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Na América Latina, mini-dramas chineses estão revolucionando o mercado de streaming
Publicado 01/02/2026 • 10:09 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 01/02/2026 • 10:09 | Atualizado há 2 horas
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Pixabay
O cenário de mídia da América Latina está sendo transformado por um novo conjunto de produtores de entretenimento. Plataformas de dramas curtos, muitas vezes com vínculos comerciais com a China, vêm conquistando uma fatia cada vez maior do mercado regional de streaming de vídeo.
De acordo com o relatório State of Mobile 2026, da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, publicado na semana passada, a demanda por dramas curtos está impulsionando uma “mudança estrutural na atenção do consumidor”, com esse tipo de conteúdo prosperando na América Latina.
Globalmente, o número de downloads de plataformas de dramas curtos disparou 186% na comparação anual, alcançando 733 milhões no quarto trimestre de 2025. O volume superou o de plataformas tradicionais de streaming de vídeo, como Netflix e Disney+, que somaram 658 milhões de downloads no período, segundo o relatório.
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Os dramas curtos, também conhecidos como “microdramas” ou “minidramas”, são séries gravadas na vertical, com episódios que geralmente não ultrapassam três minutos de duração.
“O apelo dos dramas curtos está na capacidade de entregar intensidade emocional e estímulo, o que também permitiu que o formato crescesse tão rapidamente em popularidade”, afirma Wenjia Tang, pesquisadora associada do departamento de Mídia e Comunicações da Universidade de Sydney.
Popularizados inicialmente na China por meio de aplicativos de compartilhamento de conteúdo em formato curto, como o Douyin — aplicativo irmão do TikTok — e o Kuaishou, os dramas curtos ganharam apelo internacional. Plataformas populares como ReelShort e DramaBox já produzem conteúdos dublados em inglês, espanhol e francês, entre outros idiomas.
Embora esses dramas sejam cada vez mais pressionados a atender padrões mais elevados de qualidade de produção e profissionalismo, o estilo narrativo original foi amplamente mantido. O formato continua a oferecer entretenimento de baixo esforço e baixo compromisso, que não exige reflexão profunda nem atenção prolongada, disse Tang à CNBC.
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Esse tipo de conteúdo costuma ser “mais fácil de consumir” para usuários acostumados a assistir a vídeos curtos, como os do TikTok e do Instagram Reels, em vez de produções mais longas de plataformas como a Netflix, segundo Seema Shah, vice-presidente de Insights da Sensor Tower.
A Sensor Tower aponta que, embora haja um aumento significativo no consumo global de dramas curtos, a América Latina está “emergindo como a região de crescimento mais rápido em engajamento” com esse tipo de vídeo.
Os downloads latino-americanos dos 20 principais aplicativos de dramas curtos cresceram cerca de 402% em 2025, na comparação anual, após um salto de 4.300% registrado em 2024, de acordo com Shah.
Além de os usuários latino-americanos consumirem majoritariamente entretenimento em dispositivos móveis, há fortes semelhanças entre os dramas curtos e as telenovelas — um gênero de drama seriado bastante popular na região —, afirma Maria Rua Aguete, chefe de Mídia e Entretenimento da consultoria Omdia.
As plataformas de dramas curtos DramaBox e ReelShort figuraram de forma consistente entre os aplicativos de entretenimento em vídeo mais baixados da região. Em 2025, a ReelShort registrou 77 milhões de downloads, ligeiramente à frente da DramaBox, com 74 milhões, segundo dados fornecidos por Shah.
Embora oficialmente sediadas fora da China, ambas mantêm vínculos comerciais com o país.
A ReelShort pertence à Crazy Maple Studio, empresa de criação e distribuição de conteúdo fundada em 2017 em São Francisco. Apesar de ter escritórios no Vale do Silício e em Los Angeles, a Crazy Maple Studio continua sendo uma subsidiária do COL Digital Publishing Group, conglomerado de mídia chinês.
De forma semelhante, embora seja oficialmente liderada pela Storymatrix Pte. Ltd, sediada em Singapura, o conteúdo da DramaBox permanece como propriedade intelectual da chinesa DianZhong Technology, segundo uma ação por violação de direitos autorais apresentada contra a Crazy Maple Studio em 2025.
ReelShort e DramaBox fazem parte de um conjunto de empresas de entretenimento que disputam espaço no crescente mercado de streaming de vídeo da América Latina.
A Omdia estima que a receita total gerada pelo mercado latino-americano cresceu 9,1% entre 2024 e 2025 — mais que o triplo do crescimento registrado nos Estados Unidos no mesmo período. A projeção é de que essa expansão acelere para 10,7% em 2026.
Segundo Shah, a ampliação da classe média na América Latina está impulsionando a demanda por streaming de vídeos curtos, além de serviços de varejo e de transporte por aplicativo.
As plataformas de dramas curtos não são as únicas beneficiadas pelo crescimento do mercado regional. A América Latina também é uma importante fonte de expansão de receitas para gigantes do streaming, como a Netflix, que registrou na região seu crescimento mais rápido de receita em base neutra de câmbio, de acordo com o relatório de resultados do quarto trimestre de 2025.
Embora os números de downloads das plataformas de dramas curtos já tenham começado a superar os de serviços de conteúdo mais longo, especialistas não veem esses novos aplicativos como ameaças diretas aos líderes do mercado, como a Netflix.
“Não agora, e esse também não é o objetivo deles. Eles miram públicos diferentes, e seus modelos de lucro são distintos”, disse Tang à CNBC.
Embora as plataformas de dramas curtos tenham custos de produção mais baixos e consigam lançar conteúdo em um ritmo muito mais acelerado do que estúdios tradicionais, seus modelos de negócios geralmente dependem de receita publicitária e de pagamento por visualização, o que não necessariamente se traduz em margens mais altas, segundo Rua Aguete, da Omdia.
A Omdia estima que a receita total de todas as plataformas de streaming de dramas curtos fora da China deve alcançar US$ 3 bilhões em 2026. Em comparação, a Netflix reportou US$ 12 bilhões em receita apenas no quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, à medida que a demanda por dramas curtos cresce na América Latina e em outras regiões, é provável que essas plataformas contribuam para um mercado de streaming de vídeo cada vez mais diversificado.
“Não acredito que os aplicativos de dramas curtos sejam um substituto completo para o streaming tradicional. Eles são, no entanto, uma concorrência adicional pela atenção e pelo dinheiro dos consumidores”, afirma Shah, da Sensor Tower.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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