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Veja como funciona a estratégia da Rolex para o mercado de usados
Publicado 28/12/2025 • 13:10 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 28/12/2025 • 13:10 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Rolex Daytona Paul Newman watch owned by Tom Brady, auction estimate $600-900,000, on display at Sotheby's in New York, NY on December 5, 2024. (Photo by Stephen Smith/SIPA USA)
A Rolex estruturou um programa oficial de revenda de relógios usados para conter falsificações, preservar o valor da marca e organizar um mercado secundário que já movimenta bilhões, sem transformar a iniciativa em uma nova frente relevante de receita.
O modelo autoriza varejistas e revendedores independentes já credenciados pela Rolex a comprar relógios de segunda mão. Esses parceiros ficam responsáveis pela verificação de autenticidade e pela revisão técnica das peças, seguindo os padrões da fabricante. Após essa etapa, a própria Rolex certifica os produtos como originais e concede garantia de dois anos.
A dinâmica comercial concentra a maior parte das tarefas e da remuneração nos revendedores, que também definem os preços finais dos relógios certificados. A participação direta da Rolex no faturamento é limitada.
Determinados modelos da Rolex são negociados no mercado de usados por valores superiores aos praticados nos canais oficiais. A procura supera a oferta, e há filas de espera para a compra dos cerca de 1,2 milhão de relógios novos vendidos anualmente pela empresa. Diante desse cenário, parte dos consumidores aceita pagar mais para ter acesso imediato a um modelo específico.
Segundo o Morgan Stanley, a Rolex responde por cerca de 32% do mercado global de relógios de luxo usados. Ao avaliar esse ambiente, a companhia decidiu intervir para reduzir distorções, combater falsificações e proteger o mercado primário. De acordo com o Wall Street Journal, a marca é a mais falsificada do segmento de luxo no mundo.
Internamente, o programa é visto como uma estratégia de preservação de imagem. A empresa abre mão de parte do potencial de lucro ao delegar a operação aos revendedores, priorizando o controle da experiência do consumidor e a manutenção do prestígio da marca.
Saiba mais:
Análises do Morgan Stanley indicam que compradores estão dispostos a pagar, em média, até 30% a mais por relógios usados que tenham certificação oficial. A garantia de autenticidade e funcionamento reduz o risco de fraude e aumenta a disposição ao gasto.
A Rolex foi uma das primeiras grandes marcas de luxo a estruturar um programa desse tipo. Outras grifes ainda resistem ao mercado de revenda, temendo efeitos negativos sobre a venda de produtos novos e a diluição do valor da marca, especialmente em plataformas marcadas por pouca transparência e descontos agressivos.
A Audemars Piguet também lançou uma iniciativa semelhante, mas enfrentou resistência ao estabelecer preços de forma unilateral. Entre fabricantes, prevalece a avaliação de que regras rígidas são necessárias, mas que a gestão operacional deve permanecer nas mãos dos revendedores.
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