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Crédito deve migrar dos bancos para mercado de capitais, diz Marcelo França, CEO da Celcoin
Publicado 01/09/2026 • 17:24 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 01/09/2026 • 17:24 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A migração do crédito dos bancos para o mercado de capitais deve ganhar força nos próximos anos, abrindo espaço para que grandes empresas ofereçam diretamente financiamento e outros produtos a seus clientes, afirmou Marcelo França, CEO da Celcoin.
Em entrevista nesta terça-feira (1) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, França explicou que a aquisição da Vert Capital faz parte dessa estratégia ao incorporar à Celcoin atividades de estruturação, securitização e administração de fundos, ampliando a atuação da companhia para além da infraestrutura de tecnologia financeira.
“A gente tem visto um movimento muito forte de desconcentração bancária, o crédito saindo dos bancos para o mercado de capitais, e a gente quer ser o motor por trás dessa desconcentração”, afirmou Marcelo França.
A Celcoin atende atualmente mais de 800 empresas, entre grandes varejistas, companhias aéreas e outros negócios interessados em oferecer serviços financeiros diretamente aos próprios clientes. A companhia já possui infraestrutura de Banking as a Service (BaaS) e crédito.
Com a Vert, o grupo passa a incorporar também estruturação e securitização, permitindo ampliar os serviços oferecidos dentro do mesmo ecossistema.
“Os clientes só tendem a ganhar porque agora eles vão conseguir fazer tudo que precisam em um só lugar. A Vert vai continuar tocando toda a parte de estruturação e administração de fundos, que é o que eles fazem de melhor”, explicou o CEO.
Leia também: Como bancos usam dados para escolher clientes para crédito
Segundo Marcelo, a estratégia não prevê descaracterizar a atuação da empresa adquirida. O objetivo será combinar as operações por meio de integração de produtos e relacionamento comercial.
“Acho que essa é a parte em que a gente tende a entregar uma experiência para os clientes que hoje ainda não existe no mercado”, pontuou.
O relacionamento entre as duas companhias, segundo o executivo, começou há alguns anos e envolveu trabalhos conjuntos para diferentes clientes antes da decisão pela aquisição.
Leia também: Score de crédito pode mudar: veja o que bancos já analisam além dele
“É uma empresa que a gente admira muito: as pessoas, o produto, a tecnologia. É hoje uma administração de fundos com uma reputação muito forte no mercado, tanto relacionada ao produto, à qualidade, ao atendimento”, destacou.
Os próximos investimentos da Celcoin devem se concentrar na oferta de serviços financeiros para grandes empresas, permitindo que essas companhias atendam diretamente seus consumidores por meio das chamadas finanças embarcadas.
Na prática, a estratégia envolve fornecer infraestrutura para que empresas possam, por exemplo, financiar seus consumidores ou criar contas e oferecer crédito para lojistas e distribuidores.
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Siga o Times | CNBC“A gente quer realmente apoiar essas grandes empresas para que elas possam se preocupar só em trazer o cliente e trazer o funding das operações, para poder ao mesmo tempo fidelizar seus clientes e também monetizar em cima de serviços financeiros, aproveitando seu ecossistema grande”, ressaltou Marcelo França.
A aquisição da Vert também não encerra o movimento de consolidação da Celcoin. Marcelo França afirmou que a companhia mantém interesse em novas compras.
“A gente tem bastante apetite”, disse. Segundo ele, a empresa estruturou uma área interna de M&A depois de receber um investimento de R$ 650 milhões, em meados de 2024, para participar da consolidação do segmento de Banking and Credit as a Service.
“A gente tem apetite para mais, sempre olhando empresas que tenham bons produtos e boas pessoas e que possam estar juntas aqui na nossa jornada de crescimento”, afirmou.
Ao analisar o mercado brasileiro de fintechs, o CEO avalia que o setor atravessa uma nova etapa depois da forte expansão registrada na última década. Para ele, medidas adotadas pelo Banco Central, incluindo Pix e Open Banking, ajudaram a reduzir barreiras e aumentar a concorrência em um sistema antes fortemente concentrado em poucos bancos.
“A gente teve um crescimento muito forte das fintechs nos últimos 10 anos, especialmente graças à agenda BC+, que foram uma série de medidas criadas pelo Banco Central para melhorar um pouco o ambiente competitivo”, explicou.
Entre os efeitos dessa transformação, ele destacou a digitalização financeira promovida pelo Pix. “A gente tirou 70 milhões de pessoas que estavam usando dinheiro físico e agora foram digitalizadas graças ao Pix”, afirmou.
Depois da expansão acelerada, entretanto, o CEO avalia que a competitividade passou a representar um novo desafio. Segundo ele, o mercado já começa a revelar os principais vencedores em algumas áreas, especialmente entre empresas voltadas diretamente ao consumidor.
“A gente já está começando a identificar quem foram os grandes vencedores no mundo B2C, por exemplo, como Nubank, PagBank e outras empresas que cresceram muito”, apontou.
Para Marcelo, uma das principais frentes da próxima etapa das fintechs será justamente a infraestrutura de serviços financeiros, segmento no qual a Celcoin está posicionada.
“Hoje a gente tem outros verticais sendo trabalhados pelas fintechs e acho que um dos principais é esse de infraestrutura de serviços financeiros. A gente acredita que o próximo grande player vai vir desse segmento”, afirmou.
O executivo não identifica, neste momento, uma inovação isolada com potencial de provocar uma transformação comparável à causada pelo Pix ou pelo Open Banking. Tecnologias como blockchain e inteligência artificial estão no radar, mas a principal mudança dos próximos anos, na avaliação dele, deve ocorrer na própria estrutura do mercado.
“Acho que o que a gente vai ver ao longo dos próximos anos é essa desconcentração do mercado de crédito e banking, que traz benefício para o consumidor final”, concluiu.
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