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Febraban Tech: Empresas que não oferecem crédito podem ficar para trás da concorrência, diz CRO da Serasa Experian Leonardo Biondo

Publicado 25/08/2026 • 22:49 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Leonardo Biondo afirma que juros elevados e avanço da inadimplência tornam a avaliação de risco ainda mais relevante.
  • Infraestrutura para oferta de crédito envolve tecnologia, regulação, operação, prevenção a fraudes e cobrança.
  • Inteligência artificial amplia capacidade de análise, mas também é usada por criminosos para tentar fraudar processos.

Empresas que vendem para consumidores ou para outras companhias precisam considerar a oferta de crédito como parte da própria estratégia comercial, sob risco de perder espaço para concorrentes. É o que afirmou Leonardo Biondo, diretor de infraestrutura de crédito da Serasa Experian, durante a Febraban Tech 2026.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Biondo disse que o chamado crédito embarcado deixou de ser uma estratégia restrita ao varejo e passou a ganhar espaço em setores como indústria, atacado, distribuição e serviços.

“Hoje, quem está num setor que vende para o B2C ou até para o B2B, se você não pensou como criar uma esteira de crédito, um produto de crédito para financiar sua venda, dar mais prazo, mais limite e reduzir seu risco de crédito, certamente está ficando para trás da concorrência”, afirmou.

Leia também: Febraban Tech: crédito mais seletivo e clima adverso aumentam pressão sobre produtores rurais, afirma head de Agronegócio do Serasa Experian

Crédito embarcado avança além do varejo

Biondo explicou que a infraestrutura de crédito permite incorporar produtos financeiros diretamente à jornada do consumidor, seja ela física ou digital.

“Infraestrutura de crédito é o que possibilita o embedded finance, as finanças embarcadas, que é quando o produto financeiro está embarcado na jornada do consumidor”, disse.

Segundo ele, a estrutura necessária vai além da simples decisão de conceder ou não recursos.

“Infraestrutura pressupõe tecnologia, regulação e operação de uma forma muito segura”, afirmou.

O processo também envolve avaliação de risco, prevenção a fraudes e mecanismos de cobrança caso o cliente deixe de honrar o compromisso.

A Serasa Experian atende fintechs, empresas e grupos econômicos interessados em estruturar braços financeiros ou criar produtos de crédito para clientes, fornecedores e outros participantes de suas cadeias.

Juros e inadimplência aumentam importância da análise

O atual ambiente de juros elevados e avanço da inadimplência torna a avaliação de risco ainda mais relevante, segundo Biondo.

“Esse momento é muito delicado, como todo mundo sabe. O aumento da inadimplência, taxa de juros elevada, isso torna mais relevante o ponto de avaliação de crédito”, afirmou.

Para o executivo, empresas precisam combinar informações de parceiros com os próprios dados para tomar decisões adequadas ao perfil e ao momento de cada cliente.

“Você usar todos os dados disponíveis, seja de um parceiro como nós ou dados do seu próprio negócio, para tomar decisão adequada no contexto adequado”, disse.

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Biondo ressaltou que a concessão de crédito não é necessariamente positiva apenas porque foi aprovada.

“Às vezes, um crédito aprovado no momento inadequado é ruim tanto para quem concede como para quem toma”, afirmou.

Varejo abriu caminho para outros setores

O varejo foi um dos primeiros segmentos a integrar financiamento à própria operação, principalmente por meio dos tradicionais carnês.

“O varejo, como você disse, foi precursor. Os carnês, o famoso carnê, já existem há décadas”, disse.

Segundo Biondo, porém, a estratégia avançou para indústria, atacado, distribuidores e empresas de serviços.

A oferta de financiamento pode permitir aumento de prazo e limite para clientes e, ao mesmo tempo, ajudar as empresas a administrar o risco das próprias vendas.

Leia também: Febraban Tech: Análise de crédito vai além do score e passa a considerar contexto familiar, diz diretora de crédito da Serasa Experian Viviane Moura

IA melhora análise, mas também fortalece fraudadores

A inteligência artificial representa uma oportunidade para tornar a concessão de crédito mais eficiente, mas também cria novos riscos, segundo o executivo.

“Você ter inteligência artificial, modelos te ajudando a avaliar crédito, prever crédito, é uma grande oportunidade e muito positivo”, afirmou.

Por outro lado, as mesmas ferramentas podem ser exploradas por criminosos.

“Pessoas mal-intencionadas também estão usando isso para eventualmente tentar fraudar ou corromper parte desse processo”, disse.

Biondo afirmou que o desafio é incorporar a tecnologia sem enfraquecer os mecanismos de segurança.

Segundo ele, o objetivo é combinar análise de risco e prevenção a fraude para que o crédito ajude a financiar vendas sem comprometer a sustentabilidade das operações.

“A gente está olhando isso como uma baita oportunidade, com cuidado, ajudando os nossos clientes com prevenção a fraude, com uma correta avaliação para que o crédito seja bem dado”, afirmou.

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