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Zuckerberg e Musk pedem mais energia e infraestrutura para avanço da IA durante reunião do G20

Publicado 01/09/2026 • 17:21 | Atualizado menos de um minuto

KEY POINTS

  • Infraestrutura é o principal gargalo: Zuckerberg, Musk e Hassabis destacaram que a expansão da IA exigirá mais centros de dados, energia e mão de obra qualificada.
  • Risco de crise energética: Musk alertou que a demanda por eletricidade pode gerar uma crise já em 2027 e defendeu mais investimentos em capacidade de geração.
  • IA pode transformar a economia: Musk estima que a tecnologia poderia elevar a economia mundial em até US$ 30 trilhões por ano, enquanto Hassabis prevê um impacto potencial muito superior ao da Revolução Industrial.
Mark Zuckerberg

Foto: AFP

A expansão da inteligência artificial depende de uma infraestrutura cada vez maior de centros de dados e de energia para mantê-los em funcionamento. Essa foi uma das principais mensagens apresentadas nesta terça-feira (1) por Mark Zuckerberg, Elon Musk e Demis Hassabis, chefe do Google DeepMind, durante uma reunião de ministros de tecnologia do G20.

Zuckerberg e Musk participaram do encontro de forma virtual, diretamente de Chapel Hill, na Carolina do Norte. A reunião foi organizada pela Casa Branca e faz parte de uma agenda voltada às oportunidades e às transformações provocadas pela IA, com os Estados Unidos defendendo uma abordagem com menos regras e fiscalização governamental sobre o setor.

O debate ocorre enquanto cresce, nos Estados Unidos, a oposição à construção de grandes centros de dados voltados à inteligência artificial. A questão ganhou peso político e se tornou um dos temas que podem influenciar o debate público antes das eleições de meio de mandato, previstas para este ano.

Para Zuckerberg, a expansão dos centros de dados poderá gerar uma quantidade significativa de empregos especializados. O CEO da Meta estima que serão necessários centenas de milhares, talvez milhões de trabalhadores para atender à demanda do setor.

O problema, segundo ele, é encontrar profissionais preparados para ocupar essas vagas. Zuckerberg afirmou que a própria Meta tem enfrentado dificuldades para contratar trabalhadores qualificados para os projetos de construção dos centros de dados que a companhia pretende desenvolver.

Musk coloca energia no centro da discussão

A necessidade de eletricidade foi o principal alerta feito por Musk. O empresário, que comanda a Tesla e a SpaceX, afirmou que a expansão da inteligência artificial pode levar a uma “crise de energia” e favorecer a China.

Na avaliação de Musk, a falta de capacidade energética poderá ser significativa já no próximo ano. Ele afirmou que a própria empresa está trabalhando na construção da capacidade de geração necessária para alimentar seus centros de dados.

O empresário também estimou o tamanho do impacto econômico que a IA poderá produzir. Segundo Musk, a tecnologia teria potencial para aumentar a economia mundial entre 20% e 30%, o equivalente a algo entre US$ 20 trilhões e US$ 30 trilhões por ano.

Demis Hassabis, do Google DeepMind, participou da reunião por videoconferência e apresentou uma visão ainda mais ampla sobre os possíveis efeitos da tecnologia. Para o executivo, a conquista de uma inteligência artificial de nível humano poderia provocar um impacto dez vezes maior do que o causado pela Revolução Industrial.

Hassabis destacou, porém, que o potencial econômico e tecnológico da IA precisa ser acompanhado de responsabilidade. Segundo ele, trata-se de uma grande oportunidade, mas que deve ser aproveitada de maneira responsável.

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Resistência aos centros de dados cresce nos EUA

As discussões sobre infraestrutura acontecem em um momento de aumento da resistência aos centros de dados nos Estados Unidos. Pesquisas apontam que a maioria dos americanos é atualmente contrária à construção dessas instalações, principalmente por preocupações relacionadas ao aumento das contas de energia elétrica e ao barulho produzido pelos empreendimentos.

Na segunda-feira, o presidente americano Donald Trump criticou os opositores aos centros de dados de IA e os classificou como “atrasados e pobres”. Musk também aproveitou sua participação para atacar o excesso de regulamentação tecnológica na Europa. Para ele, regras muito rígidas estariam prejudicando o desempenho das economias europeias.

O CEO da Tesla e da SpaceX defendeu que novas tecnologias sejam consideradas legais por padrão, em vez de dependerem de autorizações para serem desenvolvidas. Segundo Musk, na União Europeia, muitas iniciativas são tratadas como ilegais inicialmente, o que, embora não impeça totalmente a inovação, acaba atrasando significativamente o processo.

Representantes de França, Alemanha e Itália, além da chefe de tecnologia da União Europeia, Henna Virkkunen, estavam presentes na reunião.

G20 prepara próximas discussões sobre tecnologia

Os Estados Unidos ocupam neste ano a presidência rotativa do G20 e estão realizando uma série de encontros ministeriais antes da reunião dos líderes, marcada para 14 e 15 de dezembro, no resort Trump National Doral, em Miami.

O encontro em Chapel Hill foi organizado por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, e Howard Lutnick, secretário de Comércio.

A programação prevê ainda a participação presencial, na quarta-feira, de Jensen Huang, CEO da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI, que devem participar de conversas informais com Lutnick.

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