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Canadá se volta à China para reduzir dependência dos EUA após tarifas de Trump
Publicado 13/01/2026 • 10:17 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/01/2026 • 10:17 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Arif Kartono/AFP
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, inicia nesta semana uma visita oficial à China, a primeira de um líder canadense ao país em quase uma década. O movimento faz parte de uma reorientação estratégica da política externa canadense, em meio ao deterioramento das relações com os Estados Unidos e ao aumento das tensões comerciais globais.
A viagem, que começa na quarta-feira (14), ocorre em um contexto de protecionismo crescente, impulsionado pelas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por declarações que colocaram em xeque a tradicional relação entre os dois países, incluindo a sugestão de que o Canadá poderia se tornar o “51º estado” americano.
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Carney tem como meta dobrar as exportações canadenses para fora dos Estados Unidos na próxima década, reduzindo a dependência do maior parceiro comercial do país. Em comunicado oficial, o premiê afirmou que o Canadá busca construir uma economia mais competitiva, sustentável e independente.
Segundo o governo, a estratégia envolve forjar novas parcerias globais, especialmente em um momento de ruptura das cadeias tradicionais de comércio internacional. Após a agenda na China, Carney seguirá para o Catar e, em seguida, participará do Fórum Econômico Mundial, na Suíça.
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Analistas chineses avaliam que a visita abre espaço para uma reaproximação pragmática entre Ottawa e Pequim. Para Zhu Feng, reitor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Nanjing, o encontro reflete o novo ambiente criado pelo protecionismo americano.
Ainda assim, especialistas alertam que o Canadá continua sendo um aliado estratégico dos EUA, com laços profundos históricos, culturais e geográficos, o que limita até onde pode ir essa aproximação com a China.
Leia também: Aposta tarifária de Trump contra o Irã pode colocar em risco acordo comercial entre EUA e China
Carney não é o único novo líder ocidental a buscar uma redefinição das relações com Pequim. A Austrália, sob Anthony Albanese, restabeleceu laços comerciais após anos de tensões, enquanto o Reino Unido, liderado por Keir Starmer, também sinaliza um esforço de reaproximação, apesar de divergências em temas sensíveis, como direitos humanos.
Ao mesmo tempo, Trump indicou que pretende visitar a China em abril, buscando uma relação “mais estável”, embora tenha sido o responsável por uma escalada tarifária que levou taxas a ultrapassarem 100% antes de recuos pontuais.
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As relações entre Canadá e China se deterioraram fortemente em 2018, após a prisão, em território canadense, de Meng Wenzhou, executiva da Huawei, a pedido dos EUA. A China respondeu com a detenção de dois cidadãos canadenses, episódio que marcou profundamente a diplomacia bilateral. O impasse só foi resolvido em 2021.
Mais recentemente, Ottawa acompanhou Washington ao impor tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses e 25% sobre aço e alumínio, o que levou Pequim a retaliar com tarifas sobre canola, frutos do mar e carne suína canadenses. A China já sinalizou que poderia remover parte dessas medidas caso o Canadá recue nas restrições aos veículos elétricos.
Além da China, o governo Carney também trabalha para reaproximar-se da Índia, após uma crise diplomática em 2024. O movimento reforça uma leitura clara: o Canadá busca diversificar parceiros estratégicos e reduzir vulnerabilidades em um mundo marcado por choques geopolíticos, guerras comerciais e fragmentação econômica.
(*com informações da Associated Press)
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