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Proibição das bets terá impacto no ecossistema esportivo, diz presidente do Sou do Esporte

Publicado 30/09/2026 • 14:19 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Segunda edição do PIB do Esporte terá 2025 como ano-base e deve permitir medir o peso das bets no setor.
  • Primeiro levantamento estimou que o esporte movimentou R$ 183,4 bilhões em 2023, o equivalente a 1,69% do PIB brasileiro.
  • Fabiana Bentes afirma que a proibição das bets cria insegurança jurídica e terá impacto sobre diferentes partes do ecossistema esportivo.

A proibição das bets deve produzir efeitos sobre o ecossistema econômico do esporte brasileiro, mas o tamanho desse impacto ainda precisará ser medido, afirmou Fabiana Bentes, presidente do Instituto Sou do Esporte, em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Bentes, as casas de apostas não foram incluídas na primeira edição do PIB do Esporte porque, em 2023, ano-base do levantamento, o setor ainda não estava regulamentado.

“Em 2023, as bets não estavam regulamentadas, então a gente não podia fazer análise, efetivamente, desse segmento”, explicou.

Leia também: Bets deixam clubes e federações diante de desafio financeiro após proibição no Brasil

A segunda edição do estudo terá 2025 como referência, período em que o mercado já operava sob regulamentação. Segundo Bentes, a conclusão está prevista para 2027, o que deve permitir avaliar o peso das apostas no esporte em 2025 e também analisar os efeitos registrados em 2026.

Setor movimentou R$ 183,4 bilhões

A primeira edição do PIB do Esporte apontou que o setor movimentou R$ 183,4 bilhões em 2023, o equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Segundo Bentes, a criação do indicador começou durante a pandemia, quando entidades do setor encontraram dificuldades para demonstrar ao poder público o peso econômico do esporte e a necessidade de assistência.

O projeto reuniu representantes de diferentes organizações esportivas, entre elas os comitês Olímpico e Paralímpico, a Liga Nacional de Basquete e entidades ligadas a clubes e ao esporte militar.

Para a presidente do instituto, mensurar essa participação ajuda a embasar políticas públicas e decisões de investimento.

“O grande ganho é o país entender que o recurso que ele aplica no investimento público retorna para o ecossistema de economia do Brasil”, afirmou.

Investimento gera retorno para a economia

Segundo Bentes, cada R$ 1 de investimento público no esporte gera cerca de R$ 12,83 de retorno, enquanto o investimento privado produz mais de R$ 23 para cada real aplicado.

O setor também gera mais de 3,3 milhões de empregos, de acordo com os números apresentados por ela.

Bentes defendeu que esses dados sejam usados para mudar a forma como o esporte é tratado nas políticas públicas.

Segundo ela, benefícios como inclusão social, saúde e educação dependem também da existência de investimento capaz de sustentar atletas, projetos e organizações.

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“A inclusão é consequência do investimento”, afirmou.

Ela citou a trajetória da judoca Rafaela Silva, campeã olímpica que passou pelo Instituto Reação, como exemplo de como investimento e estrutura podem permitir o desenvolvimento de atletas.

Na avaliação de Bentes, o esporte precisa ser tratado como protagonista econômico, a exemplo do papel que desempenha em potências como Estados Unidos e China.

Bets trazem insegurança jurídica

Para Bentes, a retirada das casas de apostas não deve ser analisada apenas pela entrada ou saída de recursos do setor.

Segundo ela, a mudança também traz insegurança jurídica e produz efeitos sobre diferentes partes do ecossistema esportivo.

“A questão das bets já traz uma insegurança jurídica para o esporte e aí o impacto é, digamos, de ecossistema”, afirmou.

Na avaliação da presidente do instituto, a segunda edição do PIB do Esporte será importante justamente para ampliar a capacidade de mensurar essas mudanças e seus reflexos econômicos.

Esporte vai além do impacto social

Bentes afirmou que o levantamento também busca mostrar que o esporte deve ser tratado como atividade econômica, e não apenas como instrumento de inclusão social.

Segundo ela, a cadeia envolve marcas, varejo, eventos, lazer, bem-estar e outras atividades associadas ao consumo esportivo.

“As marcas não investem só socialmente. Elas investem porque o retorno do varejo, o retorno de adesão do consumidor à questão esportiva” também fazem parte da decisão, afirmou.

Bentes destacou ainda o crescimento da busca por qualidade de vida e atividade física, que impulsiona mercados ligados ao lazer e ao wellness.

Ela também chamou atenção para atividades econômicas negativas associadas ao esporte, como a pirataria de camisas de clubes.

Na avaliação da presidente do instituto, colocar o esporte no centro da discussão econômica pode ajudar a orientar melhor investimentos públicos e privados e fazer com que os recursos cheguem de forma mais eficiente à formação de atletas e aos projetos esportivos.

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