Legalização do casamento gay na Tailândia deve atrair 4 milhões de turistas e US$ 2 bi em receita
Publicado 18/11/2024 • 13:32 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 18/11/2024 • 13:32 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
A legislação sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo na Tailândia, que deve entrar em vigor em janeiro de 2025, pode atrair mais 4 milhões de turistas ao país anualmente, de acordo com um relatório encomendado pela empresa de viagens Agoda.
Publicado na quinta-feira, o relatório estima que a lei de igualdade no casamento pode aumentar as chegadas de turistas em 10%, gerando um adicional de US$ 2 bilhões em receita turística para o país a cada ano, dentro de um período previsto de dois anos.
As visitas devem vir não apenas de casais do mesmo sexo e seus convidados de casamento, mas também da comunidade LGBTQ.
“A Tailândia está prestes a atrair um número crescente de viajantes e trabalhadores expatriados que buscam não apenas um local de férias, mas um lugar onde possam se sentir verdadeiramente aceitos”, afirma o relatório intitulado “O Impacto Econômico da Igualdade no Casamento na Indústria Turística da Tailândia”.
A nova legislação da Tailândia deve acrescentar 76 mil empregos em tempo integral à sua indústria turística, enquanto eleva o produto interno bruto do país em 0,3%, segundo o relatório da consultoria de políticas públicas Access Partnership.
A nova lei tornará a Tailândia o terceiro lugar na Ásia a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, após Taiwan, em 2019, e, de forma mais limitada, o Nepal, em 2023. A lei também deve conceder aos casais do mesmo sexo direitos relacionados à adoção de crianças, assistência médica e herança.
Para calcular o potencial impacto econômico da nova legislação da Tailândia, o relatório examinou o efeito que as decisões sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo tiveram em outros países.
“Outros mercados, como Nova Zelândia e Estados Unidos, viram aumentos significativos em casamentos entre pessoas do mesmo sexo após a introdução da legislação de igualdade no casamento”, disse Timothy Hughes, vice-presidente de desenvolvimento corporativo da Agoda, à CNBC Travel.
A Nova Zelândia legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2013. Em 2016, a maioria dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo no país eram de visitantes, segundo o relatório.
Os australianos representaram mais da metade (58%) dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo na Nova Zelândia de 2013 a 2017, de acordo com o relatório que cita o Statistics New Zealand. Essa cifra caiu para 26% em 2017, após a Austrália aprovar sua própria lei de casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O relatório da Agoda também analisou outros fatores que influenciam os turistas internacionais, incluindo a atratividade de um destino, a acessibilidade da viagem, a facilidade de entrada e o nível percebido de aceitação das questões LGBTQIA+.
Por fim, o relatório também considerou a disponibilidade de destinos alternativos viáveis para casais do mesmo sexo na região.
“A menos de 5 horas de voo da Tailândia, há mais de 3,6 bilhões de pessoas em mercados que não têm igualdade no casamento”, disse Hughes.
Ele destacou a oportunidade econômica representada por viajantes indianos, prevendo que a Tailândia se tornará um destino prioritário “para casais indianos LGBTQIA+ e aqueles prontos para celebrar com eles”.
O planejamento, para alguns, já começou. Ann Chumaporn, ativista dos direitos humanos na Tailândia e co-fundadora do Bangkok Pride, disse que sua organização está organizando um evento de casamento em massa para casais do mesmo sexo no dia 23 de janeiro de 2025 — o primeiro dia em que os registros de casamento poderão ser feitos, segundo ela.
“Temos mais de 300 casais registrados, e nosso objetivo é alcançar 1.000 casais em todo o país”, disse ela à CNBC Travel. “Já temos casais internacionais registrados.”
O governo tailandês também visa sediar o WorldPride, um evento global de orgulho que rendeu ao estado de Nova Gales do Sul $185,6 milhões de dólares australianos ($120 milhões quando Sydney sediou em 2023, de acordo com o relatório da Agoda.
As evidências de outros mercados mostram que casais realmente viajam para se casar no exterior, mesmo que o casamento não seja reconhecido legalmente em seus países de origem, disse Timothy Hughes, da Agoda.
O “turismo arco-íris”, voltado para o universo LGBTQIA+, como é conhecido, é avaliado em US$ 200 bilhões em todo o mundo, segundo o relatório.
O “turismo arco-íris”, voltado para o universo LGBTQIA+, como é conhecido, é avaliado em US$ 200 bilhões em todo o mundo, segundo o relatório.
Em uma era de feroz competição por turistas — especialmente aqueles que gastam muito em casamentos e celebrações relacionadas — a Tailândia tem uma “oportunidade estratégica única”, disse Marcus Ng, diretor da Access Partnership.
“Embora não possamos prever o que outros mercados possam fazer, o que este relatório demonstra é que há um benefício econômico claro para a inclusão tanto para o setor de turismo quanto para a economia em geral.”
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