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Entre a trégua e a cautela, mercados encerram semana de volatilidade

Publicado 19/06/2026 • 21:40 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Ibovespa caiu 1,64% na semana, pressionado por incertezas sobre a política monetária nos EUA e pela comunicação do Banco Central brasileiro após a decisão de juros
  • Queda do petróleo favorece perspectivas para inflação e setores consumidores de energia, mas pesa sobre ações de petroleiras como a Petrobras
  • Especialistas alertam que novos confrontos entre Israel e Hezbollah e a fragilidade das negociações entre Washington e Teerã mantêm elevado o risco de volatilidade nos mercados globais e nas commodities energéticas

Os mercados globais encerraram a semana divididos entre o alívio provocado pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a cautela diante das incertezas que ainda cercam o conflito no Oriente Médio. A volatilidade atingiu principalmente o petróleo, enquanto investidores também acompanharam os efeitos das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

O principal sinal de alívio veio do recuo das cotações do petróleo após o anúncio de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã e a retomada parcial da navegação no Estreito de Ormuz. O movimento reduziu parte dos temores de interrupção na oferta global de energia, embora as dúvidas sobre a implementação do acordo continuem elevadas, segundoo os agentes de mercado ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Para o diretor de investimentos e negócios da Pilar Capital, Cássio Viana de Jesus, o mercado passou a precificar um cenário de desescalada das tensões. “Mas o mercado ainda questiona o risco desse memorando”, destacou.

A queda do petróleo teve reflexos distintos nos mercados. De um lado, reduziu preocupações inflacionárias e melhorou as perspectivas para setores dependentes de energia. De outro, pressionou ações de empresas petrolíferas, especialmente a Petrobras, um dos papéis de maior peso no Ibovespa.

Apesar da melhora no cenário geopolítico, a Bolsa brasileira acumulou queda de 1,64% na semana, segundo dados da RocketTrader. Para o economista-chefe da EQI Asset, Stefano Kautz, a aversão ao risco foi alimentada principalmente pelas incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve e pela comunicação do Banco Central brasileiro após a última decisão de juros.

“Se você não sabe o que vai acontecer com o juro americano nos próximos três a seis meses, tende a se proteger e não tomar mais risco”, disse. Na avaliação do economista, a percepção de que o Banco Central brasileiro deixou dúvidas sobre sua estratégia também contribuiu para pressionar os ativos locais.

Ainda assim, Kautz avalia que a correção recente tornou a bolsa brasileira mais atrativa. “A bolsa brasileira tinha subido acima do nível das bolsas de outros emergentes e agora fechou essa diferença”, afirmou.

No campo geopolítico, entretanto, os riscos permanecem elevados. Para a consultora de risco político e relações internacionais Vera Galante, o entendimento anunciado entre Estados Unidos e Irã ainda está longe de representar uma solução definitiva.

“Trump tratou como um acordo, mas o Irã tratou como uma estrutura para uma futura conversa”, afirmou. Segundo ela, o adiamento das negociações formais e os novos confrontos entre Israel e Hezbollah mostram que a estabilidade na região ainda está distante.

A especialista destaca que a falta de confiança entre os atores envolvidos torna qualquer avanço diplomático vulnerável. “Qualquer incidente pode colocar tudo a perder”, disse.

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A preocupação dos investidores é que uma eventual deterioração do cenário volte a pressionar o petróleo e reacenda temores inflacionários globais. Ao mesmo tempo, a redução das tensões poderia favorecer o comércio internacional, aliviar custos energéticos e melhorar o ambiente para ativos de risco.

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