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CNBCExclusivo: Conflito no Irã ameaça turismo global avaliado em US$ 11,7 trilhões e afeta milhões de viajantes

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Ibovespa despenca e volta aos 180 mil pontos com aversão ao risco; pior semana do índice desde novembro de 2022

Publicado 05/03/2026 • 18:20 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • O principal índice da bolsa brasileira sofreu um recuo severo e perdeu o importante patamar de sustentação alcançado nas últimas semanas.
  • A desvalorização foi provocada pelo anúncio de restrições à navegação em uma das principais rotas de petróleo do mundo e pela instabilidade política interna.
  • O cenário de incerteza global eleva o temor de novos picos inflacionários e coloca em dúvida o ritmo de queda das taxas de juros no Brasil.

O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (5) em queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos, com uma perda severa de 4.902,60 pontos no dia. O pregão foi marcado por um forte pessimismo que fez o índice zerar os ganhos do último mês em apenas quatro dias, voltando ao patamar dos 180 mil pontos.

Foi o pior desempenho semanal desde a semana de 11 de novembro de 2022, quando o Ibovespa caiu 5%.

A escalada do conflito no Oriente Médio atingiu um ponto crítico com o anúncio do Irã sobre o fechamento parcial do Estreito de Ormuz para embarcações ocidentais. A medida provocou um salto imediato no preço do petróleo Brent, elevando os temores de um choque inflacionário global.

Segundo Enrico Cozzolino, CEO e estrategista da Zermatt Partners, a insegurança nos países vizinhos ao Irã tem provocado uma fuga em massa para ativos de segurança. “O mercado talvez teria precificado um encerramento ou uma diminuição da retaliação do Irã, e com essa continuidade a gente vê mais um dia de queda para o Ibovespa. Quando a gente olha o impacto de petróleo na inflação é o que tem preocupado os investidores. O mercado coloca em xeque essa possibilidade de corte de juros, uma vez que caminhamos para uma inflação mais alta com o petróleo e depreciação do real frente ao dólar”, analisa.

O cenário de guerra impossibilita a mensuração exata dos riscos, o que empurra os agentes para a proteção em moedas fortes. Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, explica que o movimento é uma resposta direta à incerteza. “É uma guerra e um evento que é impossível se mensurar o risco, você gera um receio maior nos agentes do que outros eventos um pouco tensos já geraram. Optando pela proteção, você corre para o dólar; é isso que os agentes fizeram. O dólar se valorizou tanto no DXY quanto em relação ao real, enquanto a bolsa caiu. Estão tirando recursos daqui por conta da aversão ao risco mesmo e as próprias bolsas americanas perderam um pouco. O cenário é de uma guerra que envolve petróleo, o preço sobe e os agentes se protegem em ativos de segurança, exigindo maior remuneração”, afirma Sartori.

A pressão sobre a política monetária tornou-se o tema central das mesas de operação. José Victor Cassiolato, estrategista da Victrix Capital, observa que a alta dos juros futuros reflete o receio de que o conflito se prolongue além do previsto. “O mercado reagiu com aversão ao risco, principalmente por conta da alta de juros. Essa alta é uma consequência do desenvolvimento do conflito do Irã, que acaba tendo o envolvimento de outros países e também, possivelmente, se alongando por mais do que as cinco semanas previamente previstas pelo Donald Trump. Isso tem dois efeitos: a valorização do dólar contra o real e a valorização do petróleo por um tempo maior, causando uma pressão inflacionária que faz com que o corte de juros que estava previamente previsto seja diluído”, pontua.

Para Hugo Queiroz, sócio e diretor da L4 Capital, o mercado está precificando uma mudança drástica no custo de oportunidade. “O cenário macroeconômico deu uma apertada e é esse ambiente que tem pesado na Bolsa. A gente está falando de um Brent que vai buscar 90 e vai embora por esse conflito Estados Unidos e Irã. Isso vai pressionar a inflação e o reflexo vai gerar uma mudança da política monetária. O que a gente via de Selic indo para 11%, os agentes começam a pensar em 13% agora. Isso impacta custo de oportunidade, taxa de desconto e deprecia-se o valor dos ativos. O mercado odeia incerteza e é isso que estamos vendo no preço hoje”, alerta.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, ressalta que o receio da transmissão de um choque geopolítico para o macroeconômico é o que dita a volatilidade atual. “A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã elevou a busca por proteção, impulsionando a moeda americana. O receio de maiores implicações na inflação e crescimento mundial vem sendo incorporado nas expectativas de mercado”, afirma. O índice de volatilidade VIX voltou a operar em patamares elevados, confirmando o estresse generalizado.

No cenário interno, a crise envolvendo o Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro adicionaram uma camada de instabilidade institucional. A Polícia Federal encontrou mensagens mencionando autoridades no âmbito da Operação Compliance Zero. Fernando Bresciani, analista do Andbank, reforça que o dia foi de forte realização.

“No Brasil, o dia foi marcado por maior aversão a risco. Os juros futuros avançaram, o dólar subiu e a bolsa caiu com mais força, em um movimento de realização. Entre os principais destaques negativos do índice estiveram Petrobras e Vale, que pressionaram o Ibovespa ao longo do pregão. No caso da estatal, o mercado também segue cauteloso à espera do balanço que será divulgado hoje à noite, em meio a expectativas de dividendos menores”, afirma.

