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CFO da JBS: uso de Ozempic e Mounjaro está alterando a dieta global em favor das proteínas
Publicado 02/04/2026 • 23:15 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 02/04/2026 • 23:15 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A JBS consolidou sua posição de liderança global ao encerrar o ano de 2025 com uma receita líquida recorde de US$ 86 bilhões (R$ 444,62 bilhões), impulsionada por mudanças estruturais no consumo, disse Guilherme Cavalcanti, CFO da companhia, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O executivo explicou que o envelhecimento populacional e o uso de medicamentos para emagrecimento, como o Ozempic e o Mounjaro, estão alterando a dieta global em favor das proteínas: “Os protocolos médicos para quem usa essas drogas recomendam o aumento do consumo de proteína para evitar a perda de massa muscular. Nos Estados Unidos, já temos 15 milhões de pessoas usando essas medicações, com expectativa de chegar a 30 milhões, o que direciona o consumo para uma alimentação mais cuidadosa, reduzindo carboidratos e focando na proteína”.
Mesmo com a inflação de custos, a demanda pelos produtos da companhia permaneceu resiliente no mercado internacional, conforme apontou o CFO da JBS. “Uma evidência desse fenômeno é o preço da carne moída nos EUA, que subiu de US$ 4 (R$ 20,68) a libra antes da pandemia para quase US$ 7 (R$ 36,19) hoje. Apesar desse aumento expressivo, a nossa receita foi recorde, o que mostra que houve um deslocamento de gastos de outros produtos para a proteína”, analisou.
Além do core business, a empresa registrou performance positiva em frentes diversificadas de atuação e novos mercados. “Temos uma plataforma multigeográfica que apresentou ganho de receita em volume e preço, mas os novos negócios, como economia circular, biodiesel e colágenos, também tiveram desempenho muito bom. O investimento constante em diversificação é o que sustenta essa robustez operacional”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCSobre as tensões comerciais e tarifas impostas pelos EUA no último ano, Guilherme Cavalcanti destacou que a competitividade do produto brasileiro garantiu a continuidade das operações. “Mesmo com tarifas, nunca paramos de exportar para os Estados Unidos, pois o preço do boi no Brasil custa praticamente metade do valor americano. Agora que as tarifas voltaram aos níveis anteriores, nossas exportações continuam em patamares muito favoráveis para o balanço da JBS”, detalhou.
O crescimento da receita é fruto de uma estratégia agressiva de expansão física, com aportes bilionários em novas unidades produtivas pelo mundo. “Nos últimos seis anos, investimos em média US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) por ano em crescimento e, para este ano, orçamos US$ 1,3 bilhão (R$ 6,72 bilhões). Estamos anunciando novas plantas de frango e bacon nos EUA, além de unidades no Paraguai, Omã e Arábia Saudita, garantindo um vetor claro de expansão para a JBS”, explicou.
O CFO ressaltou ainda que a saúde financeira da companhia permite equilibrar a expansão com a remuneração aos acionistas. “Conseguimos fazer as duas coisas: anunciamos um dividendo de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) ao mesmo tempo em que investimos US$ 1,3 bilhão (R$ 6,72 bilhões) em novas plantas. Isso só é possível porque nossos resultados são sólidos e temos um balanço muito robusto para suportar essa estratégia de longo prazo”.
Por fim, ele mencionou o papel da tecnologia na otimização da rentabilidade e na eficiência logística da gigante de alimentos. “A inteligência artificial está trazendo oportunidades imensas em mix de produtos e precificação, melhorando a comunicação entre milhares de pontos de venda e as nossas fábricas. Esse processo torna a operação muito mais interativa e otimiza a planta para o que o mercado realmente deseja consumir”.
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