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Banco Master: Vorcaro desfez-se de controle de frota aérea às vésperas de sua prisão
Publicado 08/02/2026 • 08:10 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 08/02/2026 • 08:10 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Divulgação / Polícia Federal
Jato da Viking apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025
Em um movimento que agora ganha novos contornos sob a ótica das investigações, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu o controle de sua principal holding de aeronaves, a Viking Participações, apenas dois meses antes de ser detido pela Polícia Federal. Em setembro de 2025, 55% da empresa foi vendida para um fundo de investimentos sob gestão da Reag.
A Viking Participações não era uma empresa qualquer no ecossistema de Vorcaro: a holding é proprietária de três aeronaves, com destaque para um jato Falcon 7X, um ativo de luxo cujo valor de mercado é estimado por investigadores em cerca de R$ 200 milhões. Coincidentemente, era neste mesmo avião que o ex-banqueiro planejava viajar para o exterior no dia 17 de novembro, data em que acabou preso (ele seria solto 12 dias depois).
A cronologia da venda revela um cenário de cerco crescente. Quando o negócio foi oficializado na junta comercial, o Banco Master, de Vorcaro, já enfrentava uma crise aguda: o Banco Central havia acabado de vetar a aquisição do Master pelo BRB; e a Polícia Federal havia instaurado um inquérito para apurar as atividades da instituição.
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Além da venda da fatia majoritária, Vorcaro promoveu uma mudança na governança da Viking: renunciou ao posto de administrador e nomeou para a função um ex-despachante de Nova Lima (MG), distanciando formalmente seu nome da gestão direta dos ativos aéreos enquanto a pressão das autoridades aumentava.
De acordo com registros oficiais da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), a Viking Participações passou por uma reestruturação societária definitiva no dia 17 de setembro, quando Daniel Vorcaro transferiu 55% do capital social da empresa para o Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. O documento formaliza a cessão onerosa das cotas e marca a saída de Vorcaro da gestão direta da holding, que é proprietária de aeronaves de alto valor.
Com a renúncia de Vorcaro, a administração da companhia foi entregue a Adriano Garzon Correa, que assumiu o posto como administrador não-sócio. Garzon Correa, que possui em seu histórico a participação em empresas já extintas, incluindo um escritório de despachante, não se manifestou.
Em contrapartida, a defesa de Daniel Vorcaro sustenta uma narrativa diferente sobre o controle do negócio. Em nota oficial, a assessoria do empresário afirma que ele “ainda é o controlador da Viking”, alegando que a venda da participação majoritária foi acordada ainda em 2024. Para os advogados, os movimentos registrados na Jucemg ao longo de 2025 foram apenas “desdobramentos burocráticos” necessários para a formalização da venda.
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A nota reforça, ainda, que a transação ocorreu sob critérios comerciais regulares e que Vorcaro mantém o compromisso de colaborar integralmente com as investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
Fundada em 2006, a Viking é uma das companhias mais longevas do portfólio de Daniel Vorcaro, mas carrega um histórico de problemas regulatórios. A firma é acusada em um processo da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), aberto em 2020, para apurar irregularidades no fundo imobiliário fechado Brazil Realty. Entre os réus desse processo aparecem o próprio Daniel Vorcaro — como responsável pelo Banco Máxima (atual Master) — e seu pai, Henrique, que respondia pela empresa Milo.
A sede da Viking, localizada na avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, funciona como um endereço comum para diversos negócios de Vorcaro, como a Vinc e a FSW. Esta última tem como sócias a agência de turismo Belvitur e a Moriah, empresa pertencente ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero da PF e chegou a ser preso ao tentar viajar para Dubai, sendo liberado poucas horas depois.
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Além do uso patrimonial, a Viking foi utilizada em transações imobiliárias que ganharam destaque em meio ao escândalo do Master. Um dos episódios de maior impacto envolve a doação de um apartamento avaliado em R$ 4,4 milhões para uma mulher que se identificava publicamente como “sugar baby”, operação realizada através da estrutura da companhia.
A origem do imóvel doado à mulher em dezembro de 2024 revela conexões diretas entre os personagens centrais da investigação: o bem foi repassado pela Super Empreendimentos e Participações SA — empresa ligada ao pastor Zettel — mas havia sido adquirido da própria Viking apenas nove meses antes. Apesar da magnitude das movimentações, o valor da venda do controle da Viking para o fundo Stern permanece uma incógnita, já que o montante não consta em dados públicos.
No comando administrativo da Viking, a figura de Adriano Garzon Correa levanta novos questionamentos devido ao seu histórico como sócio de empresas encerradas, incluindo uma firma de despachante. Mesmo após ser formalmente nomeado como administrador não-sócio, Garzon Correa não deu resposta à reportagem. No mesmo sentido, a Reag, gestora responsável pelo fundo Stern, também optou pelo silêncio e não se manifestou sobre a transação ou sua entrada no negócio.
(*Com informações da Folhapress)
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