportador de GNL do mundo, atrás dos Estados Unidos, respondendo por quase um quinto das exportações globais, segundo a Kpler.
A intensificação dos ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio pode aprofundar o choque de oferta desencadeado pela guerra no Irã. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo, está amplamente bloqueado.
Tom Kloza, consultor sênior de energia da Gulf Oil, alertou que os mercados podem entrar em um cenário de “tudo pode acontecer” se o conflito ultrapassar o Golfo e passar a atingir infraestrutura energética em outras regiões, como Europa ou Estados Unidos.
“Você consegue imaginar a reação global se [o Irã] atingisse algo fora do Golfo Pérsico, como uma refinaria em Roterdã ou uma instalação em algum lugar dos Estados Unidos? É nesse momento que tudo pode sair do controle e os preços podem atingir níveis absolutamente extremos”, disse.
Essa mudança representaria uma transição de um risco geopolítico localizado para um choque global de oferta, em que os modelos tradicionais de precificação e as premissas de risco deixam de se sustentar. Nesse ambiente, temores de interrupções generalizadas no refino e na distribuição de combustíveis poderiam provocar volatilidade extrema, com forte disparada nos preços de petróleo e gás, à medida que operadores passam a precificar cenários mais pessimistas e buscam garantir suprimentos.
“Estamos passando de um problema de cadeia de suprimentos para potencialmente um problema de oferta. Há uma grande diferença. Problemas de cadeia de suprimentos podem ser resolvidos rapidamente”, afirmou Dan Pickering, fundador e CIO da Pickering Energy Partners.
“Se você começa a afetar a capacidade de produção, seja de GNL ou de petróleo, e de repente não consegue movimentar os mesmos volumes porque eles simplesmente não existem… Isso é uma escalada.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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