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Acordo entre EUA e Irã reduz prêmio de risco no petróleo

Publicado 15/06/2026 • 21:15 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • Segundo Pedro Rodriguez, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a reabertura do Estreito de Ormuz depende de fatores como segurança da navegação, remoção de minas e definição das regras de trânsito na região.
  • Os impactos da guerra podem persistir mesmo após um cessar-fogo, devido a danos em infraestruturas energéticas, dificuldades logísticas e à necessidade de recomposição dos estoques globais de petróleo e gás.
  • Para o Brasil, um petróleo mais barato tende a aliviar a inflação e os custos dos combustíveis, mas também reduz receitas associadas à produção petrolífera, como royalties e participações governamentais.

A perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio aos mercados de energia e contribuiu para a queda dos preços do petróleo nos últimos dias. Apesar da reação positiva inicial, especialistas avaliam que ainda há diversas incertezas que podem impedir um retorno rápido aos níveis de preços observados antes do conflito no Oriente Médio.

Para Pedro Rodriguez, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o anúncio das negociações é um passo importante, mas o mercado ainda aguarda definições concretas sobre a implementação do acordo e a situação do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

“Se esse acordo for para valer, ele acalma o mercado. Porém, ainda tem uma longa estrada pela frente para saber quando esse estreito vai ser aberto e em que termos ele vai ser aberto”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o especialista, a simples reabertura da passagem marítima não garante a normalização imediata do mercado. Questões como a presença de minas na região, a segurança das embarcações e divergências entre Irã e Estados Unidos sobre a cobrança de taxas para o tráfego de navios continuam em discussão.

Rodriguez também destacou que os efeitos da guerra vão além das restrições logísticas. Em sua avaliação, parte dos impactos sobre a infraestrutura energética da região poderá ser sentida por anos. Ele citou como exemplo danos sofridos por instalações ligadas ao setor de gás natural no Catar e dificuldades enfrentadas por produtores que dependem do Estreito de Ormuz para escoar sua produção.

“É muito cedo para dizer até que ponto esse preço se tornou estrutural e em quanto tempo a indústria vai conseguir se reequilibrar novamente”, disse.

Mesmo assim, o mercado já começou a retirar parte do prêmio de risco embutido nas cotações. De acordo com Rodriguez, o simples avanço das negociações foi suficiente para provocar uma forte correção nos preços internacionais da commodity.

“O petróleo estava negociando próximo de US$ 125 o barril e já voltou para a casa dos US$ 85. Isso mostra o tamanho do prêmio de risco que existia em razão do conflito”, afirmou.

O especialista avalia que a recuperação plena do setor dependerá de uma sequência de etapas, incluindo a assinatura formal do acordo, a retomada segura da navegação, a recomposição dos estoques globais e a reconstrução de estruturas danificadas durante a guerra.

Para países produtores, como o Brasil, um petróleo mais barato gera efeitos mistos. Embora contribua para reduzir a pressão inflacionária e os custos dos combustíveis, também diminui receitas ligadas à atividade petrolífera.

Times Brasil - CNBC

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“Por um lado, o Brasil se beneficia com combustíveis mais baratos e uma inflação potencialmente menor. Por outro, a arrecadação ligada ao petróleo tende a ser menor quando os preços recuam”, concluiu Rodriguez.

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