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Energia

Energia solar no Brasil tem R$ 134 bilhões em investimentos ameaçados

Publicado 18/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • O Brasil registrou a devolução de 923 projetos solares em 2026, com R$ 134 bilhões em investimentos previstos e 40,6 GW de capacidade planejada.
  • Os cortes de geração fotovoltaica chegaram a 25,3% do potencial no período analisado, aumentando as incertezas sobre as receitas das usinas.
  • A Aneel aprovou novas regras para distribuir os cortes, mas a retomada dos investimentos depende também de armazenamento e melhorias na transmissão.
Energia solar no Brasil tem R$ 134 bilhões em investimentos ameaçados

Foto: unsplash

Energia solar no Brasil tem R$ 134 bilhões em investimentos ameaçados

O setor de energia solar no Brasil enfrenta dificuldades para ampliar sua capacidade diante dos cortes de geração e das incertezas sobre compensações financeiras. Em 2026, empreendedores devolveram 923 projetos de usinas fotovoltaicas, que somavam 40,6 gigawatts (GW) de capacidade planejada e aproximadamente R$ 134 bilhões em investimentos previstos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Os valores representam recursos que poderiam financiar a construção das usinas, mas que deixaram de integrar os planos dos empreendedores. Portanto, não correspondem a dinheiro já investido e perdido.

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O cenário preocupa porque os cortes de geração também limitam o aproveitamento da energia disponível. Em 2026, as restrições à produção fotovoltaica chegaram a cerca de 1,4 GW médio, equivalente a 25,3% da geração solar potencial no período analisado pela publicação pv magazine Brasil.

Energia solar perde projetos e investimentos

Em janeiro de 2026, o Brasil tinha 2.492 usinas solares autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com capacidade potencial de aproximadamente 110 GW. Em outubro, o volume de projetos autorizados para expansão havia recuado para cerca de 60 GW.

A redução se refere à carteira de empreendimentos planejados, e não ao fechamento de usinas em funcionamento. Ainda assim, a saída de projetos pode afetar fabricantes de equipamentos, empresas de engenharia e prestadores de serviços ligados à construção dos parques solares.

Cortes de geração de energia aumentam os riscos financeiros

O chamado curtailment ocorre quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina a redução da geração, mesmo que uma usina tenha condições de produzir energia. Isso pode acontecer quando a oferta supera a demanda ou quando a rede de transmissão não consegue transportar toda a eletricidade disponível.

A geração solar enfrenta esse desafio porque concentra sua produção durante o dia. Quando o consumo não acompanha a oferta, parte da energia precisa ser cortada.

Para os investidores, o problema compromete as projeções de receita. Como a construção de usinas exige investimentos elevados e retorno de longo prazo, a possibilidade de produzir menos eletricidade do que o previsto aumenta os riscos dos projetos. As dúvidas sobre o ressarcimento pelas perdas também dificultam a obtenção de financiamentos.

Governo prevê compensação para cortes anteriores

O Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu, por meio da Portaria Normativa nº 140/2026, procedimentos para compensar cortes elegíveis registrados entre 1º de setembro de 2023 e 25 de novembro de 2025.

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Segundo a reportagem setorial, 682 usinas fotovoltaicas, com aproximadamente 25,5 GW de capacidade instalada, são elegíveis ao mecanismo. Em 5 de outubro, o MME informou que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) havia divulgado a lista de elegibilidade.

A inclusão, porém, não garante pagamento imediato. Os agentes precisam cumprir os requisitos e assinar o Termo de Compromisso. Além disso, cortes associados exclusivamente à sobreoferta de eletricidade não entram na compensação prevista.

Aneel aprova novas regras para os cortes

Em 6 de outubro, a Aneel aprovou regras para organizar a distribuição das restrições entre diferentes fontes de energia, considerando a segurança operacional e os impactos econômicos.

O modelo prevê a participação gradual de parte da geração hidráulica. A implementação definitiva está prevista para 18 meses após a publicação da resolução, incluindo uma fase de simulação. Por isso, a mudança não elimina imediatamente as restrições enfrentadas pelos geradores solares.

Eduardo Tobias, sócio-fundador da Watt Capital, explicou à pv magazine Brasil que definir como os cortes serão distribuídos não permite prever quanto cada usina deixará de produzir. A estimativa depende da expansão da geração, do crescimento do consumo, da instalação de baterias e das oscilações do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Baterias podem ajudar a recuperar investimentos

Entre as alternativas para reduzir as restrições estão os sistemas de armazenamento. As baterias permitem guardar parte da energia produzida durante o dia e utilizá-la quando a demanda aumenta.

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A aproximação entre usinas e grandes consumidores industriais também pode ajudar a aproveitar a eletricidade. Além disso, melhorias na transmissão e na coordenação das redes são importantes para escoar a produção. O ONS estuda procedimentos para administrar a expansão da geração distribuída, enquanto a Absolar prepara propostas para melhorar a coordenação dos sistemas de distribuição.

A recuperação dos investimentos em energia solar, portanto, dependerá de mais do que novas regras. Os empreendedores precisam de condições para gerar, transportar e comercializar energia com maior previsibilidade. Sem avanços no consumo, na infraestrutura e no armazenamento, a incerteza sobre as receitas poderá continuar afastando projetos solares antes mesmo do início das obras.

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