CNBC

CNBCOracle sobe 9% enquanto setor de tecnologia tenta se recuperar de perda de US$ 1 trilhão

Empresas & Negócios

Raízen perde o grau de investimento das três maiores agências de rating; saiba os motivos

Publicado 10/02/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Raízen perde grau de investimento após rebaixamentos de Fitch, S&P e Moody’s.
  • Agências citam dívida elevada, consumo de caixa e risco de reestruturação.
Raízen perde o grau de investimento das três maiores agências de rating; saiba os motivos

Imagem criada por IA

Raízen perde o grau de investimento das três maiores agências de rating; saiba os motivos

A Raízen perdeu o grau de investimento concedido pelas três principais agências de classificação de risco globais, após rebaixamentos promovidos por Fitch Ratings, S&P Global Ratings e Moody’s Ratings. As decisões refletem o aumento da pressão financeira sobre a companhia, marcada por endividamento elevado, geração de caixa negativa e incertezas quanto a uma capitalização.

Raízen é colocada no território especulativo

A Fitch rebaixou o rating global da Raízen de BBB- para CCC, após uma sequência de cortes que somaram cinco níveis. Na avaliação da agência, houve falha dos controladores em executar uma injeção de capital relevante, além de desempenho operacional abaixo do esperado e uma posição de liquidez mais pressionada.

A S&P também retirou o grau de investimento da Raízen, ao reduzir a nota global de BBB- para CCC+, com perspectiva negativa. A agência alertou para riscos crescentes de uma reestruturação de dívida que, se ocorrer, seria interpretada como default.

Já a Moody’s rebaixou a classificação corporativa da Raízen de Ba1 para Caa1, com perspectiva negativa, citando o aumento do risco de uma transação de dívida em condições desfavoráveis aos credores.

Leia também: Raízen escolhe escritório para reestruturação de dívida

Dívida elevada e consumo recorrente de caixa pesam sobre a Raízen

Um dos principais fatores apontados pelas agências é o alto nível de alavancagem da Raízen. A S&P estima que a relação dívida líquida sobre EBITDA permaneça próxima ou acima de 5 vezes ao menos até o fim do ano fiscal de 2028.

Além disso, a companhia enfrenta despesa financeira líquida elevada, combinada a investimentos recorrentes em manutenção. Esse conjunto tem mantido o consumo de caixa elevado, sem sinais claros de reversão no curto prazo.

Leia também: Raízen contrata assessores financeiros para diagnósticos de liquidez e estrutura de capital

Ambiente operacional segue desafiador

As agências destacam que o ambiente operacional da Raízen segue pressionado. A empresa lida com juros elevados, colheitas abaixo do potencial e menor diluição de custos no negócio de açúcar e etanol.

Projetos considerados estratégicos, como etanol de segunda geração e combustível sustentável de aviação, ainda não geraram retornos financeiros relevantes, segundo as avaliações de risco.

Risco de reestruturação de dívida entra no radar

A S&P colocou a Raízen em CreditWatch negativo, indicando a possibilidade de novos rebaixamentos caso a empresa avance com uma reestruturação de dívida. A agência considera que renegociações em condições desfavoráveis caracterizariam um evento de default.

A Moody’s também incorporou esse risco ao rating atual, citando a incerteza sobre uma eventual injeção de capital por parte dos controladores Cosan e Shell.

Liquidez imediata não é crítica, mas pressão persiste

Apesar do rebaixamento, a S&P avalia que a liquidez da Raízen não representa um risco imediato. A estimativa é de caixa suficiente para cobrir a dívida de curto prazo. Ainda assim, o consumo recorrente de recursos e a ausência de medidas estruturais mantêm o risco elevado.

Empresa busca alternativas para fortalecer a estrutura de capital

Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que contratou assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas voltadas ao fortalecimento da liquidez e à otimização da estrutura de capital. Entre os assessores está a Alvarez & Marsal, especializada em situações de estresse financeiro.

Impacto se reflete nos títulos da Raízen

A perda do grau de investimento intensificou a queda dos títulos da Raízen no mercado internacional. Papéis com vencimento em 2037 passaram a ser negociados em níveis considerados de estresse, refletindo o aumento da percepção de risco por parte dos investidores.

O que significa perder o grau de investimento

Perder o grau de investimento significa que uma empresa passa a ser classificada como emissora de maior risco de crédito pelas agências de rating. Na prática, isso indica que aumentou às probabilidades de a empresa não conseguir honrar dívidas nos prazos acordados.

As agências dividem os ratings em dois grandes grupos:

  • Grau de investimento: notas mais altas, associadas a menor risco de inadimplência.
  • Grau especulativo (ou “junk”): notas mais baixas, que refletem maior incerteza financeira.

No caso da Raízen, os rebaixamentos para níveis como CCC, CCC+ e Caa1 colocam a empresa no campo especulativo, onde o foco das agências passa a ser a liquidez, a capacidade de geração de caixa e o risco de reestruturação de dívida.

RAÍZENS&P GlobalFitch RatingsMoody’s Ratings
AntesBBB-BBB-Ba1
DepoisCCC+CCCCaa1
Situação atualGrau especulativoGrau especulativo profundoGrau especulativo profundo
Perspectiva / MonitoramentoNegativa / CreditWatch negativoObservação negativa removidaNegativa
O que significaRisco elevado de reestruturação de dívidaEstresse de liquidez e risco de default (calote)Alta probabilidade de transação de dívida desfavorável

Impactos da perda do grau de investimento

A perda do grau de investimento costuma ter efeitos sobre o custo e o acesso ao crédito:

  • Financiamento mais caro: investidores exigem juros mais altos para compensar o risco.
  • Menor base de investidores: muitos fundos só podem investir em ativos com grau de investimento e são obrigados a vender os papéis.
  • Pressão sobre títulos e ações: a percepção de risco tende a derrubar preços no mercado secundário.
  • Maior risco de renegociação de dívidas: empresas passam a ser avaliadas sob a ótica de preservação de caixa.

Por que o risco de default (calote) entra no radar

Em níveis mais baixos de rating, como os atribuídos à Raízen, as agências passam a considerar cenários em que uma reestruturação de dívida em condições desfavoráveis aos credores pode ocorrer. Nesses casos, renegociações, alongamentos forçados ou trocas de títulos podem ser classificadas como default técnico, mesmo sem inadimplência imediata.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios

;