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Banco do Brasil: estresse no agro será testado no balanço, mas dividendos robustos não devem voltar tão cedo
Publicado 10/02/2026 • 22:04 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 10/02/2026 • 22:04 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Divulgação/Banco do Brasil
Imagem de Banco do Brasil
O Banco do Brasil (BBAS3) divulga nesta quarta-feira (11), após o fechamento do mercado, o balanço do quarto trimestre de 2025, sob forte atenção de investidores. O foco está na carteira do agronegócio: o mercado quer saber se o pior do crédito rural ficou finalmente para trás ou se ainda há pressão relevante nos indicadores, que pode comprometer a lucratividade da empresa. Depois de meses de aumento de provisões para devedores e de um discurso mais conservador da administração, a expectativa não é por uma surpresa positiva, mas por sinais de estabilização.
Na avaliação de Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos, o foco está claro. “O mercado entra neste balanço do Banco do Brasil com expectativa de entender se o pior do agro ficou para trás ou se ainda há pressão relevante na qualidade de crédito.” Para ele, não se trata de esperar uma virada brusca, mas de observar a formação de novos atrasos e o desempenho das renegociações, que costumam antecipar a melhora do ciclo.
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Além da inadimplência consolidada, o mercado deve acompanhar métricas que sinalizam tendência. Pedro Ávila, analista de bancos da Varos Research, destaca que os atrasos mais curtos funcionam como termômetro do que vem pela frente. “A inadimplência de mais de 30 dias antecipa o que vai acontecer com a inadimplência de mais de 90 dias”, afirma, indicando que uma desaceleração nesse indicador já poderia sugerir alívio gradual nos próximos trimestres, mesmo que a fotografia atual ainda mostre pressão.
O segundo ponto de atenção é o custo do crédito. A pressão do agro elevou as provisões ao longo do ano passado e contaminou a rentabilidade do banco. Rios observa que uma redução no ritmo de provisões indicaria maior controle de risco e ajudaria a destravar a leitura do mercado sobre o resultado.
Os números ajudam a dimensionar o desafio. Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, o impacto já aparece com clareza na rentabilidade. “Um banco que já operou nos 20% de ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) deve fechar 2025 próximo de 11%”, diz. Segundo ele, o volume elevado de provisões mantém o custo de risco em patamar historicamente alto. “Projetamos provisões totais acima de R$ 56 bilhões no ano, com cerca de R$ 33 bilhões só no segundo semestre, levando o custo de risco para perto de 4,5%.”
Mesmo assim, parte do mercado ainda vê espaço para cautela no curto prazo. Bruno Oliveira, analista do Vida de Acionista, afirma que não espera um trimestre forte. “Eu ainda espero um fechamento ruim, bem aquém do que o Banco do Brasil consegue entregar.” Para Oliveira, a inadimplência deve continuar subindo, ainda que em ritmo menor, o que já poderia sinalizar que o cenário do agro começa a perder força.
Outro ponto monitorado por investidores é a carteira classificada como “estágio 3”, que reúne créditos problemáticos antes mesmo de entrarem oficialmente em atraso. A evolução desse estoque pode antecipar novas pressões ou indicar que a deterioração já atingiu o pico. A combinação entre provisões, qualidade da carteira e ritmo de crescimento do crédito deve ajudar a definir se o banco está apenas “parando de piorar” ou iniciando de fato um processo de normalização.
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No campo dos dividendos, o consenso é de que ainda não há espaço para retomada mais agressiva. Com o payout (parcela do lucro destinado a proventos) já sinalizado pelo banco estatal em torno de 30% para 2026 e foco em preservar capital. Segundo analistas, o retorno ao acionista tende a seguir moderado até que a inadimplência mostre melhora mais consistente e o lucro volte a ganhar tração.
Mesmo quem vê progresso adota tom realista. Para Milton Rabelo, analista da VG Research, não é razoável esperar uma guinada repentina do Banco do Brasil. “Não existem evidências de que esse resultado vai ser transformador. O que se espera é uma melhora parcial. Esse processo é gradual e não deve mudar drasticamente a dinâmica de resultados de um trimestre para o outro.”
Rabelo espera uma deterioração adicional na carteira de empresas e no segmento agrícola. O analista projeta um lucro de R$ 22 bilhões para o Banco do Brasil em 2026, com recuperação gradual nos próximos trimestres. “Também é esperada uma evolução do ROE para algo em torno de 12%, mas abaixo ainda do custo de capital do banco”, observa.
No fim das contas, o balanço deve funcionar menos como ponto de virada e mais como um teste de tendência. Se vier sem novas surpresas negativas e com sinais de estabilização do agro, o banco começa a reconstruir a confiança do investidor. Caso contrário, a cautela deve continuar ditando o ritmo das ações e dos dividendos.
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