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Raízen: quem ganha e quem perde com a crise da companhia?
Publicado 10/03/2026 • 22:38 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 10/03/2026 • 22:38 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: divulgação/Raízen.
Raízen
A crise da Raízen deixou de ser apenas um problema de balanço e passou a abrir uma disputa mais ampla entre credores, acionistas e potenciais interessados nos ativos da companhia. Nas últimas semanas, a empresa acumulou prejuízo bilionário, viu a pressão sobre a dívida aumentar e entrou em negociações para encontrar uma solução de capital que evite um desfecho mais traumático.
A situação ganhou novos contornos depois que as tratativas para uma capitalização conjunta entre Shell, Cosan e BTG Pactual fracassaram, levando os credores a negociar diretamente com a Shell.
O tamanho da deterioração ajuda a explicar por que o mercado passou a discutir cenários mais duros para a companhia. A Raízen reportou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, com impairment de R$ 11,1 bilhões, enquanto a dívida líquida chegou a R$ 55,3 bilhões e a alavancagem ficou em cerca de 5,3 vezes o Ebitda, patamar visto como incompatível com a estrutura de capital da empresa no atual ambiente de juros.
Em paralelo, a busca por uma solução definitiva ficou mais urgente. A Shell afirmou estar comprometida com um aporte de R$ 3,5 bilhões, mas as negociações com a Cosan para uma capitalização conjunta não avançaram. Propostas envolvendo BTG Pactual, divisão de ativos e conversão de parte da dívida em ações foram rejeitadas, o que deixou a discussão concentrada nos credores e na eventual ampliação do papel da Shell na companhia.
Leia também: Shell e Cosan abandonam negociações sobre capitalização da Raízen
O economista e analista Ricardo Schweitzer, da RS Análise, sustenta que o elo mais frágil da crise é o acionista minoritário da Raízen. Na leitura dele, em uma reestruturação com dívida elevada, os credores tendem a capturar o valor econômico da companhia antes dos acionistas. “Os credores capturam o valor; os acionistas ficam com a casca”, afirma.
Na avaliação do especialista, a crise pode acabar ultrapassando os limites da própria empresa e provocar uma reorganização mais ampla no setor de distribuição de combustíveis, com efeitos potenciais sobre nomes como Shell, Cosan, Vibra, Petrobras e Ipiranga.
Uma leitura semelhante é feita por Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos. Para ele, o elo mais pressionado da crise tende a ser justamente o acionista atual da companhia, especialmente se o desfecho envolver aumento de capital relevante, venda de ativos ou alguma reestruturação que dilua participações.
“Em momentos de estresse financeiro, o acionista costuma ser o primeiro a absorver parte das perdas, enquanto credores e financiadores tentam preservar valor por meio de renegociações ou garantias”, afirma.
Na avaliação do executivo, os detentores de dívida também enfrentam riscos e podem ser obrigados a renegociar prazos ou condições para preservar parte do valor do crédito.
Uma outra fonte ouvida pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC afirma que, apesar da deterioração financeira, o impacto imediato deve recair principalmente sobre acionistas e parte dos credores da companhia.
Segundo essa fonte, o acordo em discussão com bancos e detentores de títulos pode acabar sendo mais duro para alguns credores locais, considerando que a Raízen foi, nos últimos anos, um dos grandes emissores de títulos voltados ao investidor pessoa física no mercado de capitais.
“O acordo com bondholders e bancos pode não ser favorável para os credores locais. Isso pode machucar o acesso da empresa ao mercado aqui e lá fora”, disse, sob condição de anonimato.
Para o especialista, o acionista minoritário também tende a ser prejudicado caso a solução passe por aumento de capital ou conversão de dívida em participação acionária. “O minoritário deve ser machucado com a diluição e dificilmente vai recuperar a perda”, acrescentou.
Para Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, o agravamento da crise tende a gerar perdas claras para acionistas minoritários, credores financeiros e também para os próprios sócios controladores no curto prazo.
Segundo ele, os acionistas que não participarem de eventuais novos aportes podem enfrentar forte diluição caso a solução envolva aumento de capital ou conversão de dívida em participação acionária. “Qualquer capitalização relevante ou conversão de dívida em equity reduz o valor do papel atual”, afirma.
Os credores também enfrentam riscos.
“Uma solução extrajudicial tende a preservar mais valor do que um processo judicial completo, mas ainda assim os credores podem enfrentar alongamentos e perdas”, diz.
A avaliação também é compartilhada por Artur Horta, sócio da The Link Investimentos. “Os credores já não vão receber aquilo que era prometido quando compraram a dívida da empresa ou participaram das emissões”, afirma.
Os acionistas também tendem a sofrer perdas relevantes. “Eles sofrem com a queda das ações e com a diluição massiva do equity da empresa por conta da queima de caixa”, diz.
Apesar das perdas, analistas avaliam que a fragilidade financeira da Raízen pode abrir espaço para uma redistribuição de mercado dentro do setor.
Rios afirma que dificuldades enfrentadas por um player do tamanho da companhia tendem a gerar oportunidades para concorrentes.
“Quando um player do tamanho da Raízen enfrenta dificuldades relevantes, é natural que concorrentes e investidores passem a reavaliar posicionamentos e oportunidades”, diz.
Na mesma linha, Uarian afirma que uma reestruturação profunda da companhia pode acelerar um movimento de consolidação no setor. “Uma venda forçada de ativos ou perda acelerada de participação abre espaço para consolidação entre os grandes players”, afirma.
Entre os potenciais beneficiários, ele cita especialmente Vibra Energia e o grupo Ultrapar, controlador da Ipiranga, que possuem estruturas financeiras mais equilibradas e capacidade de capturar oportunidades no setor.
Leia também: Raízen confirma aporte de R$ 4 bilhões de acionistas e avalia recuperação extrajudicial; saiba mais
Para Schweitzer, a Shell aparece entre os potenciais vencedores caso o desfecho passe por um saneamento prévio do balanço e posterior ampliação de sua participação. “Se isso se confirmar, a Shell vai entrar como sócia majoritária de uma empresa já saneada, após um haircut que os credores pagarão”, disse.
Na avaliação de Horta, concorrentes com balanços mais sólidos também podem capturar parte do mercado da Raízen. “Outras grandes operadoras do setor, por terem balanços mais robustos, tendem a conseguir ganhar market share”, afirma.
O analista avalia ainda que o setor já passa por um momento de transformação. “Existe uma dinâmica de reorganização em curso. A fragilidade da Raízen pode torná-la alvo de aquisição ou levar à venda de ativos para outros grupos”, diz.
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