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Pão de Açúcar x Casas Bahia: por que as gigantes brigam na Justiça?

Publicado 11/03/2026 • 22:41 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A disputa entre Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Casas Bahia envolve uma dívida de cerca de R$ 170 milhões reconhecida em sentença arbitral.
  • A cobrança avançou para a Justiça em janeiro de 2026, e o GPA passou a ter prazo até 11 de março para quitar o valor.
  • O episódio aparece na própria petição de recuperação extrajudicial como um dos fatores que levaram a companhia a renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas.

A disputa entre Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Casas Bahia virou um dos pontos centrais da crise de liquidez da varejista de alimentos e ajuda a explicar um dos motivos pelos quais a companhia recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Na petição apresentada à Justiça de São Paulo, o GPA afirma que uma das principais pressões sobre seu caixa vinha justamente de uma cobrança movida pela Casas Bahia, relacionada a obrigações contratuais assumidas na combinação de negócios entre as empresas.

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Segundo o documento, em dezembro de 2025 foi proferida sentença arbitral definitiva reconhecendo a obrigação de pagamento de cerca de R$ 170 milhões à Casas Bahia. O GPA diz que tentou negociar a quitação do valor, mas sustenta que a credora exigiu o pagamento imediato.

A disputa avançou para a Justiça em 27 de janeiro de 2026, quando a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença para cobrar o valor. Depois de decisão judicial determinando o pagamento, o GPA passou a ter prazo até 11 de março para quitar a dívida.

Foi nesse contexto que a companhia entrou com o pedido de recuperação extrajudicial. Na petição, o GPA afirma que, na data do protocolo, não tinha condições de realizar o pagamento sem interromper as operações. A empresa também diz que, sem a proteção do processo, ficaria sujeita a atos de constrição patrimonial, o que agravaria ainda mais a pressão sobre o caixa.

O grupo informou ao mercado que o plano de recuperação extrajudicial busca renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em obrigações financeiras sem garantia. Segundo a companhia, o pedido foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já contava com apoio de credores que representam 46% dos créditos sujeitos ao plano.

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O GPA também afirmou que fornecedores, clientes, parceiros comerciais, obrigações trabalhistas e despesas operacionais ficaram fora do processo e continuarão sendo pagos normalmente. A estratégia, segundo a empresa, é reorganizar o perfil da dívida, aliviar necessidades de liquidez no curto prazo e preservar a operação.

A Justiça de São Paulo aceitou o processamento da recuperação extrajudicial na quarta-feira (11), no mesmo dia em que vencia o prazo para o pagamento da dívida cobrada pela Casas Bahia. Os documentos mostram que a cobrança da varejista estava entre os fatores mais relevantes de pressão financeira enfrentados pelo GPA.

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