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EXCLUSIVO CNBC: Maersk vê custo extra de US$ 500 milhões por mês com guerra no Irã

Publicado 07/05/2026 • 22:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • CEO Vincent Clerc disse que choque de energia pode elevar custos da Maersk enquanto o petróleo estiver perto de US$ 100.
  • Companhia tem oito navios presos no Golfo e afirma que ainda não tentou cruzar o estreito de Ormuz por conta própria desde o início do conflito.
  • Executivo disse que a resiliência do comércio global ainda não mostra sinais de perda, mas vê risco de destruição de demanda se custos chegarem ao consumidor.

A guerra no Irã pode gerar cerca de US$ 500 milhões em custos extras por mês para a Maersk enquanto o petróleo permanecer próximo de US$ 100 por barril, afirmou Vincent Clerc, CEO da gigante de transporte marítimo, em entrevista exclusiva à CNBC.

Segundo o executivo, o choque de energia aumenta de forma significativa a pressão sobre uma indústria altamente dependente de combustíveis. Clerc disse que a companhia tem buscado reduzir custos, mas afirmou que parte relevante desse aumento precisará ser repassada aos clientes.

“O que esse choque de energia vai significar é cerca de US$ 500 milhões de custo extra por mês enquanto o petróleo permanecer na casa dos US$ 100 por barril”, disse.

Clerc afirmou que o primeiro trimestre mostrou resiliência do comércio global, com crescimento de volumes após dois anos de expansão forte. Segundo ele, a Maersk projetou alta de 2% a 4% nos volumes para o ano, e o desempenho do primeiro trimestre ficou na parte superior desse intervalo.

Leia também: Maersk diz que navio atravessou o Estreito de Ormuz sob proteção militar dos EUA

A companhia também registrou crescimento nas principais divisões. De acordo com o CEO, os volumes de contêineres subiram 9%, os volumes em terminais avançaram 4% e a receita da área de logística cresceu entre 8% e 9%.

Apesar do desempenho operacional, Clerc disse que a divisão de transporte marítimo ainda enfrenta pressão de excesso de capacidade, após a entrada de novos navios nos últimos 18 meses em ritmo superior ao crescimento da demanda.

O conflito no Oriente Médio adicionou uma nova camada de incerteza, segundo o executivo, ao afetar fluxos de carga na região e o fornecimento de energia. Ele afirmou que ainda não está claro quando o estreito de Ormuz será reaberto nem como os preços de energia vão reagir quando isso ocorrer.
“Há muitas coisas ainda para acompanhar”, afirmou.

A Maersk mantém oito navios presos no Golfo. Clerc disse que a empresa adotou postura cautelosa desde o início da guerra e não tentou cruzar o estreito de Ormuz por conta própria, por causa dos riscos às tripulações, aos funcionários e aos ativos da companhia.

Em um caso específico, segundo o executivo, a empresa aceitou participar de uma operação conduzida pelo governo e pela Marinha dos Estados Unidos para retirar um navio operado pela Maersk da região. Clerc afirmou que a missão foi precedida de preparação intensa e avaliação de segurança.

“A Marinha dos Estados Unidos fez um plano extremamente minucioso, e nos sentimos confortáveis de que poderíamos atravessar o navio sem risco”, disse.

O executivo afirmou que a operação foi concluída sem incidentes e permitiu que a embarcação e a tripulação deixassem a área. “Ficamos muito satisfeitos em ver todos chegarem com segurança ao outro lado”, afirmou.

Clerc disse que a Maersk ainda acompanha de perto a possibilidade de uma solução política para a reabertura do estreito. Segundo ele, a companhia continua com cargas que precisam chegar a países como Kuwait, Catar e Bahrein, em um cenário de maior dificuldade logística.

O CEO afirmou que a empresa tem papel relevante no abastecimento de alimentos e produtos médicos na região. Ainda assim, disse que qualquer retomada depende de avaliação de segurança e de uma solução política entre Estados Unidos e Irã.

Questionado sobre o risco humanitário para tripulações presas em navios na região, Clerc afirmou que a Maersk não enfrenta atrasos em pagamentos nem problemas de abastecimento de alimentos e suprimentos. Segundo ele, a empresa recebeu apoio das autoridades sauditas para movimentação de tripulantes.

Leia também: Ações da Maersk caem após CEO alertar que guerra com Irã terá impacto maior nos próximos meses

“Para nós, a principal preocupação é realmente a segurança e o bem-estar da nossa tripulação”, disse.

Clerc também afirmou que o comércio global tem mostrado resiliência elevada nos últimos dois anos e meio, mas disse que a continuidade desse comportamento ainda é uma incógnita. Para ele, se os custos adicionais chegarem ao consumidor final, pode haver destruição de demanda e enfraquecimento da cadeia de suprimentos na segunda metade do ano.

“Até agora, não há sinal de perda de força”, afirmou. “Mas, à medida que esses custos chegarem ao consumidor final, veremos destruição de demanda no nível do consumidor?”

Segundo o CEO, a Maersk tem enfrentado choques sucessivos nos últimos anos, incluindo a interrupção de rotas pelo estreito de Bab el-Mandeb, tensões comerciais e agora a guerra no Irã. Ele disse que a companhia não controla esses eventos, mas busca responder com agilidade para preservar a execução da estratégia e o atendimento aos clientes.

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