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Bill Gates cobra regulação e alerta para potencial da IA causar até ‘1 bilhão de mortes’
Publicado 26/09/2026 • 11:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 26/09/2026 • 11:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: AFP
Bill Gates afirmou que o avanço da inteligência artificial exige maior atenção dos governos diante da possibilidade de a tecnologia ser empregada em ataques em larga escala. O cofundador da Microsoft considera que sistemas cada vez mais poderosos podem ampliar a capacidade de grupos ou indivíduos mal-intencionados de provocar danos.
Ao tratar dos cenários mais extremos, Gates foi direto sobre a dimensão que esse risco poderia alcançar. “A IA é certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes”, afirmou em entrevista concedida à uma rede de TV americana. Ele acrescentou que nunca houve uma ferramenta com potencial comparável quando combinada à atuação de pessoas dispostas a utilizá-la para fins destrutivos.
A preocupação não está restrita a hipóteses futuras, uma vez que casos recentes mostraram tentativas de uso de modelos de inteligência artificial em ataques digitais e aplicações militares. Um sistema da OpenAI teria sido empregado em uma invasão ao site de um serviço público de saúde da Austrália.
A Anthropic, por sua vez, informou que militantes iemenitas suspeitos de ligação com os Houthis tentaram recorrer ao Claude para desenvolver software relacionado à orientação e à navegação de mísseis balísticos.
Segundo o Financial Times, Gates defende que o governo dos Estados Unidos estabeleça regras federais para acompanhar o desenvolvimento da inteligência artificial e reduzir os riscos associados ao uso da tecnologia. Na entrevista, ele afirmou que Washington precisa “absolutamente” aprovar uma legislação com salvaguardas e mecanismos de monitoramento.
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Para o empresário, não é suficiente deixar a definição dos limites exclusivamente nas mãos das companhias responsáveis pelo desenvolvimento dos modelos. “Ninguém acha que a autorregulação é suficiente”, declarou Gates ao defender a participação do poder público nesse processo.
Ele reconhece que novas exigências podem aumentar os custos das empresas, mas argumenta que isso não precisaria interromper o avanço da tecnologia. Segundo Gates, as regras poderiam gerar “um certo custo operacional para o setor”, sem provocar uma desaceleração acentuada no desenvolvimento dos sistemas.
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Siga o Times | CNBCGates distingue os perigos mais imediatos de outro cenário discutido por pesquisadores do setor: o chamado risco existencial. No curto prazo, a preocupação envolve o uso de ferramentas disponíveis por organizações terroristas, governos adversários ou outros agentes capazes de empregá-las em ataques cibernéticos, ações militares ou outras operações potencialmente letais.
Já o risco existencial está relacionado à possibilidade de sistemas muito mais avançados escaparem ao controle humano ou provocarem consequências globais difíceis de conter. Gates não descarta essa hipótese, mas sustenta que os usos maliciosos já possíveis atualmente justificam medidas de prevenção.
A defesa de regras mais rígidas ocorre em um momento de resistência do governo de Donald Trump à ampliação da regulação sobre inteligência artificial. A administração norte-americana tem argumentado que restrições excessivas poderiam prejudicar a capacidade das empresas dos Estados Unidos de competir internacionalmente, principalmente com companhias chinesas.
No entanto, uma reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, realizada nesta semana em Nova York, não resultou em compromissos significativos para conter a tecnologia.
Para Gates, a busca por competitividade não elimina a necessidade de mecanismos de segurança. Sua proposta é que a legislação estabeleça limites para aplicações consideradas perigosas sem impor uma interrupção generalizada das pesquisas e do desenvolvimento comercial da inteligência artificial.
Leia também: Anthropic alerta para sistemas de inteligência artificial capazes de desenvolver novos modelos IA
O avanço dos modelos de inteligência artificial ampliou a discussão sobre quem deve definir as regras para sua utilização. Episódios envolvendo ataques digitais e tentativas de aplicação militar reforçaram preocupações sobre a capacidade de sistemas desenvolvidos para usos gerais serem adaptados a atividades de maior risco.
Nesse contexto, a posição de Gates é de que governos precisam atuar antes que ferramentas mais avançadas ampliem essas possibilidades. O debate nos Estados Unidos passa, assim, por três questões simultâneas: o ritmo da inovação, a disputa tecnológica internacional e os possíveis impactos da inteligência artificial sobre a segurança pública e nacional.
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