Encerrando a análise, Pedro Ros, CEO da Referência Capital, ressalta que o fechamento na casa dos 180 mil pontos testa a resiliência do mercado. “A relevância estratégica do Estreito de Ormuz não pode ser subestimada, uma vez que por ali trafega aproximadamente 20% do petróleo e gás mundial. O anúncio de restrições gera um choque de oferta imediato, elevando os prêmios de seguro e o custo do barril Brent. Se o petróleo se mantiver em patamares elevados, o Banco Central poderá adotar uma postura mais conservadora no ciclo de juros, pressionando setores sensíveis ao crédito. O fechamento de hoje não deve ser lido como um pânico generalizado, mas sim como um ajuste necessário diante de uma nova realidade diplomática e logística global”, explica Ros.

Desempenho das ações

Maiores altas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
BraskemBRKM516,94R$ 12,70
PetroRecôncavoRECV32,80R$ 12,85
PrioPRIO32,59R$ 56,96
UltraparUGPA30,50R$ 25,99
PetrobrasPETR40,47R$ 40,69
Pão de AçúcarPCAR30,34R$ 2,98
Brava EnergiaBRAV30,27R$ 18,86
Fonte: TradeMap

Entre as poucas altas do dia, a BRKM5 saltou 16,94%, descolando-se do índice em um movimento de forte recuperação. As petroleiras juniores também conseguiram avançar com a alta da commodity, com PRIO3 subindo 2,59% e RECV3 com ganho de 2,80%.

A PETR4 encerrou com estabilidade e viés de alta de 0,47%, em dia de expectativa pela divulgação do balanço trimestral da estatal após o fechamento do mercado.

Maiores baixas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
LocalizaRENT4-7,26R$ 44,47
LocalizaRENT3-6,87R$ 46,90
MinervaBEEF3-6,42R$ 4,52
CSNCSNA3-6,13R$ 7,51
EmbraerEMBJ3-5,71R$ 87,16
MarfrigMBRF3-5,65R$ 18,38
CosanCSAN3-5,46R$ 5,71
Fonte: TradeMap

Na ponta negativa, o setor de consumo e exportação sofreu perdas pesadas. A RENT4 liderou as baixas com queda de 7,26%, seguida de perto pela BEEF3, que recuou 6,42%. O setor industrial também foi penalizado, com EMBJ3 caindo 5,71%.

Entre as blue chips, a VALE3 recuou 3,33%, ignorando a alta do minério de ferro na China, enquanto o setor bancário foi castigado pelo cenário de juros altos e incertezas institucionais, com ITUB4 caindo 3,33% e BBDC4 perdendo 3,22%.

Análise exclusiva

O especialista Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, explicou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC que o otimismo matinal com uma possível mediação no Oriente Médio não se confirmou, dando lugar a um noticiário de piora do conflito, com evacuações de cidadãos americanos e nova escalada militar.

Corleta destacou que esse ambiente de incerteza global impulsionou o petróleo e fez com que investidores buscassem o refúgio do dólar, que saltou para R$ 5,27, enquanto as bolsas de Nova York e São Paulo sofreram perdas significativas.

A análise pontuou uma preocupação crítica com o setor de tecnologia, após rumores de que os EUA devem regulamentar a exportação de chips para inteligência artificial, o que pesou sobre o setor de semicondutores. No Brasil, Corleta chamou a atenção para a situação da Petrobras, que operou em queda na maior parte do dia apesar da alta da commodity.

Ele alertou para a defasagem insustentável nos preços dos combustíveis, que chega a 41% no óleo diesel, criando uma “batata quente” para a estatal e gerando uma pressão de inflação gigantesca sobre a malha logística rodoviária do país.

Para o especialista, o risco de o sentimento dos investidores azedar ainda mais é real, especialmente com parte do mercado já precificando que não haverá corte de juros nos Estados Unidos este ano. Ele reiterou que a crise política doméstica, alimentada por desdobramentos do caso Banco Master, adiciona uma camada extra de prêmio de risco aos ativos brasileiros.

Corleta concluiu que, embora o ano tenha começado com um “céu de brigadeiro”, o horizonte atual exige cautela máxima para evitar perdas em um ambiente onde o choque inflacionário pode comprometer o ciclo de queda da Selic.

Dólar

O dólar comercial encerrou a sessão desta quinta-feira em forte alta de 1,32%, cotado a R$ 5,287. A moeda norte-americana apresentou grande volatilidade, atingindo o patamar máximo de R$ 5,294, impulsionada pela busca global por proteção em meio ao agravamento das tensões navais no Estreito de Ormuz.

O avanço da divisa foi alimentado pelo pessimismo com a inflação global e pela instabilidade institucional brasileira gerada pelas investigações envolvendo o Caso Master.

Nem mesmo a tentativa de mediação da China no conflito internacional foi suficiente para conter a valorização da moeda, que se consolidou como o principal refúgio dos investidores diante da falta de sinalizações de paz no curto prazo.

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