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Bolsa encerra janeiro com melhor desempenho em duas décadas e é destaque desde o Plano Real; o que esperar?
Publicado 30/01/2026 • 20:42 | Atualizado há 5 horas
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Publicado 30/01/2026 • 20:42 | Atualizado há 5 horas
KEY POINTS
Divulgação/B3
Ibovespa B3
O Ibovespa B3 encerrou o primeiro mês de 2026 consolidando um dos períodos mais brilhantes de sua história recente. Apesar de uma correção técnica nesta sexta-feira (30), o índice fechou o mês aos 181.363,90 pontos, sustentando-se acima do importante patamar psicológico dos 180 mil pontos.
O saldo de janeiro revela um avanço absoluto de 20.008,11 pontos, a maior alta mensal em números nominais já registrada na história do índice.
Em termos percentuais, a valorização de 12,56% marca o melhor desempenho para um mês de janeiro nas última duas décadas. Em 2006, o índice chegou a saltar 14,55%.
Ao longo do mês, o termômetro da bolsa brasileira cravou oito recordes nominais, atingindo sua máxima histórica intradiária de 186.449,75 pontos no dia 29 de janeiro.
A performance de janeiro não foi um evento isolado, mas o ápice de um ciclo de otimismo que colocou o índice em um patamar de destaque histórico.
De acordo com levantamento exclusivo do TradeMap, o Ibovespa B3 alcançou a 3ª maior sequência de altas mensais desde a implementação do Plano Real em 1994.
Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o índice acumulou 6 meses consecutivos de valorização, resultando em um ganho de 36,29% no período. Esta consistência só foi superada pela sequência de 16 meses entre 1996 e 1997, e empata em duração com os ciclos de recuperação de 2003 e 2009.
| Período | Variação (%) | Qtde. de Meses |
| Abr/96 a Jul/97 | 159,79% | 16 |
| Jul/03 a Dez/03 | 71,42% | 6 |
| Ago/25 a Jan/26 | 36,29% | 6 |
| Jul/09 a Dez/09 | 33,27% | 6 |
Fonte: levantamento TradeMap
O movimento de janeiro foi impulsionado por uma rotação de ativos que beneficiou setores educacionais, imobiliário e commodities, enquanto o varejo e a saúde sofreram com ajustes de portfólio.
As Estrelas do Mês (Altas):
As Maiores Pressões (Baixas):
A queda de 0,97% observada nesta sexta-feira foi classificada por analistas como um movimento de realização de lucros, perfeitamente natural após uma valorização tão expressiva em números absolutos.
O mercado aproveitou o último pregão para ajustar posições, influenciado também pela cautela externa e pelo avanço do dólar comercial, que subiu 1,03%, encerrando a R$ 5,24.
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Ibovespa B3 fecha em queda, mas tem mês com maior alta da história
No cenário internacional, a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi recebida com otimismo. Especialistas destacam que Warsh é visto como um nome técnico e mais independente, o que acalmou os temores de uma gestão politizada no BC americano.
A alta da bolsa em janeiro reflete muito mais o cenário externo do que fatores domésticos pontuais. Um dólar mais fraco, junto com a reprecificação de juros globais, tende a sustentar fluxo para mercados emergentes, que são menos líquidos e reagem de forma mais intensa a qualquer realocação marginal”, afirmou Jayme Simão, socio-fundador do Hub do Investidor.
“Se esse ambiente externo se mantiver, com inflação global mais controlada e menor pressão sobre juros reais, ainda há espaço para continuidade do movimento. O principal freio viria de uma reversão no dólar ou de algum choque externo que volte a pressionar ativos de risco”, destaca Simão.
Esse alívio institucional, somado ao forte fluxo de investidores que buscam diversificação em renda variável, sustenta a tese de que a bolsa brasileira vive um momento de sofisticação e valorização estratégica.
Para os investidores que buscam exposição diversificada, a B3 oferece os ETFs, fundos que replicam o desempenho de índices, que facilitam o acesso a diferentes teses de investimento.
Em 2025, diversos indicadores apresentaram resultados expressivos, com destaque para setores essenciais e financeiros, apontam dados da bolsa brasileira. Veja alguns destaques e as posições no ranking
| Posição | Índices B3 | Código | Retorno % | Ticker do ETF |
| 1 | Utilidade Pública | UTIL | 63,16 | UTLL11 |
| 2 | Ibov. BR+ Cap 5% | IBBC | 49,02 | CAPE11 |
| 3 | Financeiro | IFNC | 46,21 | FIND11 |
| 4 | Ibov. Empresas Privadas | IBEP | 42,90 | SPVT11 |
| 5 | Ibov. Smart Low Vol | IBLV | 40,89 | LVOL11 |
| 9 | Ibovespa | IBOV | 33,95 | BOVA11 |
O índice de Utilidade Pública (UTIL) liderou o ranking com alta de 63,16%, seguido pelo Ibov. BR+ Cap 5% (IBBC), que avançou 49,02%. Além dos ETFs, o mercado conta com derivativos, como contratos futuros e opções, que permitem proteger carteiras ou realizar operações de alavancagem sobre a direção futura do mercado.
Diante de um desempenho histórico em janeiro, a dúvida dos investidores é se nos próximos meses a bolsa segue apresentando um desempenho forte ou se trata de um voo da galinha.
Para o analista Lucas Lima, da VG Research, a tendência para a bolsa permanece positiva para os próximos meses, embora a forte valorização recente tenha deixado o preço de grandes empresas em patamares elevados. Ele adverte que, com o valuation (avaliação) mais esticado, o mercado torna-se sensível a qualquer ruído: “as blue chips (empresas de grande porte na B3) ficaram com valuation mais esticado após a forte alta recente e qualquer notícia minimamente negativa pode ocasionar em uma realização de lucro”.
Para o analista, a sustentação da alta da bolsa no Brasil depende diretamente da manutenção de um cenário de dólar fraco globalmente, o que pode ser influenciado pelas falas de Donald Trump e pelas decisões do próximo presidente do Federal Reserve.
Apesar da volatilidade prevista, Lima destaca que o plano de fundo para o país segue construtivo e o fluxo estrangeiro deve continuar em busca de diversificação e menor posição na moeda americana. Internamente, o cenário é favorecido por um ciclo eleitoral mais pró mercado e pelo “possível início de redução da taxa de juros já na próxima reunião”, fatores que ajudam a sustentar a trajetória de crescimento do índice no longo prazo.
Já Danilo Coelho, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, encara o recuo registrado nesta sexta-feira como um ajuste técnico esperado e de baixa relevância: “o que vemos no Ibovespa hoje é mais um movimento de realização, nada muito relevante, nada que seja muito acentuado, comparado ao que é normal de variação na casa de 1% até 2%”.
Ele observa que o mercado internacional reagiu positivamente à escolha de Kevin Warsh para o Fed, pois é um nome menos alinhado às vontades políticas de Trump. Segundo o especialista, isso gerou uma expectativa de que a condução da autoridade monetária será mais neutra e isenta, reduzindo o temor de um Banco Central aparelhado.
Danilo Coelho pondera, no entanto, que fatores domésticos específicos podem gerar ruídos, como as investigações da CPMI e movimentações envolvendo Daniel Vorcaro. Nesses momentos, ele nota que alguns investidores preferem reduzir a exposição em ações e migrar para a segurança da renda fixa e dos juros futuros até que esses eventos passem.
Além disso, ele aponta que a queda recente do petróleo, após diversas altas, contribuiu diretamente para a pressão negativa sobre as petrolíferas da bolsa, citando especificamente a Petrobras, Brava Energia e PetroRecôncavo.
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