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CNBCPrincipais analistas de Wall Street estão confiantes em três ações para o longo prazo; saiba quais são

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Como remédios para obesidade podem engordar as contas das companhias aéreas

Publicado 19/01/2026 • 07:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Analistas do Jefferies estimam que a redução do peso médio dos passageiros pode diminuir o consumo de combustível, maior custo do setor.
  • Uma queda de 10% no peso médio poderia reduzir em até 1,5% a conta de combustível e elevar o lucro por ação em até 4%.
  • American, Delta, United e Southwest podem ter ganhos relevantes de lucro com a maior eficiência energética das aeronaves.
Avião de binquedo em cima de notas de ólar

Freepik

Wall Street encontrou um beneficiário improvável da explosão dos medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos: as companhias aéreas.

Com o primeiro remédio da classe GLP-1 para obesidade agora disponível em formato de pílula, analistas do banco Jefferies afirmam que a adoção em larga escala desses tratamentos pode reduzir silenciosamente os custos de combustível – o maior gasto das empresas aéreas – e impulsionar os lucros do setor.

“Uma sociedade mais magra = menor consumo de combustível. As companhias aéreas têm histórico de obsessão por reduzir peso, desde azeitonas sem caroço até o tipo de papel usado nas revistas de bordo”, escreveu o Jefferies em relatório a clientes.

Segundo o banco, uma redução de 10% no peso médio dos passageiros poderia gerar cerca de 2% de economia no peso total da aeronave, reduzir os custos de combustível em até 1,5% e elevar o lucro por ação (EPS) em até 4%.

Pacientes já começam a ter acesso à primeira pílula de GLP-1 contra a obesidade, da Novo Nordisk, e um produto semelhante da Eli Lilly deve ser aprovado nos Estados Unidos nos próximos meses. Ao eliminar a necessidade de injeções, as versões em comprimido devem atrair um público muito maior para esse tipo de tratamento.

Leia também: Nova fase do GLP-1: comprimidos contra a obesidade avançam em 2026

Impacto nos resultados das companhias aéreas

O Jefferies estima que o efeito pode ser relevante para as maiores companhias aéreas americanas, como American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest Airlines.

Juntas, essas quatro empresas devem consumir cerca de 16 bilhões de galões de combustível em 2026, a um preço médio de US$ 2,41 por galão, o que resulta em uma conta próxima de US$ 39 bilhões — quase 19% de todas as despesas operacionais do grupo.

Partindo da premissa de que uma redução de 1% no peso da aeronave melhora a eficiência de combustível em 0,75%, o banco calcula que uma queda de apenas 2% no peso médio dos passageiros poderia gerar um ganho de cerca de 4% no lucro por ação do setor.

Isso representaria uma alta potencial de 2,8% no EPS da Delta, 3,5% da United, 4,2% da Southwest e até 11,7% da American, que tem maior sensibilidade aos custos de combustível.

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Por que o peso é tão importante

O peso é um dos principais determinantes da eficiência energética das aeronaves — algo que fabricantes como a Boeing destacam com frequência.

Quando um avião é entregue, existe um “peso operacional vazio” fixo. O limite restante até o peso máximo de decolagem é dividido entre combustível, passageiros, bagagens e carga, explicou o Jefferies.

O banco usou o Boeing 737 Max 8 como exemplo:

  • Peso operacional vazio: cerca de 99 mil libras
  • Capacidade de combustível: 46 mil libras
  • Capacidade de carga (passageiros + bagagens): 36 mil libras

Em uma configuração com 178 passageiros, com peso médio de 180 libras, os passageiros representam cerca de 32 mil libras.

Se o peso médio cair 10%, isso significaria uma redução de aproximadamente 3.200 libras, ou cerca de 2% do peso máximo de decolagem, gerando economia relevante de combustível ao longo de milhares de voos por ano.

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A obsessão histórica das aéreas por reduzir peso

A indústria aérea é conhecida por cada grama economizada. Em 2018, a United Airlines trocou o papel da revista de bordo Hemisphere por uma versão mais leve, reduzindo cerca de 28 gramas por exemplar — medida que, segundo o Jefferies, economizaria 170 mil galões de combustível por ano, o equivalente a cerca de US$ 290 mil na época.

Agora, segundo Wall Street, a revolução dos medicamentos para emagrecimento pode se tornar mais um aliado inesperado na batalha das companhias aéreas para cortar custos e ampliar margens.

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