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De farmácias a academias: o “efeito Mounjaro” começa a redesenhar investimentos na bolsa
Publicado 10/02/2026 • 21:34 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 10/02/2026 • 21:34 | Atualizado há 2 horas
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© Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil
O debate sobre o possível licenciamento compulsório do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida da Eli Lilly, já ultrapassa a discussão regulatória e começa a entrar no radar da Bolsa brasileira. Na B3, investidores passaram a incorporar nos modelos cenários de longo prazo ligados à mudança de hábitos de consumo provocada pela expansão dos medicamentos da classe GLP-1.
A lógica é que, à medida que mais brasileiros passam a utilizar terapias que reduzem o apetite e promovem perda de peso, o impacto não fica restrito às farmacêuticas. Ele se espalha por toda a cadeia de consumo, de farmácias a alimentos, bebidas, academias e produtos de suplementação. Isso altera os fluxos de gasto e redesenham oportunidades e riscos entre setores.
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No varejo farmacêutico, a equação é mais direta. A chegada de genéricos e similares de semaglutida, e o potencial de novas ofertas de tirzepatida, caso avance o licenciamento compulsório, tende a elevar o volume vendido e ampliar a participação de mercado de redes como RD Saúde (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3). Relatórios de Itaú BBA e corretoras indicam que, até o fim da década, a classe de GLP-1 pode representar parcela relevante da receita dessas empresas. Nesse cenário, a concorrência pressiona o preço do medicamento de referência, mas favorece redes com escala, marca própria e foco em genéricos.
Os efeitos também aparecem fora das farmácias. A expansão do uso de GLP-1 tem sido associada ao aumento da busca por musculação e treinos de força para preservação de massa magra, beneficiando redes de academias como a Smart Fit (SMFT3), que vêm registrando maior frequência e ticket médio entre clientes que utilizam esse tipo de tratamento. Trata-se de um exemplo de empresa fora do setor farmacêutico que passa a capturar parte do novo fluxo de consumo.
Ao mesmo tempo, o mesmo fenômeno cria pontos de atenção para segmentos de alimentos e bebidas. Na visão das corretoras e casas de análise, os usuários de GLP-1 tendem a reduzir o consumo de ultraprocessados, refrigerantes, snacks e biscoitos, movimento que pode afetar fabricantes expostos a produtos de menor apelo nutricional.
Estimativas do Goldman Sachs indicam que consumidores da classe podem reduzir, em média, cerca de 23% o consumo de bebidas alcoólicas, com quedas mais acentuadas em determinados perfis. Dependendo do ritmo de adoção no Brasil, o banco projeta impactos negativos relevantes em empresas do setor de bebidas. Outros estudos do BBA mostram efeitos mais moderados, mas ainda assim desfavoráveis, em companhias de alimentos como M. Dias Branco (MDIA3) e Camil (CAML3), com reduções pontuais no lucro em cenários de maior penetração de GLP-1.
Leia também: Senado discute quebrar patente do Mounjaro e levar remédio da obesidade ao SUS
Em contrapartida, o novo padrão de consumo favorece setores ligados a desempenho físico e saúde. Bancos e consultorias apontam crescimento consistente em categorias como proteínas, creatina, whey e suplementação esportiva, impulsionado por consumidores que, após emagrecerem, buscam manter ou aumentar massa muscular.
No fim das contas, o tema deixa de ser exclusivo da indústria farmacêutica e passa a fazer parte das teses de investimento na B3. A oferta maior de GLP-1 entra nas planilhas de bancos e gestores, que ajustam projeções de vendas, margens e participação de mercado em diferentes setores.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
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