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Ações ligadas à IA desafiam cenário macroeconômico e saltam 20% no 1º semestre

Publicado 18/07/2026 • 16:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • As ações ligadas à inteligência artificial impulsionaram o índice MSCI World Information Technology em mais de 20% no primeiro semestre de 2026.
  • A inteligência artificial se dissemina rapidamente, mas ainda enfrenta obstáculos como custos elevados, necessidade de infraestrutura e dúvidas.
  • Big techs e bancos lideram os investimentos bilionários em IA, enquanto tensões no Oriente Médio e possíveis altas de juros pelo Fed aumentam a volatilidade.
Ações com as maiores oscilações após o fechamento do mercado Nvidia, Palo Alto Networks, Oddity Tech, AMD e outras

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Mercado de ações

O setor de teincorporada.spontou como o principal destaque de Wall Street no primeiro semestre de 2026. Apesar da recente liquidação das ações, as gigantes do setor ainda acumulam ganhos expressivos no ano, levando o índice MSCI World Information Technology, que tem entre suas principais posições Nvidia, Apple Microsoft, Broadcom e Micron, a avançar mais de 20% no período. O desempenho chama a atenção dos analistas por ocorrer em um ambiente macroeconômico desafiador, marcado pelas pressões inflacionárias decorrentes da guerra no Oriente Médio e pelo aumento das expectativas de manutenção dos juros em níveis elevados pelo Federal Reserve (Fed).

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De um lado, eles apostam que os lucros do setor serão suficientes para compensar os desafios macroeconômicos; de outro cresce a dúvida sobre a sustentabilidade, no longo prazo, das premissas que embasam essas projeções. Há, contudo, um ponto de consenso: a inteligência artificial (IA) está se disseminando rapidamente, enquanto as mudanças organizacionais necessárias para capturar os maiores ganhos de produtividade e eficiência ainda não acompanharam esse avanço.

O analista da ISG e autor da TGT ISG, Pedro Bicudo Maschio, acompanhou 150 estudos de caso de IA generativa nos negócios e afirma que seu uso ainda é escasso. Ele explicou ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que com a implementação da tecnologia surgiram novas demandas dentro das empresas, como a necessidade de escolher modelos adequados, treinar agentes específicos e monitorar constantemente a qualidade das respostas dos chamados chatbots. “A primeira miopia do investidor foi acreditar que a OpenAI seria dona de tudo. É a primeira vez que uma tecnologia (LLM) não detém um único dono”, afirma ele.

Os investimentos em IA, no entanto, ainda ocorrem num mercado concentrado: as bigtechs americanas, líderes desse ecossistema, têm elevado a captação de recursos por meio de dívida e emissão de ações. Na Meta, por exemplo, o CEO Mark Zuckerberg afirmou recentemente a funcionários que os gastos com IA têm pressionado as finanças da companhia e que as ações da empresa estariam em um patamar mais elevado caso esses investimentos não tivessem sido realizados. “O desafio atual é equilibrar os ganhos de eficiência com a nova linha de despesa que a tecnologia impõe ao orçamento”, explica Bicudo.

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Mas o avanço da inteligência artificial não beneficia apenas as big techs. Com grandes IPOs esperados em Wall Street nos próximos trimestres, entre elas as potenciais listagens de OpenAI e Anthropic, a corrida global pela tecnologia também tem impulsionado os negócios das instituições financeiras, num movimento que pôde ser visto nos resultados mais recentes de Goldman Sachs e JPMorgan Chase. Segundo o diretor financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, a IA está “em toda parte nos mercados financeiros”. Além de assessorar fusões e aquisições ligadas ao setor, os bancos atuam no financiamento de data centers e projetos de infraestrutura.

Conforme os investimentos aumentam, espera-se resultados. O Wells Fargo Investment Institute projeta que a inteligência artificial impulsionará um crescimento substancial do mercado neste ano, representando quase 25% de crescimento nos lucros do S&P 500. Segundo relatório do Société Générale, as preocupações dos investidores com uma possível sobrevalorização das empresas ligadas à inteligência artificial já contribuíram para a ampliação dos spreads de crédito em relação aos de companhias de outros segmentos. O documento alerta que esses spreads podem apresentar volatilidade ainda maior caso as tensões no Oriente Médio se intensifiquem.

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As tensões geopolíticas também podem influenciar os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed) no segundo semestre. Atualmente, os mercados precificam uma probabilidade de 53,5% de que o banco central americano eleve os juros em ao menos 0,25 ponto porcentual na reunião de setembro, segundo o monitoramento do CME Group. Para a Capital Economics, uma alta moderada não representaria uma ameaça significativa, mas um aumento mais acentuado dos juros “teria impacto expressivo sobre a captação de recursos e reduziria os investimentos no setor”.

Rodrigo Torres, CFO da Quality Digital, afirma que existe uma demanda global consistente por infraestrutura de inteligência artificial, responsável por sustentar investimentos bilionários e afastar, em sua avaliação, as especulações sobre uma possível “bolha” no setor. Segundo ele, o movimento atual representa uma reprecificação dos ativos “fundamentada em lucros reais”. “As grandes empresas de computação em nuvem, como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud, estão realizando investimentos bilionários e mantêm o setor em expansão, apesar dos custos elevados no curto prazo”, afirmou. “São empresas consolidadas e não dependem exclusivamente dessa tecnologia para sustentar seus negócios.”

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