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Da poeira aos data centers: como a IA começou a redesenhar o mapa dos EUA em 2025
Publicado 01/01/2026 • 08:33 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 01/01/2026 • 08:33 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Como a IA começou a redesenhar o mapa dos EUA
Como a IA começou a redesenhar o mapa dos EUA
A IA deixou de ser um conceito abstrato e passou a moldar fisicamente o território americano em 2025. De áreas agrícolas a antigos parques industriais, gigantes de tecnologia iniciaram a construção de data centers em escala urbana, financiados por volumes históricos de dívida e sustentados por uma aposta central: a de que a demanda por poder computacional seguirá crescendo sem interrupção.
Empresas como OpenAI, Google, Meta, Microsoft, Amazon e a xAI espalharam campi de computação em regiões do interior dos Estados Unidos. As estruturas consomem volumes de energia comparáveis aos de grandes cidades e ocupam áreas equivalentes a bairros inteiros.
No Texas, o projeto Stargate, liderado pela OpenAI em parceria com Oracle, Nvidia e o SoftBank, tornou-se símbolo dessa nova fase. Cada campus pode custar cerca de US$ 50 bilhões, com capacidade elétrica suficiente para abastecer centenas de milhares de residências.
O avanço da IA tem sido financiado menos por caixa próprio e mais por dívida. Em 2025, as grandes empresas de tecnologia adicionaram mais de US$ 120 bilhões em novos empréstimos, segundo dados do Bank of America. Apenas nos últimos meses do ano, o volume captado superou US$ 90 bilhões.
Casas como Morgan Stanley e JPMorgan estimam que a infraestrutura de IA pode gerar até US$ 1,5 trilhão em novas emissões de dívida nos próximos anos. Analistas alertam que o ciclo lembra o boom da fibra óptica do início dos anos 2000, quando investimentos precederam a demanda real.
A inquietação aparece nos mercados de derivativos. Spreads de credit default swaps se ampliaram para empresas fortemente expostas à infraestrutura de IA, como a Oracle. Bancos passaram a recomendar proteção contra risco de crédito, refletindo dúvidas sobre o ritmo de retorno desses investimentos.
O movimento ocorre mesmo com a indústria de tecnologia figurando entre as mais lucrativas da história, o que reforça o debate sobre sustentabilidade financeira do atual ciclo de expansão da IA.
No centro dessa engrenagem está a OpenAI, que firmou acordos sucessivos com fornecedores e parceiros. Em poucos meses, a empresa anunciou compromissos que somam mais de US$ 1 trilhão, envolvendo chips, nuvem e infraestrutura.
Além da Nvidia, a OpenAI ampliou parcerias com AMD, Broadcom e Amazon Web Services, reduzindo a dependência exclusiva da Microsoft. Críticos classificam esse arranjo como uma economia circular, na qual capital, capacidade e receita circulam entre os mesmos grupos.
Apesar dos volumes financeiros envolvidos, executivos apontam que o principal limite da IA não é dinheiro, mas energia. Data centers exigem fornecimento contínuo e confiável, levando empresas a disputar acesso a usinas, linhas de transmissão e terrenos já energizados.
Projetos avançam próximos a fontes térmicas, hidrelétricas e até nucleares, enquanto o uso exclusivo de fontes renováveis mostra-se insuficiente para atender à demanda constante da computação em larga escala.
Defensores do movimento comparam a expansão da IA à eletrificação ou à popularização da internet. O argumento é que a escala atual permitirá aplicações comerciais capazes de gerar receitas recorrentes por meio do uso cotidiano dos modelos, na chamada fase de inferência.
Críticos, por outro lado, veem risco de excesso de capacidade e desalinhamento entre investimento e retorno. O desfecho dependerá da velocidade com que a IA se converte em produtividade real para empresas e governos.
Enquanto o debate segue, a transformação física já é visível. Data centers substituem campos, fábricas abandonadas ganham nova função e pequenas cidades entram nos mapas de investidores globais.
Para analistas, 2025 pode marcar o início de uma reconfiguração estrutural da economia americana impulsionada pela IA — ou o ponto mais alto de um ciclo que ainda será testado pelo tempo, pelo crédito e pelos limites da infraestrutura energética.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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