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Carlo Pereira: “Trem das energias renováveis já saiu da estação há muito tempo”
Publicado 18/02/2026 • 21:36 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/02/2026 • 21:36 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris foi oficializada no final de janeiro, e o comentarista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Carlo Pereira, discutiu os impactos. Segundo o comentarista, embora a política americana atual foque intensamente na energia fóssil, o mercado global já atingiu um ponto sem volta na transição energética devido aos custos reduzidos das novas tecnologias.
Ele ressaltou que “o trem das energias renováveis já saiu da estação há muito tempo, e isso não vai permitir um revés na geração porque elas já são mais baratas na maior parte do mundo, atingindo 90% dos países na geração de eletricidade“.
Sobre o interesse norte-americano no petróleo da Venezuela, o especialista definiu o movimento como uma estratégia geopolítica de médio prazo, mas repleta de obstáculos técnicos e riscos de mercado. Ele ponderou que a convivência entre as fontes fósseis e as limpas deve durar até meados de 2050, mas o retorno operacional venezuelano depende de vultosos investimentos internacionais.
Carlo alertou que “o parque industrial relacionado à produção de petróleo na Venezuela está bastante desgastado e requer muito tempo para recuperação, sendo mais uma questão de dominação regional por parte das grandes potências do que uma solução climática”.
Leia mais:
Carlo Pereira: A estratégia “Fortaleza América” e a corrida pelo novo petróleo
Carlo Pereira: O mundo não vive uma desglobalização, mas um rearranjo geopolítico
No cenário brasileiro, a contradição entre o aumento das contas de luz e a abundância de recursos como a energia eólica foi explicada através do fenômeno técnico do curtailment. A falta de uma infraestrutura de rede robusta para a transmissão de energia tem causado desperdícios significativos de recursos naturais que simplesmente não conseguem ser injetados no sistema nacional.
O especialista pontuou que “estamos desperdiçando energia porque não temos estrutura suficiente, o que em 2025 afetou quase 25% da energia solar produzida, elevando os custos operacionais que acabam sendo repassados de forma pesada ao consumidor”.
Outro fator determinante para a alta de preços, que pode chegar a 13% em algumas distribuidoras de energia, é o chamado efeito Robin Hood invertido na geração distribuída. Pereira explicou que os benefícios fiscais concedidos para quem instala um painel solar em residências acabam sobrecarregando os consumidores mais vulneráveis com os custos de manutenção da rede elétrica comum.
Ele concluiu que “quem tem condições de botar o painel solar no teto reduz ou zera seu custo individual, mas acaba deixando o peso da operação de todo o setor elétrico para as pessoas que não têm essa mesma condição financeira”.
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