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Ibovespa recua 0,74% e devolve parte dos ganhos pós-eleição; dólar volta a R$ 5,01 com debate sobre escala 6×1

Publicado 07/10/2026 • 17:39 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa caiu 0,74%, aos 204.302,33 pontos, após oscilar entre 204.176,12 e 206.877,47 pontos; volume financeiro somou R$ 40,3 bilhões.
  • Mercado absorveu parte dos ganhos acumulados desde o primeiro turno, enquanto o ambiente externo piorou com petróleo acima de US$ 100 e sinalização de novas altas de juros nos Estados Unidos.
  • Dólar subiu 0,72%, a R$ 5,0112, com avanço da moeda americana no exterior e cautela após declarações sobre a possibilidade de acelerar a PEC que acaba com a escala 6x1.

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (7), pelo segundo pregão consecutivo após a disparada histórica registrada na abertura da semana. O índice permaneceu acima dos 204 mil pontos, mas perdeu força diante de um exterior mais adverso e da acomodação de parte das posições montadas depois do primeiro turno.

O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,74%, aos 204.302,33 pontos, depois de oscilar entre 204.176,12 e 206.877,47 pontos. O volume financeiro somou R$ 40,3 bilhões.

No câmbio, o dólar voltou a superar R$ 5. A moeda americana avançou 0,72%, a R$ 5,0112, após variar entre R$ 4,9819 e R$ 5,0167. Às 17h06, o contrato futuro para novembro subia 0,55%, a R$ 5,0340.

Bolsa acomoda ganhos após disparada

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, avaliou que o recuo desta quarta-feira faz parte de um processo natural de acomodação após a forte valorização de segunda.

“Acho que é natural que o mercado se acomode depois de um rali tão violento como foi o de segunda-feira, com recorde de entrada de estrangeiros, com volume recorde e com uma alta muito expressiva na bolsa”, afirmou.

Petrobras avançou durante a sessão, favorecida pela retomada do petróleo para níveis superiores a US$ 100. Vale e bancos, por outro lado, pressionaram o índice.

Corleta disse não enxergar um fator doméstico isolado capaz de explicar a queda do Ibovespa nesta quarta-feira. Para ele, o movimento teve peso importante do exterior.

Ainda assim, o índice segue bem acima dos níveis anteriores ao primeiro turno e preserva a marca dos 200 mil pontos conquistada após a eleição.

Segundo Corleta, esse patamar passou a funcionar como uma referência importante para os investidores depois da reprecificação observada nesta semana.

“Os 200 mil pontos são um nível de suporte psicológico importante a partir dessa nova realidade que foi inaugurada na segunda-feira”, afirmou.

Leia também: Petróleo fecha em queda com tensões no Oriente Médio e estoques da commodity nos EUA

Exterior aumenta pressão

Corleta destacou o aumento da cautela na Europa, com protestos na França e ampliação da diferença entre os juros da dívida francesa e alemã. As tensões no Estreito de Ormuz também voltaram a pressionar o petróleo, que superou novamente a marca de US$ 100 por barril.

Nos Estados Unidos, a ata da última reunião do Federal Reserve reforçou a perspectiva de que o ciclo de alta dos juros ainda não terminou.

Embora o mercado trabalhe com manutenção da taxa na reunião deste mês, o documento indicou que dirigentes continuam considerando necessário um novo aumento até o fim do ano.

Esse cenário favoreceu o dólar globalmente. O índice DXY avançava 0,44%, aos 102,286 pontos. O euro recuava 0,60%, a US$ 1,1194, enquanto a libra perdia 0,48%, a US$ 1,3210.

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Segundo turno entra em nova fase

No Brasil, investidores também começaram a se preparar para as primeiras pesquisas do segundo turno. Corleta afirmou que o mercado continua trabalhando com um cenário mais favorável a Flávio Bolsonaro (PL) depois do resultado das urnas, mas destacou que os levantamentos das próximas semanas podem alterar rapidamente essa percepção.

“Se as pesquisas mostrarem um crescimento do Lula para esse segundo turno e você começar a ver isso sendo precificado também em bolsas de aposta, pode ser que a gente tenha uma correção do mercado”, disse.

O analista ressaltou que ainda restam quase três semanas de campanha e que a próxima rodada de pesquisas será importante para avaliar se a vantagem percebida após o primeiro turno será mantida.

Fim da escala 6×1 entra nas contas

Outro tema que ganhou espaço nesta quarta-feira foi a proposta para acabar com a escala de trabalho 6×1.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou que a tramitação da PEC poderá ser acelerada caso um senador apresente requerimento e o plenário aprove o pedido.

As declarações coincidiram com uma ampliação da alta do dólar no fim da sessão.

Corleta afirmou que a discussão pode atingir setores intensivos em mão de obra, como varejo, indústria e construção civil, devido à possibilidade de aumento dos custos trabalhistas.

Para o mercado, porém, ele avalia que o efeito eleitoral da proposta pode ser mais relevante no curto prazo do que o impacto direto sobre os balanços das empresas.

“Eu acho que o mercado está operando menos o resultado e as linhas de balanço dessas empresas neste momento e mais as expectativas para a política econômica a partir de 2027”, afirmou.

Segundo ele, a escala 6×1 pode ganhar importância para os ativos principalmente se o tema produzir mudanças nas pesquisas presidenciais e, consequentemente, nas expectativas para inflação, fiscal e juros.

Leia também: Ouro perde força com dólar em alta e investidores de olho no Fed

Dólar volta a superar R$ 5

Depois de fechar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio na terça-feira, o dólar recuperou terreno nesta quarta.

A moeda subiu 0,72%, a R$ 5,0112, combinando o fortalecimento global do dólar com a maior cautela no cenário doméstico.

A ata do Fed ajudou a sustentar a moeda americana, enquanto o noticiário político brasileiro ganhou peso na reta final da sessão com a discussão sobre a escala 6×1.

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