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Ibovespa sobe 1,37% com investidores de olho na reta final da eleição; dólar cai a R$ 5,18 e fica estável no mês

Publicado 30/09/2026 • 18:14 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa avançou 1,37%, aos 186.340,46 pontos, com volume financeiro de R$ 27,6 bilhões; em setembro, o índice acumulou alta de 5,03%.
  • Inflação PCE abaixo do esperado nos Estados Unidos reduziu parte das apostas em nova alta de juros pelo Fed já em outubro e melhorou o apetite por risco.
  • Dólar caiu 0,81%, a R$ 5,1750, mesmo com avanço da moeda americana no exterior, e encerrou setembro praticamente estável, com baixa de 0,10%.

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (30), impulsionado pela melhora do ambiente externo e pelo avanço das ações do setor financeiro. A inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos reduziu parte das apostas em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já em outubro. No Brasil, a proximidade do primeiro turno das eleições manteve a disputa presidencial entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.

O principal índice da bolsa brasileira avançou 1,37%, aos 186.340,46 pontos, após oscilar entre 183.879,71 e 187.834,97 pontos. O volume financeiro somou R$ 27,6 bilhões.

Com o resultado, o Ibovespa encerrou setembro com alta acumulada de 5,03%.

No câmbio, o dólar à vista caiu 0,81%, a R$ 5,1750, depois de variar entre R$ 5,1643 e R$ 5,2189. No mês, a moeda terminou praticamente estável, com recuo de 0,10%. Às 17h08, o contrato futuro para novembro caía 0,56%, a R$ 5,2030.

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Inflação dos EUA melhora humor dos mercados

O principal impulso externo veio da divulgação do índice de preços de gastos com consumo, o PCE, medida de inflação acompanhada de perto pelo Fed.

O indicador mostrou avanço menor do que o esperado em agosto, reduzindo a percepção de urgência para uma nova alta dos juros americanos na reunião de outubro. No acumulado de 12 meses, o PCE avançou 3,4%, enquanto o núcleo ficou em 3%.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que o dado trouxe alívio depois do aumento recente das preocupações com inflação e juros nos Estados Unidos.

Segundo Corleta, parte do mercado passou a considerar a possibilidade de o Fed manter os juros inalterados em outubro e retomar o aperto monetário apenas mais adiante.

A leitura ganhou força nos mercados futuros depois da divulgação do PCE. As apostas em uma alta de juros já em outubro diminuíram, embora a inflação ainda permaneça acima da meta de 2% do Fed.

Bancos puxam alta no Brasil

No mercado doméstico, as ações financeiras estiveram entre os destaques e ajudaram o Ibovespa a superar o desempenho de boa parte dos mercados internacionais.

Corleta destacou que o movimento brasileiro foi mais intenso do que o observado no exterior.

“Apesar desse ânimo global, o Brasil se destaca. A bolsa brasileira sobe mais, o real se valoriza mais do que outras moedas na sessão de hoje”, afirmou.

Na avaliação dele, o desempenho refletiu uma combinação do alívio vindo dos Estados Unidos com o posicionamento dos investidores antes da eleição presidencial.

A sessão também foi marcada por forte oscilação. O Ibovespa chegou a 187.834,97 pontos na máxima, antes de reduzir parte dos ganhos no fim do pregão.

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Eleição ganha peso às vésperas do primeiro turno

A corrida ao Planalto continuou influenciando as decisões dos investidores a quatro dias da votação.

Os levantamentos mais recentes seguem mostrando uma disputa apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Corleta afirmou que o mercado tem ajustado as posições conforme muda a percepção sobre a disputa e sobre as possíveis políticas econômicas após a eleição.

“Entendo que essa grande alta do dia e a queda do dólar sejam marcadas tanto por esse vento favorável do exterior quanto por expectativas para as eleições de domingo”, disse.

Dólar cai mesmo com alta no exterior

O ambiente doméstico também se destacou no câmbio. O dólar caiu 0,81%, a R$ 5,1750, apesar de a moeda americana avançar contra outras divisas importantes. No fim da tarde, o índice DXY subia 0,11%, aos 101,487 pontos.

O euro recuava 0,13%, a US$ 1,1328, enquanto a libra avançava 0,26%, a US$ 1,3263.

A combinação entre menor pressão sobre os juros americanos e maior procura por ativos brasileiros ajudou o real a se descolar do movimento externo. A formação da Ptax de fim de mês também aumentou a volatilidade do câmbio ao longo da sessão.

Apesar da queda desta quarta-feira, o dólar terminou setembro praticamente no mesmo nível em que iniciou o mês, acumulando baixa de apenas 0,10%.

Leia também: Ouro sobe 0,16% após PCE abaixo do esperado reduzir apostas de alta de juros nos EUA

Juros longos dos EUA ainda preocupam

O alívio proporcionado pelo PCE não eliminou uma das principais fontes de preocupação dos mercados globais: o nível elevado dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo.

Corleta destacou que os títulos americanos de dez anos permanecem acima de 5%, enquanto os de 30 anos operam em níveis elevados diante das incertezas fiscais, geopolíticas e comerciais dos Estados Unidos.

“Os títulos longos nos Estados Unidos hoje certamente são a maior preocupação dos investidores a nível global”, afirmou.

Para o analista, uma sequência de dados de inflação mais moderados, combinada a eventual redução das tensões geopolíticas e dos preços do petróleo, poderia diminuir a pressão sobre os juros americanos.

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