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Ibovespa cai 1,15% com aversão ao risco; dólar sobe a R$ 5,03 com eleição no radar
Publicado 22/10/2026 • 18:10 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 22/10/2026 • 18:10 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O Ibovespa fechou em queda de 1,15% nesta quinta-feira (22), aos 204.120,12 pontos, pressionado pela piora do ambiente externo e pela cautela dos investidores diante da proximidade do segundo turno das eleições presidenciais. O dólar avançou 0,23%, a R$ 5,0394, em um movimento de busca por proteção diante das incertezas políticas e do aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.
O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 203.051,87 pontos e a máxima de 206.493,11 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 25,8 bilhões.
No câmbio, a moeda americana também apresentou volatilidade, negociada entre R$ 5,0226 e R$ 5,0559 durante a sessão.
Leia também: Petróleo dispara e Brent supera US$ 113 em meio à escalada das tensões no Oriente Médio
Além das preocupações com a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o mercado acompanhou a alta do petróleo, as tensões envolvendo o Irã e os questionamentos sobre os investimentos em inteligência artificial. No cenário doméstico, investidores também aguardavam a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha no fim da tarde.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Artur Horta, head de análise da GTF Capital, afirmou que a queda da bolsa brasileira refletiu uma combinação de fatores internacionais e domésticos.
Segundo o analista, o acirramento das tensões no Irã e a manutenção dos preços elevados do petróleo aumentaram a cautela dos investidores ao redor do mundo, provocando uma redução da exposição a ativos de risco.
Horta destacou que o mercado brasileiro vinha resistindo a parte das quedas registradas no exterior, mas acabou sendo afetado pelo movimento global nesta quinta-feira.
Na avaliação do analista, investidores que acumularam ganhos com a valorização da bolsa desde o primeiro turno das eleições também aproveitaram o ambiente de maior incerteza para realizar lucros.
Esse movimento contribuiu para aprofundar as perdas do Ibovespa e aumentar a procura pelo dólar, utilizado por parte dos investidores como instrumento de proteção contra oscilações do mercado brasileiro.
Além do cenário internacional, as eleições presidenciais continuaram influenciando as negociações no mercado local.
A pesquisa Quaest mostrou um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No levantamento, Flávio apareceu com 45% das intenções de voto, ante 44% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A incerteza eleitoral também se refletiu no S&P/B3 Ibovespa VIX, conhecido como “índice do medo”, que renovou recorde nesta quinta-feira. Por volta das 15h15, o indicador avançava mais de 7%, aos 45,42 pontos, após ter registrado alta de 8% na sessão anterior.
O índice mede a volatilidade esperada para os próximos 30 dias e funciona como um termômetro da percepção de risco dos investidores. A disparada ocorre às vésperas do segundo turno, em um momento de maior procura por proteção contra possíveis oscilações da bolsa brasileira.
Durante a sessão, os juros futuros também avançaram, refletindo a maior cautela dos agentes financeiros.
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Siga o Times | CNBCHorta avaliou que o comportamento recente dos ativos brasileiros sugere que parte dos investidores trabalha com a possibilidade de uma vitória apertada de Flávio Bolsonaro, embora o resultado permaneça incerto.
Segundo o analista, a proximidade da votação tem incentivado a montagem de estruturas de proteção, seja por meio da venda de ações, seja pela utilização de instrumentos financeiros que permitem reduzir eventuais perdas.
A compra de dólares também aparece entre as estratégias adotadas por investidores que procuram se proteger de uma possível reação negativa dos mercados ao resultado eleitoral.
Para Horta, a tendência é que a cautela continue no último pregão antes do segundo turno, diante da possibilidade de mudanças significativas nos preços dos ativos após a definição do próximo presidente.
Enquanto o real perdeu valor frente ao dólar, a moeda americana apresentou queda em relação às principais divisas internacionais.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,15%, aos 101,631 pontos.
O euro caía 0,16%, a US$ 1,1214, enquanto a libra operava estável, a US$ 1,3395.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para novembro avançava 0,36% às 17h08, cotado a R$ 5,0510.
Leia também: Bolsas da Europa caem com pressão sobre tecnologia e alta do petróleo
O desempenho do câmbio brasileiro reforçou a influência das incertezas políticas domésticas sobre a moeda. Horta também apontou que, no mercado internacional, investidores passaram a buscar outras moedas consideradas defensivas, como o iene japonês e o franco suíço.
Outro fator de pressão sobre os mercados internacionais foi a preocupação com os investimentos elevados das empresas de tecnologia em inteligência artificial.
Durante a entrevista, Horta afirmou que investidores estão questionando a capacidade dessas companhias de transformar os gastos crescentes com tecnologia em receitas e geração de caixa.
Segundo o analista, empresas que mantêm investimentos elevados sem apresentar retornos financeiros compatíveis podem enfrentar uma perda de confiança por parte dos acionistas, especialmente em um ambiente de juros altos.
Para Horta, a capacidade de comprovar que os investimentos em inteligência artificial são sustentáveis será determinante para o desempenho das ações do setor nos próximos meses.
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