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Tóquio nega virada na política sobre Taiwan após alerta de inteligência americana
Publicado 19/03/2026 • 07:41 | Atualizado há 7 meses
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KEY POINTS
Daniel Torok/White House
Donald Trump e Sanae Takaichi
O governo japonês rejeitou, na quinta-feira (19), uma avaliação da comunidade de inteligência dos Estados Unidos que descreveu as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan como uma “mudança significativa” para um chefe de governo japonês em exercício.
A negativa veio no mesmo dia em que Takaichi desembarcou nos EUA para uma cúpula com o presidente Donald Trump.
O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou a jornalistas que a abordagem de Tóquio permanece “bastante consistente” e que “uma mudança significativa de política não é algo que esteja ocorrendo agora”.
A polêmica tem origem em novembro do ano passado, quando Takaichi disse ao parlamento japonês que uma tentativa chinesa de tomar Taiwan pela força poderia levar à intervenção das Forças de Autodefesa do Japão.
A declaração provocou reação de Pequim, que suspendeu importações de frutos do mar japoneses e emitiu alertas de viagem para seus cidadãos, derrubando o número de turistas chineses no país.
O relatório de inteligência americana, divulgado na quarta-feira (18), avaliou que a caracterização feita por Takaichi de uma possível invasão chinesa como uma “situação ameaçadora à sobrevivência” do Japão tem peso jurídico relevante.
O termo abre caminho para que o país intervenha com base na reinterpretação constitucional de 2015, que permite ao Japão exercer a “autodefesa coletiva” em determinados cenários envolvendo forças aliadas.
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Siga o Times | CNBC🔍 O pano de fundo é a chamada Constituição Pacifista do Japão, adotada após a Segunda Guerra Mundial. O artigo 9 do texto proíbe o país de manter forças de guerra e de recorrer à força como instrumento de resolução de conflitos internacionais. Na prática, o Japão nunca pode iniciar ou participar de um ataque militar. A reinterpretação aprovada em 2015 pelo então primeiro-ministro Shinzo Abe criou uma brecha restrita: as Forças de Autodefesa podem atuar fora do território japonês, mas apenas para proteger aliados sob ataque direto e desde que a sobrevivência do próprio Japão esteja em risco. É exatamente esse gatilho que a declaração de Takaichi acionou ao usar o termo “situação ameaçadora à sobrevivência” para descrever uma eventual invasão chinesa de Taiwan.
O mesmo documento americano avaliou que “a China está empregando pressão coercitiva em múltiplos domínios, que provavelmente se intensificará ao longo de 2026, com o objetivo de punir o Japão e dissuadir outros países de fazer declarações semelhantes sobre seu possível envolvimento em uma crise em Taiwan”.
Ainda assim, a comunidade de inteligência concluiu que os líderes chineses não planejam, no momento, executar uma invasão de Taiwan em 2027. Pequim considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força. Taiwan rejeita essa posição e afirma que somente seu povo pode decidir seu futuro.
No campo econômico, Pequim tentou usar a dependência energética de Taiwan como argumento político. O Escritório de Assuntos de Taiwan da China afirmou que a reunificação pacífica beneficiaria a ilha, incluindo a segurança de seu fornecimento de energia, “apoiada por uma mãe-pátria forte”.
O presidente taiwanês Lai Ching-te respondeu diretamente, afirmando que os suprimentos energéticos estão “100% garantidos” para os próximos dois meses e que Taiwan pretende ampliar as importações de gás dos EUA para atender à demanda interna.
Os números explicam a preocupação: segundo a Administração de Energia de Taiwan, 95,8% da energia do país foi importada em 2024. Arábia Saudita e Estados Unidos responderam, cada um, por cerca de 30% das importações de petróleo bruto. Austrália foi a principal fornecedora de gás natural liquefeito, com 38% do total, e de carvão, com quase metade das importações. A China não forneceu petróleo bruto nem gás à ilha naquele ano.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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