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Jensen Huang, da Nvidia, não vê sinais de excesso de oferta de memória em 2029: “Sempre é possível usar mais”

Publicado 22/10/2026 • 16:04 | Atualizado há 24 minutos

KEY POINTS

  • Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou à CNBC que não espera um excesso de oferta de memória até 2029.
  • As ações de empresas de memória caíram na última semana diante de preocupações de que a demanda possa enfraquecer nos próximos anos.
  • “Continuaremos utilizando grandes quantidades”, afirmou Huang à CNBC, em entrevista a Arjun Kharpal.

Joel Saget | AFP | Getty Images

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou à CNBC nesta quinta-feira (22) que é improvável que haja excesso de oferta de memória até 2029, apesar da queda das ações do setor na última semana, em meio a preocupações com o excesso de oferta e o enfraquecimento da demanda.

“Uma das coisas realmente boas sobre a memória é que sempre é possível usar mais”, disse Huang à CNBC, em entrevista abrangente concedida a Arjun Kharpal à margem da conferência GTC Berlin, da empresa. Ele acrescentou que a HBM, um tipo de memória de acesso aleatório (RAM), continuará sendo utilizada por muitos anos.

“Somos a primeira empresa do mundo a colocar memória LPDDR, usada nos celulares, nos data centers do mundo. Isso nos permitiu oferecer um desempenho duas vezes mais eficiente em termos de energia do que qualquer outra solução disponível atualmente. Por isso, continuaremos utilizando grandes quantidades desse tipo de memória”, acrescentou.

As ações de empresas de memória sofreram fortes perdas na última semana, depois que um artigo de opinião publicado em 15 de outubro em uma importante publicação sul-coreana pediu que o governo do país se preparasse para uma desaceleração do boom da inteligência artificial.

O texto citou dois especialistas que preveem uma “inundação de nova oferta”, que transformaria o mercado de memória em um “oceano vermelho” em 2029, segundo a tradução da CNBC. “O superciclo pode chegar ao fim, e o setor pode entrar em uma fase de desaceleração” até 2029, escreveram.

A memória é um componente essencial dos chips da Nvidia. Um excesso de oferta poderia pressionar os preços para baixo e reduzir as margens de lucro de fabricantes como SK Hynix, Samsung e Micron.

O CEO da SpaceX e da Tesla, Elon Musk, reagiu ao artigo na época afirmando que a China “produzirá MUITA RAM em 2028”.

A queda das ações do setor também foi impulsionada pela chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT), que anunciou uma nova arquitetura de design capaz de gerar ganhos de eficiência. O anúncio ampliou as preocupações dos investidores de que a CXMT possa conquistar participação de mercado de concorrentes como SK Hynix, Samsung e Micron.

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“Estamos abertos a possibilidades”, afirmou Huang na quinta-feira, ao ser questionado sobre uma eventual parceria com a CXMT e o uso de seus produtos de memória. “Trabalhamos com empresas chinesas; praticamente o mundo inteiro trabalha com empresas chinesas em algum ponto da cadeia de suprimentos.”

“A China é extraordinária em tecnologias fundamentais de infraestrutura, e nenhum país supera a China coletivamente na capacidade de fabricação. Por isso, precisamos levar muito a sério suas capacidades”, acrescentou.

Regulamentação dos EUA ‘acelerou’ avanços da China em chips

Huang também afirmou à CNBC que os avanços da China no setor de semicondutores são resultado do aumento das restrições impostas pelos Estados Unidos, que levaram o país asiático a acelerar o desenvolvimento de sua própria tecnologia e capacidade de fabricação de chips.

Atualmente, os Estados Unidos restringem as exportações para a China de seus semicondutores mais avançados, incluindo os chips de ponta da Nvidia. No entanto, algumas empresas chinesas estão recorrendo a uma brecha nas regras para acessar a capacidade computacional desses produtos por meio de data centers no Sudeste Asiático. Especialistas afirmam que esse acesso tem sido fundamental para tornar os modelos chineses de inteligência artificial mais capazes.

“A China definitivamente acelerou por causa de todas as regulamentações”, disse Huang.

“Certamente aceleramos as iniciativas da China, a nacionalização de suas capacidades de fabricação de semicondutores e todo o apoio industrial direcionado a esse setor. Portanto, não há dúvida de que aceleramos esse processo”, acrescentou.

Huang ressaltou que as empresas americanas de tecnologia são “poderosas” e estão preparadas para enfrentar a concorrência “de qualquer um”.

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