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EXCLUSIVO CNBC: CEO do Airbnb afirma que oposição à IA está se tornando questão bipartidária

Publicado 01/10/2026 • 20:41 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • Brian Chesky, CEO do Airbnb, afirma que a oposição à inteligência artificial está se tornando uma questão bipartidária nos Estados Unidos.
  • Chesky diz que a retórica sobre superinteligência e cenários apocalípticos amplia a distância entre o Vale do Silício e a sociedade.
  • O executivo defende maior diálogo entre pesquisadores e CEOs para discutir riscos da IA, incluindo ataques cibernéticos.

A oposição à inteligência artificial está se tornando uma questão bipartidária nos Estados Unidos, segundo Brian Chesky, CEO do Airbnb. Em entrevista exclusiva à CNBC, o executivo afirmou que o setor de tecnologia precisa mudar a forma como comunica os avanços e os riscos associados à IA.

Para Chesky, a tecnologia ainda está em estágio inicial e os prazos projetados para alguns cenários extremos são exagerados. Ao mesmo tempo, ele afirmou que os riscos relacionados a ataques cibernéticos exigem atenção.

“Eu acho que a tecnologia ainda é muito inicial. Acho que os prazos para cenários apocalípticos são exagerados, mas ataques cibernéticos provavelmente não são. Precisamos levar isso muito, muito a sério”.

O CEO também defendeu maior coordenação entre as empresas de tecnologia. Enquanto executivos de outros setores costumam se reunir para discutir estratégias comuns, isso ocorre com menor frequência entre empresas do Vale do Silício.

“A coisa mais importante é que nós, como Vale, precisamos estar na mesma página. Quase toda outra indústria, os CEOs estão dispostos a se reunir. E no nosso setor, a menos que estejam se encontrando com Trump na Casa Branca, eles raramente estão dispostos a se reunir e conversar”.

Para Chesky, a falta de diálogo entre as empresas é um dos obstáculos para uma discussão mais estruturada sobre os impactos da IA.

“Acho que esse é o primeiro problema, que precisamos de certa forma estar todos na mesma página e compartilhar informações sobre nossa estratégia”.

Chesky afirmou que a maneira como a inteligência artificial é apresentada pelo setor de tecnologia pode contribuir para o receio da população. Ele defendeu uma comunicação que reduza o tom apocalíptico associado ao desenvolvimento da tecnologia.

“Eu acho que com grande poder vem grande responsabilidade. Esta é uma revolução cognitiva e precisamos basicamente diminuir o tom apocalíptico”.

Na avaliação do executivo, termos utilizados pelo setor podem dificultar a compreensão pública sobre a tecnologia. Ele citou especificamente a expressão “superinteligência”.

“Eu acho que a forma como falamos de IA no Vale do Silício é muito ruim. Usamos palavras como super inteligência. Super inteligência soa como uma espécie alienígena. A pessoa comum não quer uma espécie alienígena mais inteligente que ela”.

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Chesky também apontou uma diferença entre a percepção da indústria e a experiência cotidiana dos consumidores. Segundo ele, ainda existem poucas aplicações de IA voltadas ao consumidor que tenham impacto perceptível na vida das pessoas.

“Acho que a pessoa comum sente que a IA acontece com ela, não para ela. Existem pouquíssimas aplicações de consumo em IA que realmente melhoram a vida das pessoas”, disse.

Para o CEO do Airbnb, a predominância de aplicações empresariais também influencia a percepção pública sobre a tecnologia.

“A maioria da IA é empresarial. As pessoas ouvem isso como automação de empregos”.

Chesky afirmou que a resistência à inteligência artificial deixou de ser uma questão restrita a um único campo político.

O executivo citou os centros de dados como exemplo dessa mudança de percepção. Segundo ele, a construção dessas estruturas pode gerar empregos, inclusive para profissionais como eletricistas, mas o receio da população continua sendo um obstáculo.

“Estados republicanos deveriam querer centros de dados. Criaria muitos empregos como eletricistas. Mas o público está com medo”, afirmou.

Para Chesky, parte desse distanciamento está relacionada à diferença entre o Vale do Silício e a sociedade em geral.

“Existe uma divisão massiva entre o Vale do Silício, que é uma bolha gigante, e estamos em uma bolha tão grande que nem percebemos, e toda a sociedade”, disse.

O executivo afirmou ainda que as empresas de tecnologia precisam tratar o impacto da IA de maneira mais concreta, especialmente ao discutir seus efeitos sobre as pessoas.

“E acho que nós, no Vale do Silício, falamos muito sobre humanidade de forma abstrata, mas não falamos sobre pessoas”, afirmou.

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