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“Argentina vai bem, depende para quem”, diz especialista sobre reforma trabalhista de Milei

Publicado 19/02/2026 • 19:14 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Especialista afirma que reforma trabalhista de Milei é considerada “muito dura” e que mexe em pilares sensíveis da legislação.
  • Governo mantém aprovação entre 53% e 55%, sustentado principalmente pela queda da inflação após forte ajuste fiscal.
  • Setor produtivo enfrenta impacto relevante, com fechamento de empresas e estimativas de perda de centenas de milhares de empregos.

Manifestantes protestaram nesta quarta-feira (19) em frente ao Congresso argentino durante o debate da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. O ato contou com forte aparato policial, que utilizou jatos d’água para dispersar participantes.

Para o economista e professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, a reforma era esperada diante da crise estrutural enfrentada pela Argentina.

Segundo ele, o país acumula defasagens tecnológicas e legislativas que pressionam por mudanças nas relações de trabalho. “Havia uma espécie de encontro marcado com essa reforma”, afirmou em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Trevisan avalia, no entanto, que o governo elevou o tom ao apresentar um pacote considerado amplo e agressivo. Para ele, trata-se de uma proposta “muito dura”, que mexe em pilares sensíveis da legislação trabalhista.

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O que muda na proposta

Entre os principais pontos da reforma, estão a redução das indenizações por demissão, ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas e limitação do direito de greve. O texto também amplia o período de experiência e permite formas alternativas de pagamento.

“O mundo inteiro discute redução de jornada, e a Argentina caminha na direção oposta”, afirmou o professor, destacando que o pacote tende a gerar resistência social.

Ainda assim, as manifestações não atingiram a dimensão histórica observada em outros momentos do país. Segundo Trevisan, a mobilização tem sido mais forte em setores organizados, como o de transporte, do que nas ruas.

Aprovação sustentada pela inflação

Mesmo com medidas impopulares, o governo Milei mantém índices de aprovação entre 53% e 55%, segundo Trevisan. Na avaliação dele, a queda da inflação é o principal fator que sustenta esse apoio.

“A Argentina vai muito bem, depende para quem”, afirmou.

Segundo o economista, o ajuste fiscal prometido por Milei foi implementado com cortes expressivos no déficit público, o que contribuiu para reduzir a inflação de patamares superiores a 200% ao ano para níveis próximos de 30%.

Para parte da população, o controle da inflação representou alívio imediato após anos de instabilidade.

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Impacto no setor produtivo

Por outro lado, o setor produtivo enfrenta dificuldades. De acordo com o professor, mais de 20 mil empresas teriam fechado nos últimos dois anos. Ele também citou o encerramento das atividades de uma grande fábrica de pneus, que deixou cerca de 900 trabalhadores sem emprego, além de estimativas sindicais que apontam para a perda de mais de 300 mil postos de trabalho.

“Para o setor financeiro, o modelo avançou. Para o setor produtivo, o remédio foi muito duro”, resumiu.

Trevisan afirma que o cenário argentino reflete um contexto global de forte polarização e ansiedade social diante de mudanças tecnológicas e econômicas. Para ele, ainda é cedo para traçar paralelos diretos com o Brasil, mas o caso argentino pode influenciar debates eleitorais e econômicos na região.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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