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Ex-funcionário da Meta diz que ferramentas de segurança do Instagram eram “projetadas para falhar”
Publicado 19/08/2026 • 19:45 | Atualizado há 55 minutos
Publicado 19/08/2026 • 19:45 | Atualizado há 55 minutos
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Foto: AFP
O julgamento que acusa a Meta de ter projetado Facebook e Instagram de forma a favorecer a dependência de crianças e adolescentes e a coleta de dados avançou nesta quarta-feira (19) nos Estados Unidos. A primeira testemunha do processo, Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia da empresa, afirmou que algumas ferramentas de segurança das plataformas foram “projetadas para falhar”.
O processo, apresentado por uma coalizão de estados americanos, deve durar cerca de seis semanas. Uma eventual derrota da Meta poderia resultar em uma multa de até US$ 200 bilhões, equivalente a cerca de R$ 1,04 trilhão, além de exigir mudanças profundas no modelo de negócios da empresa e produzir impactos em todo o setor de redes sociais.
Antes do julgamento, a Meta tentou impedir o depoimento de Bejar, mas o juiz rejeitou o pedido.
Nas alegações iniciais, os estados acusaram a Meta de ter deliberadamente desenvolvido seus produtos para manter crianças e adolescentes nas plataformas pelo maior tempo possível, além de coletar dados desses usuários.
Outra acusação é de que a empresa teria escondido do público os riscos relacionados ao uso de Facebook e Instagram.
Megan O’Neill, procuradora-geral adjunta da Califórnia, descreveu o modelo de negócios apresentado pela acusação como baseado em atrair usuários, mantê-los nas plataformas pelo maior tempo possível, coletar seus dados e esconder do público a realidade sobre esse funcionamento.
Em seu depoimento, Bejar citou o recurso “Faça uma pausa”, lançado no Instagram em 2021. A ferramenta permite configurar lembretes para interromper periodicamente o uso do aplicativo.
Segundo o ex-diretor de engenharia, sua experiência com o recurso o levou a considerá-lo ineficaz e “projetado para falhar”.
Bejar também afirmou que a Meta colocou os lucros acima da segurança dos usuários. Na avaliação do ex-executivo, a empresa incentivava as pessoas a passar cada vez mais tempo no Facebook e no Instagram.
Entre os mecanismos mencionados por ele estão ferramentas voltadas ao combate da rolagem infinita e à limitação de notificações que estimulam o engajamento. Bejar afirmou que as notificações são desenvolvidas para fazer os usuários retornarem às plataformas, ampliando o tempo de uso e, consequentemente, a receita.
Segundo o ex-diretor, essas notificações não são projetadas tendo como prioridade a saúde mental ou a segurança dos usuários.
A Meta não nega que alguns usuários, incluindo adolescentes, tenham experiências negativas nas plataformas. A empresa, porém, afirma ter desenvolvido recursos para reduzir esses riscos.
Leia mais: Meta é acusada de esconder pesquisa sobre vício de adolescentes
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Siga o Times | CNBCNas alegações iniciais de terça-feira, o advogado da Meta, Paul Schmidt, afirmou que a empresa reconhece que algumas pessoas podem enfrentar dificuldades com o uso das redes sociais e que tentou criar ferramentas para ajudá-las.
Um dos pontos levantados contra a companhia é que algumas dessas ferramentas são opcionais e dependem de uma iniciativa do próprio usuário para serem ativadas.
Antes do julgamento, a Meta rejeitou as acusações e afirmou ter trabalhado com pais, especialistas e autoridades para incorporar mecanismos de proteção voltados a menores de idade.
Especialistas identificam paralelos entre o processo contra a Meta e as ações movidas contra empresas de cigarros nos Estados Unidos.
Em 1998, quatro grandes empresas do setor tabagista chegaram a um acordo com dezenas de estados americanos depois de serem acusadas de minimizar os efeitos prejudiciais do cigarro para a saúde. O acordo incluiu sanções financeiras e mudanças na forma de comercialização dos produtos.
O procurador-geral do Colorado, Phil Weiser, afirmou que, assim como no caso do tabaco, dezenas de estados estão atuando em uma área na qual “o Congresso não atuou”.
Weiser apontou que os dois casos envolvem questões de saúde pública e, em determinados casos, marketing direcionado a menores que prejudica crianças e adolescentes.
Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, está entre as principais testemunhas que podem depor no processo. Adam Mosseri, diretor do Instagram, também aparece entre os nomes que poderão ser chamados.
Documentos judiciais indicam que os dois estão entre as possíveis testemunhas. Apesar disso, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, não confirmou em coletiva de imprensa na terça-feira se Zuckerberg efetivamente será chamado para depor.
O processo coloca em lados opostos duas interpretações sobre a atuação da Meta. Os estados sustentam que a empresa priorizou engajamento, retenção de usuários e coleta de dados, inclusive entre menores, em detrimento da segurança.
A Meta reconhece a existência de experiências negativas, mas afirma ter criado mecanismos para reduzir os riscos e diz ter trabalhado com pais, especialistas e autoridades para proteger menores.
O depoimento de Bejar acrescentou uma contestação interna à posição da empresa. Ex-executivo da Meta, ele afirmou que algumas ferramentas de segurança eram estruturalmente inadequadas e que decisões empresariais priorizavam receita e tempo de permanência nas plataformas.
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