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CEO da Stellantis defende incentivos à produção de carros na Europa diante do avanço chinês

Publicado 12/10/2026 • 09:30 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • O CEO da Stellantis pediu aos reguladores europeus que criem incentivos mais fortes para as montadoras que fabricam veículos na região.
  • A declaração vem em meio à intensificação da concorrência com rivais chinesas, que vêm ampliando sua presença no mercado.
  • Antonio Filosa, que está à frente da gigante automotiva desde 2025, falou ao programa CNBC Conversation antes do Salão do Automóvel de Paris, nesta segunda-feira (12).
Stellantis

Daniele Mascolo / Reuters

Antonio Filosa, CEO da Stellantis

O CEO da Stellantis pediu aos reguladores europeus que criem incentivos mais fortes para as montadoras que fabricam veículos na região, em meio à intensificação da concorrência com rivais chinesas, que vêm ampliando sua presença no mercado.

Antonio Filosa, que está à frente da gigante automotiva desde 2025, falou ao programa CNBC Conversation antes do Salão do Automóvel de Paris, nesta segunda-feira (12). Na entrevista, ele comentou a queda nas vendas da companhia em meio ao avanço “impressionante” das montadoras chinesas no mercado europeu.

“O que estamos defendendo fortemente na Europa é o estabelecimento de condições equitativas de concorrência para todos”, afirmou Filosa em entrevista a Charlotte Reed, da CNBC.

“Em termos concretos, isso significa trabalhar em uma regulamentação de fato, começando pelo ‘Feito na Europa’. Essa regulamentação deve incentivar, recompensar e proteger aqueles que conseguem demonstrar que projetam e desenvolvem carros”, acrescentou.

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A proposta Made in Europe (“Feito na Europa”) se refere a uma legislação em discussão na Comissão Europeia que exigiria que as montadoras cumprissem requisitos mínimos de conteúdo local para vender veículos no mercado regional.

O grupo automotivo, conhecido por marcas como Jeep e Ram, está no meio de uma estratégia de reestruturação de US$ 70 bilhões, enquanto enfrenta a queda na demanda. As ações da companhia acumulam desvalorização de quase 60% desde o início do ano.

As marcas chinesas estão dominando o mercado automotivo global. Segundo a GlobalData, empresa de pesquisa e consultoria de mercado, a participação das montadoras chinesas nas vendas globais de veículos aumentou quase 70% entre 2020 e 2025.

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Enquanto isso, a participação dos veículos chineses nas vendas europeias, que era próxima de zero em 2020, chegou a 12% em agosto deste ano, de acordo com dados da Dataforce, empresa alemã de análise do setor automotivo.

“Acredito que as montadoras chinesas que conhecemos realmente podem oferecer boa tecnologia e preços competitivos a muitos consumidores, em diversos segmentos”, disse Filosa.

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Acordo entre China e União Europeia impulsiona ações do setor

Na sexta-feira (9), o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que a China concordou em reduzir pela metade suas exportações de carros híbridos para o bloco, após Pequim rejeitar repetidamente solicitações anteriores.

As ações das montadoras europeias avançaram no início do pregão desta segunda-feira, após a notícia do acordo. Os papéis da Stellantis subiram 2,7%, enquanto os da francesa Renault avançaram cerca de 3%. As fabricantes francesas de autopeças Valeo e Forvia também registraram alta nas primeiras negociações.

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China comentou o pedido nesta segunda-feira. Segundo tradução da CNBC do chinês para o inglês, o representante afirmou que China e União Europeia mantêm diálogo sobre comércio e investimentos e alcançaram “diversos consensos e resultados que contribuem para manter uma parceria comercial importante estável e equilibrada”.

Um dos princípios estabelecidos no acordo é o da não discriminação, segundo o qual nenhuma medida poderá ter como alvo específico as empresas chinesas ou discriminá-las. “A cota da China não será inferior à de nenhuma outra origem de importação para a União Europeia”, afirmou o porta-voz.

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