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O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à esquerda), tira uma foto em grupo com líderes de empresas de IA, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman (ao centro), e o CEO da Anthropic, Dario Amodei (à direita), na Cúpula de Impacto da IA, em Nova Délhi, em 19 de fevereiro de 2026.

CNBCClima tenso: CEOs de OpenAI e Anthropic evitam dar as mãos em cúpula de IA na Índia

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EXCLUSIVO: Amazon supera Walmart em receita anual pela primeira vez enquanto ambas buscam crescimento impulsionado por IA

Publicado 19/02/2026 • 21:38 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Pela primeira vez na história, a Amazon ultrapassou o Walmart em receita anual, atingindo US$ 716,9 bilhões contra US$ 713,2 bilhões da concorrente.
  • O Walmart aposta em parcerias com OpenAI e Google, enquanto a Amazon investe USS 200 bilhões em infraestrutura própria e no chatbot Rufus.
  • O uso de assistentes de IA como o Sparky elevou o valor médio dos pedidos no Walmart em 35%, sinalizando a eficácia da tecnologia no varejo contemporâneo.

Pela primeira vez, a Amazon destronou o Walmart como a empresa com a maior receita anual do mundo.

O Walmart relatou nesta quinta-feira (19) uma receita anual de US$ 713,2 bilhões (R$ 3,722 trilhões) em seu ano fiscal mais recente, ficando ligeiramente abaixo dos US$ 716,9 bilhões (R$ 3,742) registrados pela Amazon. O marco vinha sendo gestado há meses, já que a Amazon já havia superado o Walmart em vendas trimestrais pela primeira vez há cerca de um ano.

A mudança, embora amplamente simbólica, ressalta a batalha que as duas gigantes do varejo travam para definir e acompanhar as preferências dos consumidores. Elas iniciam agora um novo capítulo dessa rivalidade à medida que a inteligência artificial remodela a forma como as empresas operam, geram lucro e impulsionam as vendas.

Diversificação e serviços de terceiros impulsionam a Amazon

A Amazon chegou ao topo fazendo muito mais do que gerenciar uma loja online. Embora sua unidade de varejo principal seja sua maior geradora de receita, os negócios de computação em nuvem, publicidade e serviços para vendedores também impulsionam as vendas. Serviços de terceiros representaram cerca de 24% das vendas totais da empresa em 2025, enquanto a Amazon Web Services (AWS) foi responsável por cerca de 18%.

Não foi exatamente uma fraqueza do Walmart que o levou a perder o posto, já que sua receita mais que dobrou em 20 anos. A varejista usou suas mais de 4.600 lojas Walmart e cerca de 600 unidades Sam’s Club nos EUA para impulsionar seu negócio digital, que cresceu 27% no quarto trimestre fiscal e registrou ganhos de dois dígitos por 15 trimestres consecutivos.

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Essa expansão ocorreu enquanto o Walmart seguia o roteiro da Amazon e tentava se posicionar como uma empresa de tecnologia, além de uma varejista tradicional.

A transformação do Walmart em uma empresa de tecnologia

Houve múltiplos sinais de suas ambições: o Walmart mudou a listagem de suas ações da Bolsa de Valores de Nova York para a Nasdaq, focada em tecnologia, no início de dezembro. Seu valor de mercado ultrapassou a marca de USS 1 trilhão este mês, uma avaliação alcançada quase exclusivamente por gigantes de tecnologia, após uma alta de mais de 21% no último ano.

Além disso, os ganhos do quarto trimestre da varejista, impulsionados pela publicidade digital e pelo seu marketplace, ilustraram a ênfase do Walmart em buscar negócios de margens mais altas, indo além do varejo físico tradicional.

Ambições de IA da Amazon e do Walmart

Em muitos aspectos, o recente esforço do Walmart para expandir seu marketplace foi uma resposta ao domínio da plataforma da Amazon. Mesmo tentando alcançar a rival em algumas áreas, o Walmart busca ganhar vantagem em uma nova fronteira tecnológica.

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Nos últimos anos, a Amazon e o Walmart utilizaram diferentes estratégias de IA para tornar seus negócios mais eficientes e seus produtos mais atraentes para os compradores.

O Walmart fechou um acordo com o ChatGPT da OpenAI em outubro e com o Gemini do Google em janeiro para facilitar a descoberta e compra de produtos. A empresa também possui seu próprio assistente de compras, o Sparky, um assistente virtual que ajuda os clientes a encontrarem itens no aplicativo do Walmart.

O Walmart, como muitas outras empresas, está nos estágios iniciais de adoção da IA, e ainda não está claro como a tecnologia afetará seus negócios a longo prazo.

Na teleconferência de resultados na quinta-feira, o CEO do Walmart, John Furner, afirmou que os clientes estão gastando mais quando usam o Sparky. Segundo ele, esses consumidores têm um valor médio de pedido cerca de 35% maior do que aqueles que não utilizam a ferramenta.

Cerca de metade dos usuários do aplicativo do Walmart já utilizou o Sparky, afirmou o CEO do Walmart EUA, David Guggina. Para ele, a “IA agêntica está cada vez mais incorporada no Walmart“, melhorando a produtividade e a experiência do cliente.

O CFO do Walmart, John David Rainey, disse que os investimentos em IA estão incluídos nos planos de despesas de capital, previstos em cerca de 3,5% das vendas. Essas despesas também abrangem automação e reformas de lojas.

Existem limites para as ambições técnicas do Walmart. Rainey afirmou que a empresa contará com a especialização de empresas de tecnologia em vez de tentar criar seus próprios modelos de linguagem do zero.

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Estamos abordando o desenvolvimento de IA por meio de parcerias“, disse ele, permitindo que empresas de tecnologia inovem enquanto o Walmart traduz o melhor da tecnologia em experiências de varejo que criam valor para clientes e membros.

Assim como o Walmart, a Amazon também enfrenta pressão para responder ao crescimento do comércio agêntico. Criadores de chatbots como OpenAI, Google e Perplexity introduziram recursos de automação que visam mudar a forma como as pessoas compram online.

Enquanto empresas como Etsy e Shopify anunciaram parcerias com plataformas de IA, a Amazon permaneceu à margem, bloqueando o acesso de agentes externos ao seu site e focando em seu próprio chatbot, o Rufus, alimentado por modelos próprios e pelo Claude da Anthropic.

A empresa informou que o Rufus foi usado por mais de 300 milhões de clientes e gerou quase USS 12 bilhões (R$ 62,6 bilhões) em vendas incrementais anualizadas no ano passado. A Amazon tem injetado o Rufus em diversas áreas de seu aplicativo e site para incentivar o uso.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou no mês passado que o Rufus e outras ferramentas de IA podem ajudar os clientes na descoberta de produtos de forma muito semelhante a um funcionário em uma loja física.

Enquanto isso, a Amazon está investindo pesadamente em infraestrutura de IA. Recentemente, anunciou que gastará até USS 200 bilhões (R$ 1 bilhão) este ano em iniciativas do setor, superando outros grandes provedores de nuvem. A maior parte desse valor será destinada a data centers, chips e equipamentos de rede.

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Wall Street viu os planos de investimento da Amazon com ceticismo, o que fez as ações da empresa caírem por nove dias seguidos após o relatório de 5 de fevereiro, eliminando mais de USS 450 bilhões (R$ 2,3 trilhões) de seu valor de mercado.

Os investimentos da Amazon não se limitam ao poder computacional. A empresa colocou recursos significativos no desenvolvimento de ferramentas em todos os seus negócios, reformulou a assistente Alexa e investiu USS 8 bilhões na Anthropic desde 2023.

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