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Recuperação extrajudicial: veja por que empresas estão recorrendo à modalidade

Publicado 26/08/2026 • 19:30 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Pedidos de recuperação extrajudicial passaram de 43 em 2023 para 82 em 2025, alta de 90,7%.
  • Crédito livre para empresas chegou a uma taxa média de 24,4% ao ano em junho.
  • Modalidade permite negociar dívidas com grupos específicos de credores e pode ser homologada pela Justiça.
Recuperação extrajudicial: veja por que empresas estão recorrendo à modalidade

Foto: unsplash

Recuperação extrajudicial: veja por que empresas estão recorrendo à modalidade

O aumento dos juros e o encarecimento do crédito estão entre os fatores que ajudam a explicar por que mais empresas brasileiras passaram a recorrer à recuperação extrajudicial. A modalidade permite renegociar dívidas diretamente com determinados grupos de credores e pode evitar, em um primeiro momento, uma recuperação judicial mais ampla.

Os números do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial mostram a dimensão desse movimento. Em 2023, o país registrou 43 casos. Já em 2024, foram 66 e, em 2025, o número chegou a 82. Com isso, houve um crescimento de 90,7% em apenas dois anos.

Desde 2023, os pedidos somam 235 processos. Esse volume representa 71% das 329 recuperações extrajudiciais identificadas pelo observatório desde 2005.

Leia também: Pedidos de recuperação extrajudicial disparam 90,7% em dois anos no Brasil

Crédito mais caro aumenta a pressão sobre as empresas

O avanço da modalidade ocorre depois de um período em que as empresas encontraram condições mais favoráveis para contratar crédito. Durante a pandemia, a Selic chegou a 2% ao ano, o que facilitou o acesso das companhias aos recursos financeiros.

Muitas empresas aproveitaram aquele cenário para captar dinheiro, investir e ampliar suas operações. Entretanto, a mudança na política de juros alterou o custo dessas dívidas.

Em junho, a taxa média das novas operações de crédito livre para empresas estava em 24,4% ao ano, segundo o Banco Central. Dessa forma, companhias que precisam administrar financiamentos e outros compromissos passaram a enfrentar uma despesa maior com o crédito.

Nesse cenário, renegociar as condições das dívidas pode se tornar uma alternativa para empresas que enfrentam dificuldades para manter os pagamentos nos termos originalmente acordados.

Recuperação extrajudicial permite negociação mais direcionada

A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie seu passivo diretamente com determinados grupos de credores. Dessa maneira, a companhia pode discutir novos prazos e outras condições para o pagamento das dívidas incluídas no acordo.

A Lei nº 11.101/2005 estabelece as regras para esse tipo de recuperação. O devedor pode apresentar e negociar um plano com seus credores e, posteriormente, solicitar sua homologação pela Justiça. (planalto.gov.br)

Além disso, a legislação permite que o plano seja direcionado a determinadas espécies ou grupos de credores. Assim, a empresa consegue concentrar a negociação nos compromissos que considera mais relevantes para sua reorganização financeira.

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Por isso, a modalidade pode ser uma alternativa para companhias que ainda conseguem negociar diretamente com seus credores, mas precisam rever as condições de suas dívidas.

Qual é a diferença para a recuperação judicial?

A principal diferença está na forma como a negociação acontece. Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com os credores e pode depois levar o plano para homologação judicial. Já a recuperação judicial ocorre por meio de um processo na Justiça, dentro das regras específicas previstas na Lei nº 11.101/2005.

Na recuperação extrajudicial, portanto, a negociação pode ficar concentrada em determinados grupos de credores. Na recuperação judicial, por outro lado, a empresa passa por um processo mais amplo de reorganização.

A homologação judicial também faz parte da recuperação extrajudicial quando a empresa decide submeter o plano à Justiça. A legislação estabelece, ainda, requisitos específicos para que o acordo possa alcançar os credores abrangidos pelo plano.

Leia também: Recuperação extrajudicial ganha espaço como saída mais rápida para empresas em crise

Pedidos de recuperação extrajudicial avançam em meio à pressão financeira

O aumento dos pedidos acompanha, portanto, uma mudança importante no ambiente de crédito. Se durante a pandemia as empresas encontraram juros mais baixos para financiar suas operações, posteriormente passaram a lidar com custos maiores.

Os dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial reforçam essa mudança. O número de casos praticamente dobrou entre 2023 e 2025, passando de 43 para 82.

Além disso, os 235 processos registrados desde 2023 correspondem à maior parte das recuperações extrajudiciais identificadas pelo observatório desde 2005. O movimento mostra que a modalidade ganhou espaço como alternativa para empresas que precisam reorganizar dívidas e negociar novas condições com seus credores.

Assim, o avanço da recuperação extrajudicial está relacionado principalmente à necessidade de lidar com um cenário de crédito mais caro e maior pressão sobre o caixa. Ao permitir uma negociação mais direcionada, a modalidade oferece às empresas uma alternativa para reorganizar parte de suas obrigações antes de recorrer a uma recuperação judicial mais ampla.

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