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Novo Nordisk e Eli Lilly disputam mercado de pílulas GLP-1 enquanto se preparam para cobertura do Medicare
Publicado 08/06/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 08/06/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Novo Nordisk e a Eli Lilly levaram sua disputa pelo mercado de pílulas GLP-1 ao principal encontro sobre obesidade neste fim de semana, enquanto se preparam para uma nova mudança na forma como os pacientes terão acesso a esses medicamentos.
A Novo Nordisk anunciou no domingo que as prescrições da versão em comprimido do Wegovy ultrapassaram 3 milhões desde sua chegada ao mercado dos Estados Unidos há cerca de cinco meses. O CEO da companhia dinamarquesa, Mike Doustdar, celebrou a marca e afirmou, em entrevista à CNBC, que a empresa conseguiu acelerar as prescrições mesmo após a Eli Lilly lançar sua própria pílula GLP-1 em abril.
“Se isso não é aceleração, então eu não sei o que é”, disse Doustdar à CNBC durante as Sessões Científicas da Associação Americana de Diabetes.
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Enquanto isso, o CEO da Eli Lilly, Dave Ricks, afirmou à CNBC que as prescrições de sua pílula Foundayo estão “significativamente acima” das 20 mil registradas há cerca de seis semanas, durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, sem informar um número específico.
A concorrência pelo mercado de medicamentos para perda de peso é apenas o capítulo mais recente da rivalidade histórica entre as duas farmacêuticas. Sinais dessa disputa ficaram visíveis durante todo o evento.
Carros circulavam promovendo a pílula Wegovy, da Novo Nordisk, enquanto imagens do Foundayo, da Eli Lilly, cobriam parte dos pisos do centro de convenções de Nova Orleans.
As duas empresas também se preparam para disputar a preferência dos idosos. A partir de julho, milhões de beneficiários do Medicare poderão acessar medicamentos GLP-1 para perda de peso por US$ 50 mensais. Até agora, os beneficiários precisavam arcar com os custos dos tratamentos, que poderiam chegar a centenas de dólares por mês.
Segundo as empresas, o foco está em ampliar o conhecimento sobre o programa, embora cada uma tenha adotado estratégias diferentes para atrair pacientes.
Doustdar acredita que o programa pode ajudar a Novo Nordisk a recuperar parte do espaço perdido pelo Wegovy injetável para o Zepbound, da Eli Lilly.
Segundo ele, a empresa pretende destacar benefícios adicionais do Wegovy, incluindo a capacidade de reduzir riscos cardiovasculares, como infartos e derrames. “Com a dose mais alta de Wegovy, por que você não escolheria um produto que tem a mesma eficácia, em termos percentuais, do meu concorrente?”, questionou.
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“Além disso, você ganha proteção para rins, fígado, coração e contra AVC, digamos, sem custo adicional. Eu tomaria esse medicamento se tivesse 10 anos a mais”, acrescentou.
Já a Eli Lilly aposta na praticidade como principal diferencial.
A pílula Foundayo pode ser tomada a qualquer hora do dia, junto com alimentos, água e outros medicamentos. Já o comprimido da Novo Nordisk precisa ser ingerido em jejum, com pouca água, exigindo ainda um período de 30 minutos sem alimentação. “O principal é que é fácil”, afirmou Ricks.
“Isso é algo que simplesmente entra na rotina diária. A maioria dos idosos já toma vários medicamentos e utiliza organizadores de comprimidos. Este medicamento se encaixa perfeitamente nessa rotina sem exigir nenhum esforço adicional.”
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Ricks afirmou que a Eli Lilly trabalha em conjunto com o governo para se preparar para a nova fase do programa e demonstrou confiança na atuação da Humana, responsável pelo processamento das solicitações de receitas médicas.
Segundo ele, a iniciativa pode ajudar a demonstrar que o tratamento da obesidade deve ser encarado como parte da assistência médica regular.
“Precisamos provar isso nesse programa-piloto, demonstrar a relação custo-benefício e redefinir nossas expectativas sobre os planos de saúde. O tratamento da obesidade deve ser considerado assistência médica”, afirmou.
As duas empresas também tentam ampliar a cobertura dos medicamentos GLP-1 pelos planos de saúde.
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Embora estudos indiquem que esses tratamentos podem ser economicamente viáveis, muitos empregadores resistem a cobrir os medicamentos porque milhões de pessoas podem ser elegíveis e muitos pacientes interrompem o uso após atingirem a meta de perda de peso.
A seguradora Cigna informou na semana passada que deixará de cobrir esses medicamentos para seus próprios funcionários.
Enquanto se preparam para a ampliação da cobertura pelo Medicare, as duas farmacêuticas avançam com novos tratamentos para obesidade.
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Seguir no GoogleDurante o evento, a Eli Lilly apresentou dados de fase 3 do retatrutide, um agonista triplo experimental que ajudou pacientes a perderem, em média, 28% do peso corporal quando permaneceram em tratamento.
Quase metade dos participantes perdeu mais de 30% do peso corporal, percentual semelhante ao observado em cirurgias bariátricas.
Leia também: Guerra dos medicamentos para perda de peso se torna global enquanto a Novo Nordisk aposta alto na pílula Wegovy
O medicamento também apresentou benefícios em condições associadas, como osteoartrite de joelho e apneia do sono.
Ricks afirmou que espera que o retatrutide seja inicialmente direcionado a pessoas com índice de massa corporal (IMC) mais elevado, mas destacou que até doses menores apresentaram resultados expressivos, com perda média de 19% do peso corporal e menos efeitos colaterais.
Questionado sobre a possibilidade de o medicamento ser disponibilizado na plataforma direta ao consumidor LillyDirect, após aprovação regulatória, Ricks respondeu que a empresa “absolutamente” pretende oferecer o tratamento por esse canal.
Para a Novo Nordisk, o próximo lançamento é o CagriSema, que combina o principal ingrediente do Wegovy com uma molécula chamada cagrilintida, que imita a ação do hormônio amilina.
O medicamento decepcionou parte dos investidores porque apresentou resultados de perda de peso semelhantes aos do Zepbound, da Eli Lilly, e inferiores aos observados com o retatrutide.
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Mesmo assim, Doustdar acredita que a vantagem do CagriSema sobre o Wegovy é relevante e reafirmou o compromisso da empresa com o lançamento.
A Novo Nordisk espera uma decisão da FDA sobre o medicamento no quarto trimestre deste ano.
“Se eu tiver que esquecer o CagriSema, muitos outros produtos também teriam que ser esquecidos. Não acho que deva funcionar dessa forma”, afirmou.
Doustdar assumiu o comando da companhia há quase um ano, após uma grande reestruturação que levou à saída do antigo CEO e à demissão de milhares de funcionários.
Segundo ele, o sucesso inicial da versão em comprimido do Wegovy ajudou a restaurar parte da confiança na empresa.
“A pílula foi um ótimo exemplo de que as pessoas estão recuperando a confiança de que conseguimos fazer isso e de que dias melhores estão à frente da Novo Nordisk, não apenas no passado”, afirmou.
“Agora precisamos transformar esses momentos positivos em uma tendência de longo prazo, conquistar confiança dia após dia e melhorar isso tanto internamente quanto externamente. Vou trabalhar duro para garantir que isso continue.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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