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Pílula Wegovy, da Novo, mantém perda de peso após troca de injeções

Publicado 30/09/2026 • 11:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Pessoas que trocaram injeções para obesidade pela nova pílula Wegovy, da Novo, continuaram perdendo peso após três meses, segundo uma análise de dados do mundo real apresentada pela empresa.
  • Pacientes que trocaram uma injeção de Wegovy ou de Zepbound, da Lilly, pela pílula Wegovy e permaneceram em tratamento por três meses perderam, em média, cerca de 4% do peso.
  • Embora estudos de mundo real tenham limitações, os dados sugerem que os pacientes podem não precisar tomar injeções semanais para sempre e podem optar por tratamentos mais convenientes, como a pílula da Novo.

SERGEI GAPON/AFP

Novo Nordisk

Pessoas que trocaram injeções para obesidade pela nova pílula Wegovy, da Novo, continuaram perdendo peso após três meses, segundo uma análise de dados do mundo real apresentada pela empresa nesta quarta-feira.

Estudos de mundo real avaliam associações e não podem determinar relações de causa e efeito. Mas os resultados sugerem que a pílula Wegovy pode ampliar a perda de peso inicial proporcionada pelas injeções mais vendidas, em vez de simplesmente mantê-la. Os dados também indicam que os pacientes podem não precisar tomar injeções semanais, como Wegovy e Zepbound, indefinidamente e podem optar por tratamentos mais convenientes, como a pílula da Novo.

A análise da Novo utilizou dados da plataforma de telemedicina Ro de 194 pacientes com obesidade ou sobrepeso, dos quais cerca de 56% eram mulheres. Metade começou o tratamento com a injeção de Wegovy, da Novo, enquanto os demais inicialmente utilizaram a injeção Zepbound, da Eli Lilly.

Os pacientes que trocaram uma injeção pela pílula Wegovy e permaneceram em tratamento por três meses perderam, em média, cerca de 4% do peso, o equivalente a 8,8 libras (aproximadamente 4 quilos) adicionais. O cálculo considera um peso inicial médio de cerca de 221 libras (100 quilos) antes do início do tratamento com a pílula, segundo a Novo.

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Entre esses participantes, dois em cada cinco alcançaram uma perda de peso de 5% ou mais três meses após a troca para a pílula. Enquanto isso, a parcela de pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 caiu mais de 21% três meses após a mudança para o Wegovy oral. Um IMC de 30 marca a transição da categoria de sobrepeso para obesidade.

“Temos o benefício único de que, no mercado, o Wegovy subcutâneo agora pode ser substituído por um comprimido de Wegovy, e o paciente pode esperar o mesmo perfil de tolerabilidade, o mesmo perfil de segurança e, na verdade, uma perda de peso um pouco maior, que é o que muitos deles querem”, afirmou Martin Holst Lange, diretor científico da Novo, em entrevista.

Entre os pacientes com dados disponíveis, cerca de 82% relataram pelo menos uma melhora durante o tratamento com a pílula. Isso inclui quase 70% que disseram que suas roupas passaram a vestir melhor e cerca de 51% que afirmaram ter adotado uma alimentação mais saudável.

Segundo a Novo, cerca de 75% dos pacientes analisados disseram estar satisfeitos com a troca para a pílula.

“Acho que estamos vendo uma mudança. Talvez apenas um ano atrás, pensássemos que a grande maioria dos pacientes que buscavam tratamento para obesidade estava satisfeita com uma opção subcutânea”, disse Lange. “Agora vemos esse cenário de forma diferente. Claramente, vemos uma preferência por medicamentos orais.”

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Ele citou como exemplo pessoas que viajam com frequência e não querem se preocupar em manter as injeções refrigeradas.

Este está entre os primeiros dados de mundo real sobre os resultados de perda de peso de pacientes que trocaram injeções de grande sucesso comercial – especialmente o Wegovy, da Novo, e o Zepbound, concorrente da Lilly – pela nova pílula.

O estudo, porém, tem limitações, incluindo a variação no momento e na completude dos dados coletados durante atendimentos rotineiros de telemedicina. Além disso, informações autorrelatadas estão sujeitas a vieses, e os resultados “não podem ser generalizados para a população em geral”, segundo a Novo.

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Em parceria com a Novo, a Ro afirmou que está concentrada em aprender com dados do mundo real de seus pacientes, que podem ser utilizados por outros participantes do setor de saúde.

“O futuro da saúde é pessoal, e não é possível chegar lá sem dados”, afirmou Zachariah Reitano, cofundador e CEO da Ro. “A medicina é muito boa em responder ‘isso funciona, em média’. É péssima em responder ‘o que funciona para você’. Essa é a lacuna que podemos preencher.”

“Somos obcecados por entender o que permite que pacientes e profissionais de saúde alcancem os melhores resultados para cada paciente”, acrescentou. “Por que alguns pacientes respondem melhor do que outros? Qual é o esquema ideal de ajuste de dose para cada paciente? Quais são as melhores técnicas de manutenção no longo prazo?”

Os números são um dos vários novos conjuntos de dados que a Novo está apresentando nesta semana sobre sua linha de medicamentos para obesidade e diabetes no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, na Itália.

Estudo sobre CagriSema

Também nesta quarta-feira, a Novo anunciou que seu medicamento experimental de próxima geração para obesidade, o CagriSema, reduziu o chamado “food noise” – pensamentos persistentes sobre comida – e apresentou benefícios para a saúde dos órgãos e dos ossos.

Os dados são resultado de um estudo de um ano com ressonância magnética funcional, método não invasivo utilizado para medir a atividade cerebral durante tarefas específicas.

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O CagriSema combina a semaglutida da Novo – princípio ativo do Wegovy – com um medicamento chamado cagrilintida, que atua sobre a amilina. A expectativa é que o CagriSema seja lançado no início do próximo ano, seguido pela cagrilintida isolada e por uma versão do CagriSema em dose mais alta em 2028.

No estudo, a Novo afirmou que o CagriSema alterou a reação do cérebro a alimentos tentadores e ricos em calorias em regiões associadas a desejos, prazer e autocontrole em pessoas com obesidade ou sobrepeso.

“O sinal no cérebro muda de uma maneira que, na verdade, está associada a uma melhora na qualidade de vida”, afirmou Lange.

A empresa acrescentou que o CagriSema reduziu a gordura prejudicial ao redor de órgãos abdominais, inclusive no fígado e no pâncreas, em adultos com diabetes tipo 2. Os primeiros resultados também sugerem que a saúde óssea dos pacientes foi preservada apesar da perda substancial de peso, segundo a Novo.

A farmacêutica afirmou que os resultados sugerem que o CagriSema pode atuar sobre fatores subjacentes à obesidade e ao diabetes no cérebro e em diferentes órgãos e tecidos, em vez de afetar apenas o peso e os níveis de açúcar no sangue.

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