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IPO à vista: após 4 anos de “seca”, queda dos juros sinaliza a retomada das aberturas de capital

Publicado 09/02/2026 • 18:59 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A perspectiva de queda gradual da taxa Selic, que atingiu o pico de 15% nos últimos ciclos, é vista como o principal motor para o fim do jejum de listagens.
  • Dezenas de companhias já possuem documentação e estrutura organizacional prontas, aguardando apenas o "sinal verde" das condições de mercado para estrear.
  • Analistas preveem que 2026 marcará um novo ciclo de IPOs, embora a retomada deva ser gradual devido à volatilidade comum em anos eleitorais.

Após mais de quatro anos sem novas estreias de ações na bolsa brasileira, analistas e executivos do setor financeiro indicam que a “seca” de ofertas públicas iniciais (IPOs) pode estar perto do fim. A taxa básica de juros, que chegou a 15% nos últimos ciclos, foi a principal responsável pela paralisação desde 2021 — dinâmica que deve se inverter com a queda gradual da Selic ao longo do ano.

O CFO do BTG (BPAC11),  Renato Cohn, apontou que a mudança macroeconômica vai reanimar o mercado de capitais. A combinação de juros mais baixos, avaliações de mercado atrativas e o interesse de investidores estrangeiros deve criar o ambiente propício para que companhias privadas finalmente decidam se listar na B3, a bolsa de valores brasileira. A afirmação foi dada em teleconferência com jornalistas.

Dados recentes da própria B3 revelam que dezenas de empresas já estão com a documentação preparada e estrutura organizacional pronta para abrir capital. Estimativas do mercado indicam que essas organizações aguardam apenas o “sinal verde” para iniciar os processos de lançamento de ações.

Leia também: Tesouro Reserva: o que é e como funciona o novo título da B3?

No entanto, especialistas alertam que a retomada deverá ser gradual. O mercado pode enfrentar desafios extras, como a proximidade de um ano eleitoral, fator que historicamente aumenta a volatilidade e dificulta decisões de longo prazo por parte de grandes investidores.

O movimento já apresenta sinais práticos: algumas companhias têm avançado em preparativos ou estudado lançamentos de ações em mercados internacionais. Isso reforça a tese de que o interesse por captação via bolsa ficou apenas represado durante os períodos de juros altos.

Com este cenário, a esperança do setor é que 2026 marque o início de um novo ciclo de IPOs no Brasil. Empresas de diferentes setores devem aproveitar condições mais estáveis para buscar capital e diversificar suas fontes de financiamento através do mercado de ações.

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