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‘Dinheiro da Fifa é seu dinheiro’: Infantino sinaliza distribuição de reservas da Fifa após pressão

Publicado 28/09/2026 • 20:53 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Gianni Infantino sinalizou apoio à distribuição responsável de parte das reservas da Fifa às associações filiadas.
  • Uefa, Concacaf e AFC sugeriram um repasse de US$ 10 milhões para cada associação e questionaram a necessidade de venda de 20% das ações de uma subsidiária da Fifa.
  • O Conselho da Fifa analisará as propostas em 15 de outubro; a eleição para a presidência está marcada para 28 de março, em Rabat.

Foto: Reprodução

Gianni Infantino sinalizou que a Fifa poderá distribuir parte de suas reservas às associações filiadas à entidade. A medida atende a uma sugestão apresentada por Uefa, Concacaf e AFC, que vinham se posicionando contra o plano de investimento privado defendido pela presidência da federação.

Em carta enviada aos presidentes das seis confederações continentais, à qual o Estadão teve acesso, Infantino recuperou uma frase dita em 2016, quando assumiu a presidência da Fifa:

“Dinheiro da Fifa é seu dinheiro. Dinheiro das associações-membro”. Na sequência, afirmou: “Os números e mecanismos agora propostos são novos. O princípio não é”.

O texto não estabelece quanto das reservas poderá ser distribuído. A Fifa prevê encerrar o ciclo de 2023 a 2026 com US$ 6 bilhões (R$ 30,9 bilhões) em reservas. Em e-mail assinado por Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, e Victor Montagliani, da Concacaf, posteriormente endossado por Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da AFC, foi sugerido um repasse de US$ 10 milhões (R$ 51,5 milhões) para cada associação filiada à entidade.

A proposta foi enviada a Infantino há pouco mais de uma semana, em contraponto ao plano de venda de 20% das ações de uma subsidiária da Fifa por quase R$ 20 bilhões. Os três dirigentes argumentaram que a operação não seria necessária porque a reserva de US$ 6 bilhões seria “consideravelmente superior ao necessário para manter a Fifa durante os anos de déficit que se seguem a uma Copa do Mundo”.

Na resposta, Infantino classificou a distribuição de reservas como uma possibilidade complementar à exploração comercial e à entrada de investimento privado. A Fifa ainda pretende apresentar uma revisão do plano na reunião do Conselho, marcada para 15 de outubro.

“A proposta comercial recente, que agora foi retirada, pretendia permitir que a Fifa investisse mais no futebol – não substituir o apoio que poderia ser fornecido de forma responsável a partir dos recursos existentes. Portanto, na verdade, teria sido uma adição”, afirmou Infantino.

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, ficará responsável por consolidar as propostas em uma avaliação integrada para análise do Conselho. As confederações e associações deverão encaminhar modelos financeiros, premissas e informações de apoio para subsidiar o trabalho.

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A partir dessa avaliação, o Conselho deverá definir o modelo para a distribuição dos recursos. Entre os pontos a serem considerados estão o valor, o momento e a finalidade dos repasses; o nível de reservas que a Fifa deverá manter para preservar sua “força financeira e independência”; além de critérios de elegibilidade, implementação, prestação de contas e auditoria.

“Eu não vou prejulgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável por meio do processo de governança adequado da Fifa, aplicado de maneira justa e apoiado por arranjos transparentes e auditáveis”, escreveu Infantino.

Na mensagem assinada por Ceferin e Montagliani, havia ainda uma referência à relação entre os recursos do programa Fifa Forward e o apoio político às decisões da entidade.

“Liberar parte dessas reservas demonstraria que as associações não deveriam ter de escolher entre desenvolvimento e boa governança; entre investimento e integridade; ou entre apoio financeiro e a capacidade de considerar propostas pelos seus méritos”, afirmaram os dirigentes.

Infantino respondeu defendendo o diálogo entre as partes. “Confiança não é a ausência de desentendimento. Ela é demonstrada quando nos envolvemos diretamente, testamos propostas contra os fatos e respeitamos decisões devidamente alcançadas por meio dos processos democráticos e institucionais da Fifa – mesmo quando o resultado difere daquele que preferíamos”, escreveu.

O Conselho da Fifa é formado por 37 integrantes, incluindo Infantino, oito vice-presidentes e 28 membros eleitos pelas associações.

O impasse em torno do plano de investimento privado gerou desgaste político para Infantino, mas o presidente voltou a reunir apoio entre as confederações. Projeções citadas no texto já consideram que ele tem força para buscar a reeleição. As candidaturas deverão ser inscritas até 28 de novembro, e a eleição está marcada para 28 de março, em Rabat, no Marrocos.

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