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Versant prestes a testar o apetite de Wall Street por TV a cabo em seu primeiro balanço como empresa pública

Publicado 02/03/2026 • 15:03 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A Versant, proprietária de redes de TV paga como CNBC, MS Now e Golf Channel, divulgará seu primeiro balanço como empresa pública na terça-feira.
  • A companhia, que foi desmembrada da NBCUniversal, da Comcast, e abriu capital em janeiro, obtém a maior parte da receita de suas redes de TV a cabo e busca expandir operações digitais.
  • Os clientes do pacote tradicional de TV vêm diminuindo, o que tem pressionado as empresas de mídia.
A Versant Media Group divulgará seu primeiro relatório de resultados como empresa pública na terça-feira (3), oferecendo a Wall Street a primeira visão detalhada de uma companhia formada principalmente por redes de TV paga. O

A Versant Media Group divulgará seu primeiro relatório de resultados como empresa pública na terça-feira (3), oferecendo a Wall Street a primeira visão detalhada de uma companhia formada principalmente por redes de TV paga.

O desmembramento da Comcast – composto por CNBC, MS Now, USA Network, Golf Channel, Syfy, E! e Oxygen, além de propriedades digitais como Fandango, Rotten Tomatoes, GolfNow e Sports Engine estreou na Nasdaq em janeiro, após uma das transações mais significativas do setor de mídia nos últimos anos.

Os primeiros resultados trimestrais da empresa trarão mais detalhes sobre um portfólio de ativos que por muito tempo esteve incorporado aos resultados de TV da NBCUniversal, da Comcast. Eles também testarão o apetite de Wall Street pela TV a cabo em um momento em que o mercado enfrenta fortes pressões estruturais.

Antes de abrir capital, a Versant divulgou dados financeiros mostrando queda de receita nos últimos anos. Os ativos da empresa geraram US$ 7,1 bilhões (R$ 36,78 bilhões) em receita em 2024, abaixo dos US$ 7,4 bilhões (R$ 38,33 bilhões) em 2023 e dos US$ 7,8 bilhões (R$ 40,40 bilhões) em 2022, segundo documento protocolado na Securities and Exchange Commission.

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As ações da Versant caíram cerca de 25% desde a estreia em janeiro, pressionadas por vendas esperadas relacionadas ao desmembramento. A empresa tem valor de mercado de aproximadamente US$ 4,8 bilhões (R$ 24,86 bilhões).

Pressão sobre a TV paga

É raro atualmente ver empresas de mídia “pure-play” abrindo capital – especialmente formadas exclusivamente por redes de TV. No ano passado, a Newsmax, rede conservadora de notícias a cabo, começou a negociar ações na New York Stock Exchange. Os papéis inicialmente dispararam antes de despencarem desde a estreia.

A Versant obtém mais de 80% de sua receita total da distribuição de TV paga. Embora esse negócio ainda seja lucrativo, a tradicional “vaca leiteira” da indústria de mídia vem encolhendo, à medida que consumidores deixam o pacote tradicional em favor de alternativas de streaming.

“Na Versant, 62% da nossa audiência vem de programação ao vivo em esportes e notícias”, afirmou o CEO Mark Lazarus durante o investor day da empresa em dezembro.

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“Estamos muito confiantes na nossa posição. E os acordos que fechamos no último ano comprovam isso”, acrescentou.

A forte presença em esportes e notícias tem sido parte central do discurso da companhia aos investidores assim como o baixo nível de endividamento e o foco em propriedades digitais como motores futuros de crescimento de receita e lucro.

“O foco em esportes e notícias é positivo, já que a Versant tem muito menos redes de entretenimento geral de menor valor do que alguns concorrentes”, escreveram analistas da Raymond James em relatório divulgado no início do ano. “Embora a Versant não tenha esportes de ‘primeira linha’ como NFL, NBA ou futebol universitário, acreditamos que seu portfólio esportivo (direitos relevantes de golfe, WWE, NASCAR, etc.), combinado com MS NOW, CNBC e outras redes, sustenta o valor da VSNT para distribuidores.”

Antes da cisão, a NBCUniversal negociou acordos de distribuição com a maioria dos grandes distribuidores, como Charter Communications e o YouTube TV, do Google, que incluíam as redes da Versant. Esses contratos permanecem válidos por pelo menos os próximos dois anos mesmo após o desmembramento um colchão importante em um ambiente de negociações cada vez mais tensas, que podem resultar em apagões de conteúdo.

“Mais da metade dos nossos assinantes de TV paga está coberta por acordos que vão até 2028 ou além… muitos dos nossos contratos de esportes vão bem além de 2030”, disse Anand Kini, COO e CFO da Versant, durante o investor day. “Vemos isso como algo muito importante porque a natureza de longo prazo dessas parcerias destaca a estabilidade do nosso negócio e oferece grande visibilidade para os próximos anos.”

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As redes da Versant enfrentarão o primeiro teste independente nas negociações este ano, quando dois contratos de distribuição chegarem ao fim, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato. Um porta-voz da Versant se recusou a comentar as discussões futuras.

Normalmente, redes de notícias e esportes têm mais peso nessas negociações, mas os apagões estão se tornando mais frequentes inclusive para conteúdos com direitos de primeira linha, como a NFL.

Transição do modelo de negócios

Apesar do foco no streaming, o pacote tradicional de TV mostrou sinais recentes de estabilidade.

A Charter, um dos maiores distribuidores do pacote nos Estados Unidos, reportou adição de clientes de TV a cabo no trimestre encerrado em 31 de dezembro seu primeiro crescimento trimestral desde 2020.

Já a Comcast e outros distribuidores continuaram registrando perda de clientes, embora em ritmo mais lento do que nas quedas recentes. Isso pode indicar uma possível estabilização, segundo Craig Moffett, analista da MoffettNathanson.

Dado o peso das redes tradicionais em seu portfólio, a liderança da Versant tem dito a Wall Street que está em meio a uma mudança estratégica.

“Vemos 2026 como o primeiro ano da transição do nosso modelo de negócios”, afirmou Kini em dezembro.

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Executivos da Versant informaram aos investidores que pretendem investir em produtos diretos ao consumidor (DTC) e na expansão da TV suportada por publicidade, entre outras iniciativas de crescimento.

No longo prazo, a meta é que 50% da receita venha da TV paga e os outros 50% de negócios digitais, plataformas, assinaturas, publicidade e transações.

Fusões e aquisições também fazem parte da estratégia, embora expandir redes lineares de TV não esteja nos planos, segundo executivos. A empresa já anunciou acordos como a aquisição da Free TV Networks, fornecedora de redes digitais gratuitas via sinal aberto, e da Indy Cinema Group, sistema operacional de cinema baseado em nuvem, incorporado à Fandango.

A questão central, contudo, é se Wall Street terá paciência para acompanhar a evolução do negócio além da dependência do pacote tradicional.

O desmembramento promovido pela Comcast foi uma tentativa de se separar de um segmento em deterioração. A Warner Bros. Discovery seguiu caminho semelhante anunciando que dividiria suas redes de TV de seus ativos de streaming antes de firmar acordo com a Paramount Skydance para vender a totalidade da companhia.

Analistas que iniciaram cobertura da Versant destacam pontos fortes, como forte geração de caixa livre e portfólio concentrado em esportes e notícias, mas ainda demonstram cautela.

“Temos recomendação Neutra para VSNT devido aos desafios estruturais do negócio de redes lineares, embora estejamos encorajados pelos esforços da empresa na área de plataformas”, disseram analistas do Goldman Sachs em relatório divulgado em janeiro.

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