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Meta começa julgamento por suposta dependência de adolescentes; estados estimam sanções em US$ 193 bi
Publicado 18/08/2026 • 14:08 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/08/2026 • 14:08 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
FotoField/Shutterstock
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, empresa que enfrenta nos Estados Unidos um julgamento sobre a suposta dependência de adolescentes do Facebook e Instagram e possíveis sanções bilionárias.
A Meta começa a ser julgada nesta terça-feira (18), nos Estados Unidos, sob a acusação de ter desenvolvido recursos no Facebook e no Instagram para aumentar a permanência de adolescentes nas plataformas e omitido riscos relacionados ao uso das redes. Os estados envolvidos no processo estimam, ainda de forma provisória, sanções de cerca de US$ 193 bilhões, segundo a AFP.
O processo atinge um ponto central do modelo de negócios da companhia, a publicidade. Dos US$ 60,8 bilhões faturados pela Meta no segundo trimestre de 2026, US$ 59,36 bilhões vieram de anúncios. As impressões publicitárias cresceram 14% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o preço médio por anúncio avançou 12%.
Um estudo publicado na revista científica PLOS ONE por pesquisadores ligados a Harvard e ao Boston Children’s Hospital estimou que as principais redes sociais geraram quase US$ 11 bilhões em receita publicitária com usuários menores de 18 anos nos Estados Unidos em 2022. Desse total, US$ 8,6 bilhões foram atribuídos aos adolescentes de 13 a 17 anos.
No Instagram, que pertence à Meta, a estimativa chegou a US$ 4 bilhões em receita publicitária associada a usuários dessa faixa etária naquele ano.
O número não corresponde à receita divulgada pelas empresas por faixa etária. Como as plataformas não fornecem essa informação, os pesquisadores construíram um modelo de simulação que combinou estimativas do número de usuários, do tempo médio de uso e da receita publicitária. O estudo também assumiu, diante da falta de dados, que a receita por minuto de uso seria constante entre as diferentes faixas etárias.
O Tribunal Federal de Oakland, na Califórnia, começa nesta terça a analisar o mérito do primeiro julgamento federal de um amplo contencioso que também mira TikTok, Snapchat e YouTube, acusados por famílias, comunidades escolares e autoridades de alguns estados de terem afetado a saúde mental de adolescentes.
O grupo que processa a Meta desde 2023 reúne 29 estados. Nesta etapa, a acusação é liderada pelos procuradores-gerais da Califórnia, do Colorado, de Kentucky e de Nova Jersey. A previsão é de seis semanas de audiências.
Os estados sustentam três acusações principais: que a Meta teria enganado o público sobre possíveis danos causados por seus aplicativos aos adolescentes; desenvolvido funções para aumentar a permanência deles nas plataformas; e coletado dados de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos pais, em violação à legislação federal.
Além das sanções financeiras, os procuradores pedem que configurações de maior proteção sejam adotadas como padrão para menores, incluindo restrições ao tempo de tela e às notificações.
Na semana passada, os estados contestaram uma estimativa de US$ 1,4 trilhão apresentada pela Meta como possível dimensão das penalidades. Segundo a AFP, os procuradores afirmaram que o cálculo provisório de suas reivindicações está mais próximo de US$ 193 bilhões.
“Mostraremos ao júri que a Meta escondeu o que sabia sobre os danos causados aos jovens, porque se esquivar era mais lucrativo”, afirmou na segunda-feira (17) o procurador-geral de Kentucky, Russell Coleman, segundo a AFP.
Documentos internos indicam que a Meta já calculou o valor econômico de longo prazo dos usuários adolescentes.
Um documento da companhia, posteriormente citado em relatório da Harvard T.H. Chan School of Public Health, atribuía cerca de US$ 270 em lifetime value a cada usuário adolescente.
A métrica estima o valor que um cliente ou usuário pode representar economicamente ao longo de sua relação com uma empresa. Segundo o relatório de Harvard, o documento mostra que a Meta considerava o valor financeiro de longo prazo dos adolescentes nas decisões sobre seus produtos. A estimativa é antiga e, por isso, não reflete o valor atual desse público para a companhia.
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Siga o Times | CNBCA relação entre a atividade dos usuários e a receita é apresentada nos próprios documentos financeiros da Meta.
No relatório anual apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC), a companhia afirma que uma redução significativa na retenção, no crescimento ou no engajamento dos usuários pode reduzir sua capacidade de entregar impressões publicitárias e prejudicar a receita e os resultados financeiros.
A Meta cita especificamente a redução do tempo gasto em seus produtos como um dos fatores que podem afetar negativamente a receita publicitária. A empresa também inclui eventuais limitações à entrega de anúncios para menores de 18 anos entre os riscos regulatórios para o negócio.
Os documentos não permitem determinar em que medida o faturamento atual da companhia depende especificamente de adolescentes. Eles mostram, porém, que a retenção e o engajamento influenciam a capacidade da Meta de entregar publicidade. É justamente esse ponto que ganha relevância no julgamento, já que os estados questionam recursos que, segundo a acusação, foram desenvolvidos para aumentar o uso das plataformas entre os jovens.
O processo pode gerar efeitos que vão além de uma eventual sanção financeira, pois os estados também buscam mudanças no funcionamento dos produtos.
O Wall Street Journal destacou nesta terça-feira que uma decisão desfavorável pode obrigar a Meta a realizar alterações significativas na forma como opera suas redes sociais.
A companhia chega ao julgamento federal após duas derrotas neste ano em tribunais estaduais, ambas contestadas pela empresa.
No Novo México, uma decisão judicial elevou para US$ 942 milhões o valor imposto à Meta. Além das sanções financeiras, foram determinadas medidas adicionais de proteção aos jovens, incluindo limites de tempo de uso para menores. A companhia informou que vai recorrer.
A Meta também foi condenada neste ano, em Los Angeles, em um processo sobre os danos sofridos por uma adolescente, segundo a AFP.
Na avaliação de Vincent Joralemon, jurista da Universidade da Califórnia em Berkeley ouvido pela AFP, as principais ameaças decorrentes do processo são o dano reputacional e a possibilidade de a companhia ter de modificar seus produtos.
O julgamento também ocorre em um período de forte aumento dos gastos da Meta. No segundo trimestre, a companhia registrou US$ 31,08 bilhões em despesas de capital. A empresa vem ampliando os investimentos em infraestrutura para sustentar seus projetos de inteligência artificial.
No mesmo período, a Meta contabilizou US$ 2,4 bilhões em encargos decorrentes de processos judiciais. Os custos e despesas totais cresceram 55% em um ano, para US$ 42,03 bilhões, enquanto o lucro líquido recuou 14%, para US$ 15,85 bilhões.
A Meta nega as acusações. Um porta-voz disse à AFP que a companhia “discorda profundamente” das alegações e afirmou confiar que as provas demonstrarão seu compromisso de longa data com os jovens.
A família de aplicativos da empresa teve média de 3,60 bilhões de pessoas ativas por dia em junho, alta de 3% em um ano, segundo o balanço da Meta.
Os oito integrantes do júri terão um papel consultivo. A decisão final caberá à juíza Yvonne Gonzalez Rogers, e Mark Zuckerberg está entre as principais testemunhas previstas para as próximas semanas.
O julgamento deverá definir não apenas a responsabilidade da Meta e eventuais sanções, mas também se a empresa terá de modificar recursos que os estados associam à retenção de adolescentes.
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