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Recuperação extrajudicial ganha espaço como saída mais rápida para empresas em crise

Publicado 11/08/2026 • 14:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Os casos de recuperação extrajudicial tem crescido fortemente, principalmente desde 2022.
  • Eram 20 a 4 anos, dispararam para 82 em 2025 e só nesse ano já são 40, de acordo com o Observatório de Recuperação Extrajudicial.
  • Segundo a avaliação de Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito empresarial, a recuperação judicial pode ser uma alternativa mais rápida e menos custosa para empresas que enfrentam dificuldades.

Os casos de recuperação extrajudicial tem crescido fortemente, principalmente desde 2022. Eram 20 a 4 anos, dispararam para 82 em 2025 e só nesse ano já são 40, de acordo com o Observatório de Recuperação Extrajudicial.

Segundo a avaliação de Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito empresarial, a recuperação judicial pode ser uma alternativa mais rápida e menos custosa para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, desde que ainda tenham condições de voltar a ser rentáveis e consigam manter a confiança dos credores. Para ele, o crescimento desse tipo de negociação mostra que empresas em crise estão buscando alternativas antes de chegar a uma recuperação judicial.

Segundo Canutto, a principal diferença está na forma de negociação. Na recuperação extrajudicial, o devedor negocia diretamente com os credores, sem o mesmo nível de intervenção e burocracia de um processo judicial. “Não esperem o negócio se tornar inviável”, afirmou.

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Negociação pode ser concluída em dias ou semanas

De acordo com o advogado, o tempo necessário para uma recuperação extrajudicial depende principalmente do entendimento entre as partes. Se houver propostas consideradas razoáveis e disposição para chegar a um acordo, a negociação pode ser concluída em dias ou semanas.

Na recuperação judicial, por outro lado, o processo pode se prolongar por anos, segundo Canutto. Ele cita custos com administrador judicial, advogados e taxas, além do tempo que o empresário precisa dedicar ao cumprimento das exigências do processo.

A recuperação extrajudicial, portanto, pode reduzir o desgaste para a empresa e preservar uma negociação mais privada. A principal desvantagem, segundo o especialista, é a ausência da tutela direta do Judiciário.

Isso faz com que a confiança dos credores seja um elemento central. Para que o acordo funcione, a companhia precisa demonstrar que o negócio continua sendo viável e que a flexibilização das dívidas permitirá sua recuperação.

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Plano financeiro realista é essencial

Para Canutto, um dos principais riscos durante uma negociação é o excesso de otimismo do empresário em relação ao futuro da companhia.

É comum, segundo ele, que projeções de vendas e de geração de caixa sejam mais favoráveis do que a realidade permite. Um plano baseado em estimativas superdimensionadas pode levar a empresa a assumir compromissos que não conseguirá cumprir. “O grande desafio aqui é ter uma boa equipe de assessoria, tanto contábil, financeira, jurídica, para modelar financeiramente o negócio como ele de fato é e qual é a projeção real daquele negócio”, disse.

A partir dessa avaliação, a empresa pode chegar a uma proposta compatível com sua capacidade financeira e aumentar as chances de cumprir o acordo firmado com os credores.

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Endividamento pode indicar hora de agir

Entre os sinais de alerta, Canutto cita dificuldades para pagar obrigações básicas, como folha de pagamento, fornecedores e impostos. O aumento acelerado do endividamento, sem uma justificativa ligada à expansão ou aos investimentos da empresa, também pode indicar a necessidade de reestruturação.

Na avaliação do advogado, o empresário não deveria esperar que a situação financeira se torne irreversível para iniciar uma negociação.

A recuperação extrajudicial, segundo ele, não é restrita a grandes companhias. O mecanismo pode ser utilizado desde pequenos negócios, como uma padaria ou comércio, até grandes corporações.

Canutto ressalta, porém, que a existência de uma alternativa de negociação não significa que toda empresa em crise conseguirá se recuperar. O ponto central é identificar se o negócio ainda possui condições de voltar a ser rentável e construir uma proposta que seja aceitável para os credores.

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